Anjo Perdido

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Mensagem por Érica em Dom 23 Fev 2014, 19:15


Chayyliel, anjo cujo nome significa "exército," um anjo poderoso. Uma das guerreiras que sempre assumia a linha de frente nas guerras do céu. Temida entre os demônios, dificilmente deixará sobreviventes. Feroz, agressiva e letal, mas apenas nos combates. A anjo em muito tem o comportamento de uma criança, sendo curiosa e inocente. Amava as criações e seu Pai, observando a vida das pessoas e animais de longe, tentando segurar seu desejo de se aproximar, mas no final, não conseguiu resistir e visitou locais pouco habitados.
Ficava maravilhada com a perfeição da natureza e das cores. Suas visitas se tornavam mais frequentes, mas sempre "escondidas". A jovem temia uma represália dos mais velhos, mas estes sabiam que ela saia para visitar a Terra. A curiosidade infantil os cativava, permitindo que esta fosse explorar, cuidando da jovem de longe, garantindo que ela não se meteria em encrencas. Infelizmente, em uma destas visitas, Chayyliel foi surpreendida, sendo atacada pelas costas e caindo na Terra, não sabendo a origem do ataque.
Quando o anjo despertou, havia perdido a memória e não se recordava nem do próprio nome. Tinha uma sensação dolorosa no peito, sentindo que devia estar em um lugar bem longe dali. Que seu lar estava dolorosamente distante. Agora estava totalmente perdida, em um lugar desconhecido, em meio a gigantes prédios de concreto, sem saber quem era realmente.


Última edição por Érica em Sab 07 Maio 2016, 02:21, editado 1 vez(es)

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Mensagem por Alice em Dom 23 Fev 2014, 23:29

Chayyliel, sem nem mesmo recordar do próprio nome, despertava sobre o frio concreto de Nova York. O chão inteiro vibrava, acompanhando o ritmo de uma britadeira. O som algo ecoava no ouvidos da Anjo. Com muita dor, a garota colocava uma das mãos sobre o chão e, após firmá-la, repetia o ato com a segunda. Erguer o rosto parecia exaurir o pouco de forças que possuía.

O vestido branco estava sujo, manchado de areia, cimento e sangue. Rasgado em diversos pontos. Os pés descalços. Sozinha, sem nome, sem lembranças... Somente com o aperto no peito que lhe implorava para voltar para casa.

Lentamente e resistindo as dores que lhe diziam para parar, a anjo conseguiu se sentar no chão. Somente agora podendo notar suas condições. O sangue em sua roupa era seu. Proveniente dos diversos cortes e arranhões pelo corpo. Nenhum deles letal. Por mais que sua própria visão fosse intrigante, analisar o lugar em que estava era mais forte. Os olhos se ergueram, mirando os grandes prédios cinzas e as ruas movimentadas, onde carros parados buzinavam incansavelmente, na esperança de que o som fizesse desaparecer o veículo da frente e, assim, liberar o trânsito.

A garganta estava seca e a morena engoliu em seco, sem sucesso em tentar aliviar um pouco a sede que sentia. Até mesmo a sede parecia uma novidade para ela... Mais uma vez, a garota olhou para suas mãos, virando-as para cima e para baixo, tentando entender a origem de tantos arranhões. Sua boca também estava marcada, assim como sua sobrancelha, sua bochecha e seu pescoço. O que teria lhe acontecido?

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Mensagem por Érica em Seg 24 Fev 2014, 00:01

A morena sentia cada centímetro do corpo dolorido. Sentia o chão de concreto sob sua pele, vários barulhos estranhos pareciam brigar por atenção, dando um pouco de dor de cabeça para Chayyliel. O esforço para se erguer parecia ser demais, mas conseguia sentar-se.

O vestido branco, algum tempo atrás, devia ter sido bonito, mas agora estava rasgado e imundo. O corpo com diversas feridas, embora não fossem profundas, a jovem não sabia como havia as conseguido. Não sabia como foi parar ali, seja lá que local fosse aquele.

O ambiente foi a primeira coisa que havia chamado sua atenção. Prédios altos e cinzentos, as ruas movimentadas, além de objetos estranhos e barulhentos. Tentou se levantar, mas seu corpo protestava e ela continuou sentada mais um tempo. Ficou olhando os ferimentos, tentando lembrar, mas nada surgia. Tentou lembrar de qualquer coisa de sua vida, mas encontrava apenas o vazio. Isso era assustador.

Lentamente, o anjo novamente se levantou. Novamente sentia seu corpo protestar e suas pernas tremerem, mas exigiu mais esforço de si mesma, se apoiando na parede mais próxima. Aproximava-se lentamente da rua, mas tanto movimento a assustava, ficando receosa, no entanto, os estranhos objeto barulhentos chamavam a atenção. Não conseguiu conter a vontade de olhar mais de perto, se aproximando da rua e dos carros.

Observava, tentando saber mais do carro, ficando próxima deste, mas ainda na calçada. Se abaixou, encarando as rodas do veículo com interesse. Ensaiou um gesto, esticando a mão para tocar no espelho lateral, mas a recolhendo em seguida, desconfiada. Haviam tantos semelhantes, mas tão diferentes... Teria sido um deles que teria a machucado? Se sim, por qual razão?

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Mensagem por Alice em Sab 01 Mar 2014, 20:02

A falta de lembranças era muito mais assustador e dolorido do que qualquer machucado físico na opinião de Chayyliel. Seu corpo inteiro protestava perante o esforço de se erguer, entretanto a mente branca a apavorava mais ainda. O som de uma buzina alta chamou a atenção da anjo que, curiosa, se retirava do abismo desesperador do desconhecimento e resolvia se aproximar do estranho objeto.

