[oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

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[oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

Mensagem por Alice em Qua 15 Jan 2014, 18:16

Uma Semana com Gregory Haltz





Segunda-feira, 10 horas

O sol lutava para se infiltrar no quarto do médico através da pesada e escura cortina. O corpo do homem ainda estava atirado na cama, enrolado entre lençóis desarrumados. Os olhos abertos há algum tempo miravam ora o teto, ora o relógio e o calendário. Por algum motivo ambos diziam que o médico devia ir para o hospital, algo que não desejava no momento. O som do telefone na sala também era irritante e atrapalhava seu descanso.

- Bem, tenho que resolver isso...

Após falar sozinho, o homem virou a folha do calendário para o dia anterior, dia em que tinha uma folga agendada. Vendo a marcação de folga, sorriu e virou as costas, voltando a dormir. Angélica estava certa no final das contas. Um calendário era muito útil.

Quase tudo parecia estar no devido lugar agora, exceto o telefone que ainda tocava. Para isso o médico tinha três opções: se levantar e atender, se levantar e desligar ou ignorar. Chegando a conclusão de que as duas primeiras opções exigiriam demais dele e que o toque não era tão irritante assim, voltou a dormir.

Enquanto isso, no hospital, uma enfermeira se desculpava com os outros médicos e alegava ainda não ter conseguido contato com o doutor Haltz. O telefone em seu ouvido só emitia o som de chamando, mas ninguém atendia. Os demais médicos reclamavam ao perceberem que teriam de cuidar dos pacientes do médico ausente e, assim, atrasar o atendimento dos seus pacientes também.


Terça-feira, 14 horas

O médico estava sentado em sua sala com uma revista de quadrinhos em mão. Em sua mesa, um pote com sanduiches e uma garrafa com suco. Na tampa do pote o nome Jonh Cambridge.

- Doutor, seus pacientes na emergência estão perguntando quando irá iniciar o tratamento deles. – Perguntou uma enfermeira timidamente à porta.

- Algum deles parou de respirar?

- Não, mas a situação é delic...

- Se estão respirando, podem esperar eu terminar o meu almoço. – O médico interrompia a mulher enquanto pegava o sanduíche e lhe mordia mais uma vez, depositando-o novamente no pote e murmurando que não fazia sentido um herói que controla a gravidade ter o cabelo espetado para cima.

Sem sucesso a enfermeira deixava o médico e pensava em como tranquilizar os pacientes que só recebiam anestésicos na emergência. No refeitório, Jonh Cambridge, neurocirurgião renomado, reclamava do furto de seu almoço enquanto comprava alguma coisa.


Quarta-feira, 19 horas e 15 minutos

O médico começava a caminhar pelos corredores do hospital com sua maleta, preparando-se para ir embora, quando é abordado por uma enfermeira. Acostumada com o perfil de Gregory, a mulher começou a explicar o caso já o arrastando pelo braço em direção ao leito do paciente. No quarto um civil chorava de dor. Sua perna estava em um ângulo estranho e indicava fraturas em pelo menos três regiões diferentes, entretanto não havia sinais de hemorragia ou outros complicadores.

- Me chamaram por causa disso? – Questionou o médico dando um tapinha na coxa da perna quebrada do paciente e arrancando mais gemidos de dor do mesmo. – Dá um paracetamol para ele e deu.

Após recomendar um simples remédio par dor, o médico saiu do leito novamente, querendo ir pra casa. A enfermeira tentou segui-lo e dissuadi-lo de sua decisão.

- São 20 horas e estou indo para casa. – Foi a resposta ouvida.

- Mas ainda são 19 horas e 15 minutos doutor. – A mulher tentava argumentar.

- Eu adiantei o relógio alguns poucos minutos.

A mulher só pode ver a porta do elevador se fechar, levando o médico. Sem escolhas, partiu em busca de outro médico que pudesse cuidar do jovem com a perna quebrada.


Quinta-feira, 12 horas e 30 minutos

No restaurante do hospital, Gregory, pela primeira vez na semana, pagava seu próprio almoço. O outro médico, Jonh Cambridge, sentado na frente do Haltz, repreendia o médico por ter roubado seu almoço na terça-feira, crime recém-descoberto. O debate se prolongava com Gregory dando pouca importância ao fato.

- Você não tem jeito, Haltz.

Antes que o médico mais velho cogitasse responder ao mais novo, uma garçonete de aproximadamente 20 anos surgia para recolher os pratos vazios e servir duas taças de café. A vulgaridade da mulher poderia ser descrita de diversas formas, porém a mais saliente era o botão quase estourando na altura do busto, visão que a mulher conseguiu fazer atrair os olhos do médico mais velho por alguns segundos.

- Não me diga que vai dar em cima de uma garota muitos anos mais nova que você de novo, Gregory?! – Indagava Jonh incrédulo logo após a retirada da garçonete.

