Anjo Perdido

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Mensagem por Alice em Qua 30 Abr 2014, 13:53

Dúvidas permeavam a mente de CVhayyliel, passando pelo padre, pelo gato e pelo que os estranhos fariam com seu sangue. A anjo estava assustada e se sentia sozinha demais. As outras pessoas na sala estavam quietas, a maioria dormindo sentada, parecendo desconfortável.

As horas passavam lentamente sem que a jovem tivesse acesso a um relógio ou a uma janela para ver a situação do dia. Uma enfermeira disse que, enquanto não lembrasse do próprio nome, os médicos chamariam a anjo pelo nome de Jane Doe, um nome padrão para casos de amnésia. A morena pensou e sentia que aquele não era o seu nome, contudo era melhor do que não ter nenhum e, além disso, era só temporário... Somente até que recordasse do seu próprio como falara a enfermeira.

Nas horas seguintes, ou talvez dias seguintes, Chayyliel foi chamada diversas vezes para fazer os mais estranhos exames. Raios X, ressonâncias, tomografias... Um mais assustador que o outro. Sempre que encerrava um e antes de começar outro, longas horas de espera na mesma sala. O corpo já cansava de ficar sentado, contudo não haviam outras opções.

Após a tomografia, a anjo foi tentar questionar o que estavam fazendo com ela para o médico e onde estavam o padre e seu sangue. Entretanto a conversa entre os doutores chamou sua atenção.

- Realmente não sei o que há de errado com ela. Todos os exames são perfeitos.

- Perfeitos? Tipo?

- Do tipo que, se eu fosse apostar, diria que nem mesmo um resfriado ela pegou durante toda sua vida. O exame de sangue não mostrou nada. É tudo como no modelo ideal.

Os homens pareciam confusos e não notavam a presença da morena. Concentrados eles analisavam folhas e folhas de papel, todos com o nome Jane Doe. Porém Chayyliel percebeu que os exames tentavam dizer a fonte de sua amnésia, apesar de ninguém estar, aparentemente, encontrando uma resposta.

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Mensagem por Érica em Qua 30 Abr 2014, 21:44

A solidão novamente assombrava Chayyliel. Todos que estavam naquela sala estavam em silencio, ou dormindo, apesar das cadeiras não parecerem confortáveis para isso. A mente da morena ficava remoendo suas duvidas e medos, fazendo a jovem se encolher mais em sua própria cadeira. O tempo que havia passado era indeterminado, não havendo como saber se estava ali a segundos, minutos, horas ou dias, o que piorava a situação.

A anjo ouvia a enfermeira, que avisava que seria chamada por Jane Doe. O nome não era nada familiar, não despertava nenhuma sensação, no entanto, era melhor do que ter nome nenhum. Seria só por um tempo, até recordar seu verdadeiro nome. A morena aceitou o apelido temporário, repassando-o em sua mente e tentando se acostumar, mas ainda era estranho para si.

Os momentos seguintes foram de puro terror para “Jane”. Exames estranhos, que pareciam ter surgido dos piores pesadelos, eram feitos com a pobre anjo, que praticamente entrou em pânico no momento da ressonância. Cada exame era intercalado com a espera numa cadeira desconfortável, não melhorando em nada a situação. Chayyliel ficava andando de um lado para o outro na sala, nervosa e assustada, querendo saber o que estava acontecendo, quando recuperaria sua memória, por quanto tempo aquela tortura continuaria. Quando se aproximou de dois homens de jaleco branco, a conversa de ambos chamou sua atenção.

De forma inconsciente, seus passos ficavam mais leves, evitando ruídos, aproximando-se dos homens de forma furtiva, desejando ouvir mais a conversa. Aparentemente, não haviam tido sucesso em encontrar a fonte de sua amnésia. Todas as torturas, ou exames, resultaram em nada? Teria que passar por tudo de novo? Isso era mais que assustador! A jovem se aproximava dos médicos, puxando de leve a ponta do jaleco de um deles para chamar a atenção.

-Posso ver o padre? Ou o meu gato?...

Pedia com timidez. A presença deles aliviaria o terror que sentia, fazendo-a se sentir menos sozinha. Tanto tempo naquele local e passando por situações que dariam pesadelos por dias, sem a companhia de alguém que, mesmo que por poucos minutos, a conhecia e fazia Chayyliel se sentir bem, estava fazendo-a se sentir péssima. O cansaço começava a ficar visível em seu rosto. Ainda estava assustada, perguntas demais rondando sua mente, mas era difícil pô-las em ordem.