O carro estacionado junto à calçada reluzia como novo. A morena observava seu reflexo na calota e o desejo de tocar e sentir a estranha coisa era quase incontrolável. A incerteza sobre quem lhe machucou ou o motivo de lhe ter machucado controlavam a curiosidade e o impulso de estivar a mão. Distraída com o próprio reflexo, a garota não percebeu o homem que se aproximava até alguns segundos antes do mesmo falar. Um reflexo que a garota desconhecia a fez saltar pouco antes da fala do estranho.

- Sai de perto do meu carro! Não tenho esmolas pra você!

A voz era rude e o homem entrava no veículo, partindo logo depois, sem nem ao menos dirigir um segundo olhar para a garota. A fumaça liberada pelo carro levou lágrimas aos olhos de Chayyliel e uma tosse seca escapou de sua garganta. Enquanto tossia, um morador de rua a observava de longe, aparentemente curioso com a mulher. Entretanto este optava por se afastar com seu carrinho de compras e o cachorro marrom com branco que carregava dentro do carrinho. As ruas o ensinaram a não se envolver em assunto alheio.

Mais atrás, no interior da praça, uma barraquinha de cachorro quente fazia sucesso com seu produto. Chayyliel poderia ver também uma pracinha com crianças brincando sob a supervisão de suas babás. Um gato malhado em diversas cores, sem a ponta de uma orelha e magro demais, no entanto, optava por se aproximar da anjo. O felino parecia disposto a consolar a garota, além de lhe dar um ombro amigo naquele ambiente completamente novo, diferente de todos os outros que passavam por ela como se ela não existisse. Para a morena parecia que finalmente uma criatura viva a estava vendo.

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Mensagem por Érica em Dom 02 Mar 2014, 01:12

A dor física não se comparava com a dor psicológica. No entanto, nenhum dos dois superava sua curiosidade e medo com as coisas que a rodeavam. Tudo parecia assustadoramente novo e desconhecido. Não sabia para onde ir.

O carro brilhava e, momentaneamente, distraia sua mente. O anjo observava seu reflexo, notando mais arranhões e o cabelo escuro emaranhado. Os olhos negros estavam assustados e fascinados ao mesmo tempo. O que era aquilo? Seria seguro tocá-lo? No entanto, seu corpo reagia mais rápido que a mente, fazendo-a saltar e recuar perante o desconhecido.

O homem não demonstrava gentileza, mas suas palavras confundiam Chayyliel. O que era um carro? O que era esmola? A morena não teve tempo de perguntar, logo o homem ia embora com o veiculo, deixando um rastro de fumaça para trás. A mulher tossia e esfregava os olhos, limpando o principio de lágrimas, chegando a conclusão que carros não eram muito bons.

Os olhos escuros fitavam a paisagem. Novamente sem saber o que fazer. Teria alguém a procurando? Todos pareciam nem ao menos notá-la, tirando o homem que havia se ido. Lançou um olhar para o alto. Queria ir pra casa... Novamente seus olhos se desviaram, agora focando um felino que se aproximava. O anjo sorriu, esticando uma das mãos e esperando que o gato se aproximasse num convite silencioso de carinho.

-Você me conhece?

A pergunta era dita numa voz baixa e fraca. A mulher desejava que o felino a conhecesse. Não ser uma completa estranha e saber que, pelo menos ele, sabia que ela era. A companhia do animal ajudava a acalmar o coração aflito. O lugar era movimentado, mas Chayyliel sentia-se incrivelmente sozinha. Seria bom ter a companhia do gato malhado.

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Mensagem por Alice em Seg 03 Mar 2014, 01:43

Após secar os olhos lacrimosos devido à fumaça liberada pelo veiculo, a anjo percebia o gato que se aproximava. O felino, de repente, parecia ser uma solução para o coração abandonado e solitário da morena. Se ajoelhando sobre o chão, Chayyliel esticava a mão na esperança de que o felino aceitasse a caricia e lhe fizesse companhia. A dor da solidão e o vazio de sua mente poderia leva-la a loucura.

O gato, por sua vez, mirava a estranha atentamente. Ele parecia confuso sobre o ser a sua frente. Indeciso entre se aproximar e confiar ou fugir. A ponta do rabo erguido balançava suavemente. A orelha com uma ponta faltando estava baixa, talvez quebrada... A outra estava erguida e atenta. Os olhos avaliavam tudo com muita atenção. Quando a morena começou a pensar que o gato também a abandonaria, o felino se aproximou e esfregou a cabeça em sua mão.

O coração da morena batia descontroladamente. Pela primeira vez desde que abrira os olhos, não se sentia sozinha. Sentando-se por completo no chão e cruzando as pernas, Chayyliel observou satisfeita o felino subindo sobre seu colo e se acomodando. O gato era muito magro e a cada caricia sobre suas costas a morena sentia os ossos do pobre animal. Entretanto não era isso que mais chamava sua atenção. Estava contente por ter um amigo. Ao longe, na direção dos risos de crianças, sinos de igreja badalavam, indicando 9h da manhã. O padre chamava a todos para a missa.

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Mensagem por Érica em Seg 03 Mar 2014, 19:29

Incrivelmente sozinha, sem ninguém. Chayyliel podia se comparar a uma criança perdida, mas ao contrario de uma que estaria sendo procurada por seus parentes, a mulher não sabia se alguém esperava por ela. Sua mente parecia tão branca quando buscava por informações... Queria ao menos recordar o próprio nome.