- Não sou louco. Da última vez que fiz isso a mulher me fez um filho. Sem falar que ainda fico dolorido só de lembrar.

As palavras mal terminaram de sair de sua boca e o médico sentiu um bufar felino atingir seu rosto. Uma Persian com uma marca de estrela no peito apoiava-se na cadeira do doutor e tinha as presas à mostra. Entretanto não era a gata que mais metia medo, mas a mulher atrás de si. A comandante mirava Gregory sem nenhuma gentileza no olhar. O silencio sepulcral do ambiente só era quebrado por Yasmin, que pedia a sua mãe que lhe explicasse o que o pai quis dizer, preocupada com o fato de ele sentir dor.


Sexta-feira, 15 horas

Gregory parecia estar no auge de seu mau humor. Sempre que cuidava de Yasmin, quando Angélica saia em missão, era obrigado a acordar na hora certa para servir-lhe café da manhã e acompanhá-la até a escolinha. Não bastasse isso, ainda tinha de buscá-la no horário do almoço e se dividir entre cuidar dela e o hospital. Claro que o médico optava por ficar mais tempo com a filha e que esta nunca via seu mau humor. Entretanto ele achava muito irritante as enfermeiras que batiam em sua sala para chamá-lo para atender um paciente, Luxray que ficava babando no sofá que gostava de manter em seu escritório para um cochilo no meio da tarde, Swellow com sua mania de ficar limpando as penas no meio de sua sala e, principalmente, acordar cedo.


Sábado, 9 horas

- Muito bem. Aproveitem meu momento insano. Hoje acordei com vontade de trabalhar.

Por algum motivo bizarro, Gregory chegou ao hospital esbanjando bom humor e disposição para o trabalho. As enfermeiras não perderam tempo se perguntando sobre o motivo do comportamento atípico. Não lhes interessava se era alguma doença ou se o médico havia recebido alguma visita na noite anterior. Correndo de um lado para o outro, as profissionais logo reuniram todos os casos do médico que ficaram esquecidos ao longo da semana. As sete pilhas sobre a mesa ultrapassavam a cabeça do doutor, criando uma parede de trabalho. Sem ver a expressão do chefe, as mulheres aguardavam alguma reação e não se impressionaram com a resposta ouvida.

- É... A vontade passou...


Domingo, 10 horas

O médico acordava em sua cama mais uma vez. A luz do sol ainda sem descobrir uma forma de invadir o quarto, perdendo a batalha contra a pesada cortina azul. Ainda sonolento, o médico se virou e encarou o calendário ao lado da cama. Esquecido, o objeto ainda mostrava a data do domingo anterior, dia em que o médico tinha uma folga.

- Vejam só, minha folga.

Satisfeito com a visão, o doutor se virou e voltou a dormir. Mais uma vez no hospital as enfermeiras tentavam desesperadamente entrar em contato com o médico, sem nenhum sucesso. Mais uma vez diversos pacientes passavam noites sentados na sala de espera, já que o resto da equipe ficava sobrecarregado.

O diretor do hospital descansava a cabeça em sua mão, sem saber o que fazer com o doutor Haltz. Por um lado, era o médico mais ausente do hospital e o que mais arrecadava reclamações acerca de seu comportamento. Por outro lado, era o único capaz de praticamente reconstruir um membro, realizar cirurgias de reimplantes em casos considerados perdidos e salvar vidas consideradas perdidas por outros médicos... Os inúmeros artigos e as inúmeras descobertas do médico rabugento rendiam fama ao hospital e as inúmeras dívidas morais de Angélica, salva incontáveis vezes pelo doutor que jamais desistia, sempre poderiam ser úteis ao diretor. O problema eram as faltas e as incontáveis reclamações na ouvidoria. O que ele poderia fazer com esse médico?

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Re: [oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

Mensagem por Moon_fire em Sab 18 Jan 2014, 14:09

Fic simplesmente incrível \o\

eu sei que todos que leram só ficaram com mais raiva do Gregory, mas agora eu gosto mais ainda dele XD

Agora sempre que alguém ficar horas e horas preso no hospital já sabe o que o Gregory provavelmente estará fazendo XD , fic nota 10 \o/

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Re: [oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

Mensagem por Orpheu em Sex 24 Jan 2014, 02:22

Depois de ver a rotina "difícil" que o Gregory tem é impossível não sentir pena dele -sqn

* Amei a Fic. Foi uma leitura bem fácil, agradável e também engraçada :3

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Re: [oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

Mensagem por Naruub em Dom 16 Nov 2014, 20:29

Achei muito engraçada essa Fanfic, esse Gregory é mesmo muito engraçado.

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Re: [oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

Mensagem por Henri Sollari em Seg 16 Mar 2015, 20:42

kkkkkkkkkkkkk Sensacional! Ri muito ou não sei se fico com raiva dele! Mas enfim, ótima fic. :D

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Re: [oneshot] Uma Semana com Gregory Haltz

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