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Mensagem por Alice em Qui 01 Maio 2014, 11:58

Os médicos miraram a face da morena, claramente surpresos por não a terem visto se aproximar. Um deles, o que antes falava dos exames de Chayyliel, lhe sorriu e esticou o braço em direção a um elevador, chamando-a. O pedido parecia razoável para o homem e ele não viu problemas em atende-lo.

- Por aqui Jane.

Quando as portas do elevador se fecharam, no entanto, a jovem já não se assustou. Depois de entrar e sair do ser estranho tantas vezes e sempre para outro exame, Chayyliel o aceitava mais do que aceitava os carros. Não demorou muitos minutos para saírem do estranho elevador e a jovem se viu em um lugar diferente, um longo corredor com diversas portas. O médico caminhou por entre elas e de repente parou em frente de uma, abrindo-a e revelando o padre em uma cama.

- Boa tarde doutor e... Hey, vejam só. Como vai menina?

A voz gentil do senhor acalmou o coração perturbado de Chayyliel. O homem estava com um braço quebrado, porem parecia saudável. Possivelmente logo receberia a alta e poderia ir para casa. Chayyliel informou que agora a chamavam de  Jane, até que recordasse seu próprio nome e o padre comentou que um nome estranho era melhor que nenhum nome.

- Então doutor, quando irei para casa?

- Possivelmente amanhã padre.

Chayyliel se animou com a conversa, pensando se havia a possibilidade dela ir com o padre. Será que poderia ficar com ele até relembrar seu nome?

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Mensagem por Érica em Sab 10 Maio 2014, 18:42

O médico guiava a morena, deixando-a aliviada e ansiosa com a expectativa de ver um rosto amigo. O elevador não a assustava, já havia passado por ele várias vezes, apesar de ainda achar estranho como ele a levava para outros locais. Parecia um carro, apesar de ser menos assustador e agressivo.

Um corredor, até então desconhecido para Chayyliel, se revelava quando o elevador abria suas portas. A jovem seguia o médico, olhando as diversas portas, quando uma delas era aberta, revelando o padre. A anjo sorriu, sentindo o coração se acalmar quando ouvia o tom gentil do mais velho e ver que, apesar do braço, parecia bem.

Jane se aproximava, ficando ao lado da cama e conversando com o religioso. A morena ouvia as palavras do médico, ficando feliz pelo homem que a acolhera.

-Posso ir com você?

Chayyliel perguntou para o padre. Tinha esperanças de ficar com ele, até recuperar a memória. A igreja trazia paz, e gostaria de ficar perto de quem conhecia. Os olhos negros mirando esperançosos o mais velho, aguardando alguma resposta.

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Mensagem por Alice em Ter 13 Maio 2014, 17:13

O olhar da morena sobre o padre, tão inocente, perdido e esperançoso, doía no mais velho. O olhar triste e derrotado do religioso não passava despercebido para Chayyliel que, antes de ouvir a resposta, sabia qual seria. O médico, mais afastado, observava a conversa, aguardando o desfecho.

- Sinto muito, Jane. - O nome ainda soava estranho aos ouvidos da morena. - Meu apartamento é pequeno demais e não teria condições de cuidar de você.

A jovem abaixou os olhos, sentindo-se perdida e abandonada mais uma vez. Queria ficar perto do homem e, principalmente, queria visitar a igreja. O lugar lhe dava paz e, por alguma razão, a fazia se lembrar de casa. A sensação de que ficaria sozinha nas ruas com seu amigo felino a assustava. Não queria ter que ficar passando por estranhos e carros violentos todos os dias, sem ninguém em quem confiar... A sensação de abandono era sufocante e assustadora.

- Mas não fique assim Jane. Amanhã, assim que chegar em casa, ligarei para um casal de fiéis da igreja. Eles fazem parte de um programa do governo e ajudam crianças órfãs. Vou ver se eles podem lhe ajudar. Assim você poderá ficar com o gato e poderá me visitar todos os dias na igreja. O que acha?

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Mensagem por Érica em Qua 14 Maio 2014, 12:49

O olhar do padre deixava clara a resposta para a morena, antes mesmo de ser colocada em palavras. A jovem abaixava o olhar, entristecida por não poder ir com o mais velho. A sensação de estar perdida e abandonada mais uma vez, sem saber o que fazer ou para onde ir. Não entendia porque as coisas pareciam sempre tão complicadas naquele lugar.

Queria se lembrar de algo, mas não conseguia. Queria ficar perto do homem mais velho, mas ele não podia cuidar dela. Queria ficar sempre com seu gato, mas alguns lugares o proibiam por razões desconhecidas. Queria voltar para casa, mas não sabia onde era, sendo a igreja o local que a fez se sentir melhor até então.