O felino parecia ficar atento e confuso. Em duvida sobre a atitude que deveria tomar. A morena começava a pensar que ele iria embora, deixando-a novamente sozinha naquele local movimentado e barulhento, mas a jovem logo sorriu quando este se aproximou.

A sensação do pelo do animal contra os dedos era algo totalmente novo. A mulher não se atrevia a piscar, temendo que o gato sumisse quando o fizesse. O sentimento de solidão, rapidamente, se afastava, deixando apenas uma sensação calorosa no peito da anjo. O felino totalmente em seu colo, Chayyliel fitava seu pequeno amigo, sentindo o contorno dos ossos dele conforme o acariciava. Ele também estaria sozinho? Era triste ver aquele ser tão magro...

O som de sinos logo tomava a atenção da morena. Os olhos negros fitavam a direção da igreja com curiosidade. O que seria? Mirou o felino brevemente, sorrindo afável para o mesmo.

-Vamos?

Lançava a pergunta, acomodando o gato em seus braços e se erguendo, começando a rumar em direção aos sinos. Ao contrario dos outros barulhos, aquele era agradável. Não era agressivo e que despertava a cautela, ao contrário, o cantar dos sinos parecia um convite para se aproximar.

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Mensagem por Alice em Seg 03 Mar 2014, 20:11

Chayyliel, agora feliz por ter alguém a quem chamar de amigo e sentindo-se mais tranquila com o fato, caminhava em direção aos sinos da igreja. Diferente dos ruídos dos carros e do resto da cidade, o badalar parecia alcançar o coração da anjo e acalma-la. Guiada pelo som, logo a morena se viu frente a uma grande igreja.

O prédio era magnifico. Feito em estilo antigo, a abóbada alta era totalmente pintada com imagens de criaturas com aparência humana e com asas grandes e brancas sobre nuvens. O desgaste da pintura indicava sua idade, mas não lhe tirava a beleza. Inúmeros vitrais retravavam passagens bíblicas, entretanto para Chayyliel eram somente imagens. A mulher sábia que conhecia a história, entretanto estava totalmente incapaz de lembrar-se dela.

- Não são permitidos animais aqui dentro senhora.

Um padre se aproximava. Apesar de ser o horário da missa de quarta-feira, a igreja estava completamente vazia, exceto por ele, Chayyliel e o gato. A cidade não parava para fazer uma oração à Deus. A garota olhou para seu amigo, indecisa sobre o que fazer. O felino parecia confortável em seus braços, assim como a jovem se sentia confortável na igreja. Um dos dois seria privado de seu conforto?

- Você está bem?

O padre chamava a atenção da morena. Após analisa-la melhor, o homem parecia não vê-la como uma simples moradora de rua, mas sim como uma garota que precisava de ajuda. O homem ainda era receoso, afinal Nova York não era uma cidade calma e confiar em qualquer um era um risco que nenhum cidadão parecia disposto a correr.

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Mensagem por Érica em Qua 05 Mar 2014, 19:15

O ser angelical observava a construção, a curiosidade claramente visível em seus olhos negros. Olhava para cada detalhe com grande atenção, não desejando deixar que um único contorno escapasse de seus olhos. Era simplesmente incrível e Chayyliel estava fascinada com o lugar. As imagens chamavam sua atenção. O local era tão calmo...

A mulher rapidamente mirava o padre, demorando alguns instantes para processar a pergunta. Ele estaria realmente falando com ela? Tirando o felino em seus braços, ninguém ao menos pareceu vê-la, mas a falta de pessoas deixava claro que a pergunta era para ela. A mulher mirou o gato, sentindo o pelo sujo em seus dedos. Era tão boa a companhia dele... Mas aquela construção conseguia acalmá-la... No entanto, a nova pergunta fez Chayyliel mirar o padre novamente por alguns segundos.

-Eu não sei...

Foram suas únicas palavras, antes de voltar a olhar para o felino. Acariciava o pelo do mesmo, em busca de consolo. O medo de ainda não saber quem era retornava, o que fez a morena encolher levemente.

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Mensagem por Alice em Dom 09 Mar 2014, 16:06

A anjo parecia menor do que realmente era devido ao fato de estar encolhida perante o medo de não recuperar a memória. Por mais que tanto o gato quanto a igreja lhe proporcionassem conforto, a jovem não conseguia relaxar por completo. As imagens nos quadros e vitrais pareciam mira-la de forma constante, como se aguardassem algo dela. Algo que a garota não sabia definir e nem onde buscar.

O padre suspirou fundo, percebendo que a morena precisava de muita ajuda. O vestido estava sujo e maltratado. A pele apresentava diversos arranhões, mas não aparentava ter nenhuma lesão mais séria. Os pés descalços e a insegurança na voz levavam o padre a crer que a garota realmente precisava de ajuda. Por mais receoso que estivesse e conhecedor dos inúmeros golpes criados todos os dias por assaltantes, aquela garota despertava no homem a vontade de cuidar dela e, cedendo a esta vontade, o padre resolveu se arriscar.

- Vem comigo menina. Minha casa não é longe e lá você poderá tomar um banho. Talvez eu tenha ainda algumas roupas que foram doadas para serem distribuídas entre os pobres que possa lhe servir.

Metade do que o homem dizia não fazia sentido para Chayyliel, entretanto a palavra casa aquecia seu coração. De repente a garota desejava encontrar sua casa, se é que possuía uma...

Sem receio, a morena seguiu o mais velho que deixou a igreja aos cuidados de outro padre e caminhou até seu carro. O veículo fez a menina recuar dois passos receosa. O último contato não tinha sido convidativo para se aproximar de outro. Quando o padre chamou, contudo, ela cedeu e acomodou-se no banco do carona. O gato ainda entregue em seus braços, ronronando.

Não demorou muito para chegar a um apartamento em uma região humilde, localizado no terceiro andar de mais um dos idênticos e numerosos edifícios da pequena rua. O lugar era pequeno, porém bem arrumado e limpo. Apesar de temeroso, o mais velho deixou a garota entrar e começou a providenciar algumas coisas para ela. Desde o matéria necessário para o banho, até uma muda de roupa. Todas as peças eram usadas e gastas, no entanto em melhor estado de conservação que seu vestido. A calça jeans tinha as barras descosturadas, o tênis era claramente gasto e a camiseta azul claro tinha a estampa de anjo desbotada. Enquanto observava os itens, a morena viu o padre ligar o chuveiro, mais um objeto estranho, e lhe instruir sobre a água quente e fria... Algo que não fazia o menor sentido. Em seguida, ela ficava sozinha no ambiente e o homem informava, ao sair, que iria preparar alguma coisa para a mesma comer após o banho.

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Mensagem por Érica em Ter 11 Mar 2014, 00:16

Relaxar totalmente era impossível. Chayyliel sentia-se observada pelas imagens da igreja. Parecia que devia fazer algo, mas o que seria? Onde deveria estar? Estas e centenas de outras perguntas brigavam, todas desejando um espaço em sua mente e uma resposta. No entanto, a resposta parecia dolorosamente distante... A mente da mulher estava embaralhada, tumultuada e branca.

O homem pareceu querer ajudar, chamando a morena, mas muitas coisas que ele dizia não faziam muito sentido. Ele era um estranho, mas a jovem o seguiu. Estava feliz em poder ir para casa, embora não fosse a sua. Onde estaria seu lar? Seria perto da casa do homem? Chayyliel torceu para que fosse.

Sem medo, a anjo seguia o mais velho, observando tudo curiosa, mas acabou recuando quando visualizou o veiculo. O objeto de metal barulhento e que soltava ar ruim, por que aquele lugar parecia tão cheio deles? O chamado do padre fez com que ela entrasse no carro, ficando ainda mais curiosa, mas encolhendo-se quando começou a andar. Os olhos miravam o lado de fora com surpresa, visualizando tudo se mover com velocidade.

Chayyliel observava a moradia do padre. Os olhos negros miravam cada detalhe e objeto que pudesse parecer estranho, o que para ela, era praticamente tudo. A morena começou a acompanhar os movimentos do mais velho, deixando que o gato voltasse para o chão e se aproximou dos itens. A água sair misteriosamente de um objeto surpreendeu o anjo, que se confundia com a explicação antes de ficar sozinha.

A jovem mirou a água, desconfiada do que poderia ser e aproximando os dedos com cautela. Tocava as gotas e sentia um calor agradável. A morena sorriu e foi mergulhando cada vez mais na água. Sentia o corpo relaxar, embora o tecido começasse a pesar e a ficar desconfortável, o que levou a jovem a se livrar dele. Continuou deixando a água correr e lavar as feridas, quando voltou a olhar para os outros objetos. Eram estranhos... Pegou o sabonete e cheirou, sentindo o aroma agradável e lambeu, chegando a conclusão de que nem tudo que tem cheiro bom era comestível, fazendo uma careta e mergulhando a língua na água. O objeto parecia criar vida própria, escorregando algumas vezes de suas mãos, começando a irritar a anjo.  Lentamente, objeto por objeto, a morena observava e cheirava, lendo a embalagem do shampoo e, pelo menos isso, conseguir usar de forma correta de primeira.

A anjo não soube dizer quanto tempo ficou ali, não desejava sair, mas queria saber como estava o felino que havia encontrado, deixando a água e vestindo as roupas que o padre havia providenciado. Passou a encarar o chuveiro, sem saber o que fazer. Se a água surgia do nada, devia também sumir, não?

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Mensagem por Alice em Sex 14 Mar 2014, 00:59

Chayyliel observava a água correr sem saber o que fazer para que a mesma sumisse. Já vestida, a anjo deixava a preocupação com o felino superar a curiosidade sobre o chuveiro. Suspirando triste por não descobrir a solução, a morena saiu do banheiro em busca do felino. O vapor no espelho não a permitia se visualizar e, apesar da roupa puída, estava bonita. Do lado de fora, o padre a mirava e logo corria para o banheiro, desligar o chuveiro.

Chayyliel, sozinha na sala, acariciava mais uma vez as costas d gato magro, enquanto pensava sobre o que faria. O padre, ainda sem se apresentar, retornava para a sala, falando algo sobre comida. Mais palavras que a morena desconhecia... Entretanto o cheiro bom era um atrativo para a morena que seguia sem pestanejar ao homem. Orientada a se sentar à mesa, a morena aguardou até um prato com arroz, feijão e carne ser colocado a sua frente. No primeiro momento, a anjo olhou desconfiada, mas após colocar um pouco na boca, passou a devorar a comida com frenesi. O gato, igualmente faminto, devorava o que lhe era oferecido em pequeno prato de plástico no chão.

O padre, do outro lado da mesa, aguardava o fim da refeição antes de orientar a garota a ir para o hospital, a fim de avaliar sua perda de memória. Desconhecendo a palavra, a morena concordou enquanto bebia um copo de água. O liquido, muito familiar para a jovem, lhe despertava sensações de mais frescor do que aquele proporcionava. Como se já tivesse bebido água melhor do que a que bebia na estranha cidade. Analisando o copo intrigada, a anjo precisou ser chamada três vezes pelo padre, antes de perceber o fato. Era hora de voltar para o carro, algo que a jovem não desejava tão cedo...

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Mensagem por Érica em Sab 15 Mar 2014, 20:26

Após a morena sair do banheiro, a mesma observou o homem entrando e conseguindo fazer com que a água morna parasse de correr. Chayyliel mirou a sala, buscando o felino que agora a acompanhava, sorrindo quando o encontrou e acariciando seu pelo. Não sabia o que iria fazer naquele momento, mas seus pensamentos eram interrompidos pelo homem que agora auxiliava. As palavras sobre comida eram estranhas para a jovem, mas o aroma era convidativo demais para ser ignorado.

A anjo observou a comida, um pouco desconfiada. Havia aprendido a poucos instantes que, nem tudo que tem cheiro bom, é comestível, mas após colocar um pouco na boca, devorava a comida. O gosto era infinitamente melhor do que daquele objeto escorregadio. Não deixava sobras, muito menos o gato.

Chayyliel suspirou satisfeita, agradecida pelo alimento e observando o padre. Se perguntava o que, ou quem, era um hospital, mas a possibilidade dele ajudar com sua memória conseguiu deixá-la alegre. O liquido incolor era familiar, mas tinha a sensação de beber algo muito melhor, ficando pensativa e tentando lembrar. Os olhos negros voltaram para o padre, era hora de voltar ao carro. A garota se encolheu novamente. Não queria entrar no carro, mas desejava restaurar sua memória. Um pouco relutante, se erguia e acenava de forma positiva, pegando o gato e o acomodando em seus braços. Novamente seguia o homem até o veículo barulhento e estranho. Chayyliel precisou respirar fundo para não recuar, relembrando a si mesma de que era para tentar recuperar a memória.

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Mensagem por Alice em Sab 29 Mar 2014, 21:31

Incrivelmente receosa, a anjo sentava-se mais uma vez no banco do passageiro. O padre fechava a porta e dava a volta no carro, assumindo seu lugar ao volante. Após entrar, puxava o cinto sobre a morena e ligava o veículo. O ronco do motor já era familiar, porém mesmo assim a jovem respirou fundo, fechando os olhos e apertando um pouco o felino contra o peito. O gato miou em resposta, apoiando as patas sobre o braço de Chayyliel e lhe lambendo o queixo em conforto.

Em poucos minutos, não era mais possível ver o edifício onde o padre morava. Nas ruas largas, outros carros se uniam ao do homem e, sempre que um ultrapassava o carro em que a anjo estava, essa se perguntava como eles não brigavam, já que pareciam criaturas ferozes com seus rosnados. O gato se enrolava sobre o colo da morena e ressonava baixinho, indicando que logo dormiria com o embalo. O padre não conversava, muito menos a anjo, esta muito ocupada observando cada prédio e pessoa e se perguntando como seria esse tal de hospital e como ele poderia lhe ajudar.

O caminho era longo e após alguns bons minutos, a jovem começava a querer relaxar no banco. Entretanto seu sossego não durou o tempo desejado. Em poucos instantes o carro começava a rodopiar fora de controle pela pista, atingindo outros e cessando o movimento somente quando colidiu contra um poste. Chayyliel apertou o gato com força, para que ele não voasse longe e o padre tentava a todo custo retomar o controle do carro. Quando a colisão enfim aconteceu, o homem bateu a cabeça no volante e desmaiou. A morena sentia o peito arder no lugar em que o cinto lhe apertou e lhe manteve firme no lugar, evitando maiores ferimentos. Respirando fundo e após se libertar do cinto, a jovem saiu do veículo, caindo no chão em busca de ar. O gato ao seu lado começava a rosnar furioso, aparentemente esquecido do acidente. Ouvindo a fúria do amigo que possuía todos os pelos do corpo eriçados, a anjo desviou os olhos das três marcas de garras que aparentavam ter rasgado o pneu.

- Então minha querida, como tem passado?

Uma voz estranha e irônica ecoava nos ouvidos de Chayyliel. Uma voz estranhamente familiar, mas que não lhe despertava as melhores sensações. Uma voz que parecia mais perigosa que os estranhos carros. Virando o rosto, a anjo se deparou com um homem de cabelos e olhos negros, contrastando demais com a pele branca. O terno bem alinhado e limpo aparentava ser de marca e o rosto possuía belos traços. Apesar da bela aparência, no entanto, a morena sentia receio perto do homem.

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Mensagem por Érica em Dom 30 Mar 2014, 21:03

Carro, definitivamente, não era o ser favorito de Chayyliel. A morena não simpatizava em nada com o veiculo, fechando os olhos e puxando o gato mais para perto de si. Respirava fundo, sentindo o felino lambendo seu queixo, mas nem mesmo o conforto que o animal dava era o suficiente para acalmá-la. Eram tantos e tão juntos, cada um parecendo rosnar um para o outro, que a jovem imaginava serem ferozes.

O felino, por outro lado, parecia que em breve adormeceria. O som baixo que ele emanava, levemente semelhante ao motor do veiculo, era muito mais agradável e acolhedor. A anjo acariciava levemente o pelo do animal enquanto observava a rua, os prédios e as pessoas. Era tudo tão estranho, movimentado e cinza...

O tempo passava e a morena começava a relaxar. Talvez não fosse preciso se preocupar tanto, não é? Infelizmente, a garota era surpreendida quando o carro ficava descontrolado, atacando os que estavam por perto. A garota apertou o felino contra si, cerrando os olhos assustada. O objeto metálico colidia, fazendo o homem desmaiar. Chayyliel ofegava, olhando ao redor e tentando entender o que havia acontecido. Com dificuldade, se livrava do cinto e abria a porta, sentando-se no chão e respirando fundo. Estava confusa e o rosnado de seu amigo só aumentava a confusão. Os olhos negros miraram o pneu rasgado, será que foi por isso que o carro bateu? Alguém havia o machucado? Mas sua atenção mudava de foco, devido a fala de outra pessoa.

Chayyliel fitava o homem estranho. Algo nele era familiar, mas invés de conforto, havia alerta e cautela. A garota não o queria por perto, muito menos perto dos dois seres que havia a ajudado. Estava séria. Sem perceber, seus pés se posicionavam, prontos para saltar para qualquer lado a qualquer momento.

-Vá embora...

A voz saia mais fria do que o costume. Os olhos incrivelmente atentos a qualquer movimento do moreno. Não sabia como, mas sabia que aquela pessoa não era boa. Ele parecia conhecê-la de alguma forma, mas como a conhecia? Não que importasse no momento, a anjo só o queria longe dali, ver se o padre estava bem e, se pudesse, visitar o hospital.

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Mensagem por Alice em Qua 02 Abr 2014, 15:15

Chayyliel por um momento não via mais os carros, as pessoas curiosas que se aproximavam ou os prédios cinzas que ocultavam a visão do céu. Nem mesmo os barulhos ensurdecedores que dominavam a cidade naquele momento pareciam alcança-la. Sua atenção estava inteiramente focada no estranho a sua frente. Seu corpo se posicionava instintivamente, sua mente lhe alertava para tomar cuidado e sua voz era gélida ao falar com o outro. O gato, ainda ao lado da morena, rosnava enfurecido.

- Por que tão fria minha anjinha? Achei que depois de tudo que passamos, eu mereceria mais do que somente duas palavras tão distantes, não acha?

O outro ainda provocava com um sorriso escárnio e evidenciando cada vez mais que a conhecia, desafiando Chayyliel a ceder perante sua curiosidade e ignorar o sinal de alerta que tocava em sua mente. O número de pessoas ao redor do acidente crescia. Alguém falando, aparentemente, com a própria mão pressionada no ouvido, parecia relatar o ocorrido e, ao longe, sinais de sirene eram ouvidos.

- Esse lugar está ficando movimentado, não acha? - O estranho perguntava retoricamente enquanto caminhava para perto da morena. A anjo não atacou ou defendeu. Por alguma razão sabia que ele não lhe machucaria, pelo menos não naquele momento... - Conversamos outra hora, em um lugar mais privado. O que acha? - Ele encerrava deixando o dedo deslizar pelo queixo da jovem e erguendo-o levemente. - Mas fica a dica, não confie nas palavras de gente da espécie do padre. Eles não podem te ajudar.

Após a sentença incoerente, o outro desaparecia no ar, como se nunca tivesse existido. Chayyliel piscou os olhos duas ou três vezes, tentando entender o que aconteceu. Seu corpo demorou alguns segundos a mais para relaxar e o gato ainda mais tempo precisaria. O som das sirenes ficava mais alto. Próximo a ela, alguém falava sobre o tal de hospital. E apesar do tumulto ao seu redor, a anjo se sentia sozinha como quando acordara novamente.

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Mensagem por Érica em Qui 10 Abr 2014, 19:41

A morena não entendia como, mas simplesmente sabia que aquele homem não era confiável. Tudo parecia sumir de seu mundo, sobrando apenas ela e o desconhecido. Os sons ficavam distantes, seus olhos atentos e o corpo posicionado. Seus instintos a alertando, mas a curiosidade falava alto também. Como aquele homem a conhecia? Ele sabia seu nome? A jovem mordeu a língua, tentando conter a curiosidade.

O movimento crescente era desconfortável. O estranho se aproximando, mas Chayyliel sabia que nada aconteceria, por enquanto. Era estranho saber quando ficar atenta ou não, sem lembrar-se de quem era o homem, isso deixava a mente da anjo cada vez mais confusa. A garota fixava os olhos no rosto do estranho, não respondendo sua pergunta. Não queria encontra-lo novamente, mas a ultima frase que este pronunciava aumentava sua confusão.

Chayyliel precisou piscar algumas vezes, para entender o que havia ocorrido. Ele, seja quem fosse, simplesmente sumia do nada. Isso não parecia comum. Sua mente girava e novamente sentia-se sozinha, pegando o gato e o abraçando firmemente, como se quisesse garantir que ele não iria desaparecer também. Ninguém poderia mesmo ajudar? Voltou para o carro, sentando-se no banco ao lado do padre ainda inconsciente, sacudindo de leve seu ombro numa tentativa de acordá-lo.

-Acorda... Por favor... – A morena pedia, o gato em seu colo, mas suas mãos ainda estavam tremulas. As palavras do desconhecido ainda rodeando sua mente. – Diz que pode me ajudar... Diz que vai ficar tudo bem...

As últimas palavras saiam fracamente. Dirigidas tanto para o homem desacordado, tanto para o felino. A sensação de solidão ainda a rodeando. Não havia nada que pudesse ser feito? O olhar triste, cabisbaixo, aguardando a resposta que não vinha do padre e do animal, as palavras do estranho ainda ecoando, como se recém tivessem sido proferidas, a incerteza do que aconteceria. Chayyliel sentia-se tão mal como quando acordou, ou até pior, sem saber mais em quem confiar.

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Dom 13 Abr 2014, 12:39

Chayyliel mais uma vez estava sentada ao lado do padre, implorando para que ele acordasse e lhe dissesse que tudo ficaria bem. O felino em seu colo ainda não se acalmara, mas se aninhava cada vez mais em seu colo, em busca de proteção. As palavras do estranho ainda ecoavam em sua mente, confundindo-a. A mão delicada apertava o ombro do padre e a outra o gato.

- Por favor fique calma. Nós cuidaremos de tudo.

Em sua distração, a morena nem ao menos percebeu a aproximação do homem de uniforme azul com uma cruz vermelha em cada braço e outra pequena na parte direita do peito. O estranho, sem receio, começava a toca-la e a forçava a mira-lo, enquanto gritava palavras estranhas aos outros. Uma ambulância, que a anjo não reconhecia, estava parada por perto com as portas traseiras abertas. Em seu interior, muitas outras coisas estranhas e, em até certo ponto, assustadoras.

- Mulher, aproximadamente 20 anos, branca. Nenhum ferimento visível. Homem, aproximadamente 45 anos, branco, inconsciente.

O estranho conversava com outros que usavam a mesma roupa. Em poucos segundos a jovem e perdida anjo percebia que retiravam o corpo do padre de dentro do veículo e o levavam para o outro, deitado no que parecia ser uma cama com rodas. Chayyliel foi puxada levemente pelo ombro, para subir na ambulância também. Suas mãos se recusando a reduzir o aperto sobre o gato.

- Venha. Precisaremos lhe examinar melhor no hospital.

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Dom 13 Abr 2014, 21:53

A morena tentava acalmar o felino, mas não parecia ter sucesso. Ele ainda rosnava, mas se aninhava em seu colo, buscando proteção. O chamado pelo padre não apresentava resultado algum, deixando Chayyliel cada vez mais desesperada, sentindo-se cada vez mais sozinha. Não percebia a presença do homem de roupas estranhas, nem do carro branco, levando um pequeno susto quando ouvia a voz desconhecida, mirando o recém-chegado com desconfiança. Quem era ele?

A anjo não sabia o que estava acontecendo, mas não estava gostando. O estranho falava coisas estranhas, enquanto a forçava olhar para ele. Havia coisas assustadoras no carro branco. A mulher desejava se encolher próxima do padre, mas os estranhos o colocavam numa cama com rodas, levando-o para o carro branco. Sentia um pouco de medo. O que estava acontecendo? Apertava mais o gato contra seu peito, virando a cabeça constantemente, tentando ter maiores informações. Estava confusa e perdida, sem saber nem ao menos o que dizer. Sentia alguém a conduzindo também para a ambulância, fitando o desconhecido.

-Hospital?...

Eles trabalhavam para o hospital? Seria seguro? Mirou o homem ainda inconsciente, preocupada com ele. Respirou fundo, reunindo coragem. Teria que entrar em outro carro... Como se isso já não fosse desanimador, ainda tinha objetos estranhos e pessoas que não conhecia... A morena respirou fundo mais uma vez, antes de subir na ambulância, buscando um lugar para sentar-se próxima do padre.

-O hospital vai curar ele?

Chayyliel perguntou, um pouco relutante, para um dos estranhos de uniforme. Esperava que pudesse ser feito algo pelo homem que estava tentando ajudá-la.

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Mensagem por Alice em Sex 18 Abr 2014, 10:24

O paramédico mirou confuso a morena após ouvir a estranha pergunta. A julgar pela altura e porte, ele imaginou que fosse uma mulher adulta, entretanto o questionamento era até infantil e ingênuo, como se a mesma não soubesse realmente o que é um hospital. De repente lhe passou pela cabeça que a garota poderia ter algum nível de retardo, ou pior, poderia ter batido a cabeça e estar com a memória confusa. Curar cérebros confusos era sempre complicado.

- Esperamos que sim. Com certeza as pessoas que trabalham lá farão tudo que puderem para que ele fique bem. Agora, poderia me dizer qual é seu nome?

O homem optava por tentar confirmar qualquer uma de suas suspeitas, enquanto falava como se conversasse com uma criança de cinco anos, a fim de acalmar Chayyliel. Entretanto quando a sirene foi acionada e o veículo se colocou em movimento, a garota parecia pronta para enfartar, já que não sabia de onde vinha o som.

O gato no colo não parecia mais tão agitado e, se ele conseguia se acalmar dentro do estranho carro que gritava, a morena começava a pensar que talvez ela também pudesse. Entretanto sua mente não relaxava e muito menos seu corpo. O paramédico tocou a mão da jovem, tentando recuperar o foco de sua atenção e obter uma resposta para sua pergunta. Ele queria um nome... A jovem também queria...

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Sex 18 Abr 2014, 15:58

A morena continuava desconfiada e assustada, apertando o felino contra o próprio corpo, querendo se certificar de que ele estava realmente ali com ela. Os olhos negros, demonstrando bem o medo que sentia, miravam o paramédico enquanto aguardavam uma resposta. A ansiedade crescia, ainda mais quando o homem a mirou confuso.

Ao ouvir que as pessoas que trabalhavam no hospital (e finalmente descobrindo que era um lugar, não alguém), Chayyliel ficou mais aliviada, mas ainda desejava ver o padre bem. O som repentino fez a anjo se encolher, os olhos arregalados em busca da origem. Sabia que os carros rosnavam, mas carros que gritam era novidade. Gostava cada vez menos dos veículos, temendo que aquele também fosse atacado e se voltasse contra os outros.

Chayyliel tentava se acalmar, mas tal tarefa era difícil. Novamente mirou o paramédico, que ainda aguardava uma resposta. Qual era o seu nome? Sua mente ficava branca cada vez que ouvia uma pergunta sobre sua origem. Baixou o olhar, mordendo a ponta do lábio enquanto tentava lembrar.

-Meu nome...

Murmurava baixo, se encolhendo ainda mais em seu lugar. Como queria lembrar de alguma coisa, mas isso parecia estar fora de seu alcance no atual momento...

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Sex 18 Abr 2014, 17:05

Perguntas sobre o passado sempre entristeciam Chayyliel, afinal de contas a jovem nunca as conseguia responder. Possuía sensações, mas não lembranças. O gato em seus braços protestou um pouco, já que a garota fechava ainda mais os braços ao redor do felino. Ouvindo a reclamação, a morena relaxou um pouco o aperto, porém o felino não tentou escapar.

O paramédico percebia cada reação da jovem e se preocupava momentaneamente. Danos cerebrais podiam ser complicados e, as vezes, irreversíveis. Respirando fundo, o homem colocou a mão sobre a da morena e lhe prometeu que fariam de tudo para ajuda-la. A anjo o mirou agradecida, contudo não conseguia mais relaxar. As palavras do outro homem estranho sempre ecoando em sua mente.

Os minutos passaram rapidamente e logo o grupo estava no hospital. Chayyliel olhou abismada para o grande prédio branco. Quando tentou entrar, no entanto, um segurança informou que o gato teria que ficar do lado de fora. Perante o protesto da garota, o paramédico informou que conseguiria um prato com leite para o felino e vigiaria para ele não fugir. A maca com a padre era empurrada para o interior e a jovem tinha de decidir. Deixar o gato ou deixar o padre...

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Dom 27 Abr 2014, 02:49

A anjo se perguntava sobre seu próprio passado. Tudo o que tinha era a sensação de estar longe de casa, de estar longe do local que devia estar. Afrouxava o abraço, após a reclamação do felino, passando os dedos no pelo do animal, em uma caricia. Não prestava mais atenção ao seu redor, apenas tentava recordar de algo, por menor que fosse.

Os olhos negros miraram o paramédico, agradecendo quando este prometeu ajudar. Queria confiar, acreditar, mas isso parecia impossível no momento...

Chayyliel não pode deixar de se surpreender pelo tamanho do prédio branco. Parecia se destacar entre os outros prédios cinzentos. No entanto, não demorou a protestar. Porque seu amigo não podia entrar? A anjo se via dividida entre o gato e o padre. Não queria se separar de nenhum deles. O animal havia oferecido companhia, quando a morena estava mais sozinha do que nunca. O homem fora a primeira pessoa que tentara ajudar. Perante a ajuda do paramédico, Chayyliel sorriu.

-Eu vou voltar, é uma promessa.

A mulher dizia para o gato, encostando a testa na cabeça do mesmo, antes de deixá-lo aos cuidados do paramédico e seguir o padre.

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Dom 27 Abr 2014, 20:32

Chayyliel parecia sentir como se um pedaço de seu coração ficasse para trás conforme se afastava do felino. O gato sentou-se na porta, esperando o retorno da morena. As ambulâncias partiam e retornavam com velocidade, porém seus gritos ensurdecedores não tinham mais poder sobre a jovem do que o miado de seu amigo.

No interior, Chayyliel se viu sendo guiada por corredores repletos de pessoas doentes até uma sala com uma cadeira. Uma outra mulher pediu o braço da anjo e, apesar de confusa, a morena esticou o braço. A médica falava com um tom suave, explicando que a anjo sentiria uma picada no braço e, foi uma surpresa para Chayyliel quando viu o sangue sendo retirado. Se não fosse a voz da médica pedindo calma e dizendo que já estava no final, a morena possivelmente teria gritado e tentado fugir.

Após a experiência desagradável, Chayyliel foi guiada para uma sala onde percebeu mais três pessoas também sentadas e aguardando algo que a anjo não sabia o que era. A enfermeira, que buscara a morena na primeira sala e a levara até a segunda, pediu para que a anjo esperasse.

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Anjo Perdido Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Ter 29 Abr 2014, 11:12

A morena não queria se afastar do felino, era como se uma parte de seu coração ficasse para trás. Constantemente olhava para trás, vendo o gato a esperando na porta. Era como se os sons assustadores ficassem distantes, o único que a alcançava fosse o miado do bichano.

Várias pessoas doentes se localizavam naquele ambiente, deixando Chayyliel confusa. A confusão crescia com o pedido de uma mulher, o que ela queria com seu braço? Mas isso logo sumia, sendo substituído pela vontade de sair correndo e fugir daquela pessoa. A anjo trancou a respiração quando viu seu sangue ser retirado.

Agora, em outra sala, devia esperar. Os olhos negros miraram o ambiente, enquanto os pés rumavam para uma cadeira vaga. A morena sentia-se perdida. O que queriam com seu sangue? Pelo o que ela devia esperar? Onde estava o padre? Queria seu gato de volta... Ficou aguardando, um pouco encolhida, sem saber o que iria acontecer.

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