O medo novamente surgia no coração de Chayyliel, que não tinha ideia do que fazer. No entanto, o padre logo se pronunciava. Um olhar esperançoso surgia no rosto da anjo, que o observava surpresa, tendo um leve sorriso. Parecia uma ótima saída. Ficaria com pessoas que o homem confiava, manteria o felino por perto e poderia sempre visitar o mais velho.

-Nem sei como agradecer!

A morena dizia, abraçando o homem, embora fosse cuidadosa para não tocar no braço engessado. Queria ter como retribuir a ajuda que o padre havia lhe dado até então, mas não sabia como.

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Mensagem por Alice em Sex 16 Maio 2014, 10:49

O momento de abandono e medo sucumbiu perante as palavras do padre e Chayyliel se sentia novamente esperançosa. Poderia ficar com o gato e poderia visitar tanto o padre quanto a igreja sempre que quisesse, além de que ficaria com pessoas em quem o mais velho confiava. A morena sentia feliz mais uma vez. Talvez as coisas não fosse tão difíceis.

Pouco depois da visita, onde o padre se despediu pedindo que a garota aguardasse que ele falaria o mais rápido possível com seus amigos, a morena retornou para a sala desconfortável mais uma vez. Os médicos seguiam pedindo exames e testes assustadores, sempre afirmando tentar descobrir o que a impedia de recobrar suas lembranças.

As horas passavam com velocidade e a anjo se sentia cada vez mais ansiosa. Os minutos se transforam em três dias, três longos novos dias em que não pode ver seu amigo felino. As outras pessoas na sala eram substituídas por novas, sem que a jovem soubesse o que aconteceu com as antigas. Quando a esperança ameaça abandoná-la, um dos médicos a chamou e a levou até uma outra sala. Dentro desta, um casal aguardava sentado em um sofá. A mulher, de cabelos castanhos e curtos, olhos castanhos, baixinha, um pouco gordinha estava à esquerda de um homem mais alto, cabelo loiro, olhos verde, magro, apesar de um pouco barrigudinho. Ambos pareciam ter cerca de 40 anos, talvez um pouco mais...

- Jane, estes são May e Tom. - Apresentou o médico.

- Muito prazer Jane. O padre Simon nos falou de você. - A mulher começou a falar com uma voz doce e gentil e Chayyliel percebeu que gostara imediatamente dela.

- É muito bom conhece-la. Ouvimos muito de você. - Tom falava igualmente simpático, porém Chayyliel não entendia o motivo de não querer se aproximar dele.

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Mensagem por Érica em Dom 18 Maio 2014, 16:51

Chayyliel sentia-se bem e ansiosa. As coisas pareciam se encaminhar. Apesar da dificuldade dos médicos descobrirem a origem da sua falta de memória, em breve talvez descobrissem, não? Seu gato ficaria perto. Poderia visitar a igreja, sendo o lugar que mais lhe dava paz. Visitaria o padre. As pessoas que cuidariam dela eram de confiança. A sorte parecia sorrir para a morena.

A jovem se despedia do mais velho, desejando melhoras ao mesmo antes de se retirar. Novamente na sala desconfortável, aguardava. Exames e testes eram feitos, enquanto a anjo aguardava. O coração palpitava rapidamente, devido a ansiedade e a esperança. A cada minuto que parecia escorrer vagarosamente, a morena se revezava entre a ansiedade e pensar sobre seu gato. Ele estaria bem? Pessoas surgiam e iam embora e o tempo continuava passando. Jane tinha dificuldades de ficar parada, andando de um lado para o outro dentro da sala. Queria ter algo para se distrair, uma canção, uma lembrança, recordações de um livro quem sabe, mas o branco só era substituído pelas razões da demora.

A esperança parecia querer abandonar Chayyliel mais uma vez. Os olhos negros ficando cabisbaixos. Teria acontecido alguma coisa? No entanto, um médico a chamava, guiando a jovem até outra sala. Dentro desta, um casal de, aparentemente, quarenta anos ou mais. A anjo sorria, se aproximando deles.

-Muito prazer.

Chayyliel respondia, um pouco acanhada e sem saber exatamente o que dizer. Algo na mulher a cativava, a morena havia simpatizado com ela logo no começo, no entanto, o mesmo não podia ser dito do homem. Tinha algo nele que a anjo não gostava, não confiava e não queria confiar. Algo em seu interior dizia para ter distancia dele.

-Sinto muito pelo trabalho... – A anjo dizia. As coisas pareciam complicadas naquele lugar. Os médicos trabalhavam para tentar ajudar, o padre se feria, e pela demora, a morena só imaginava o trabalho que o casal teve que para finalmente chegar lá.

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Mensagem por Alice em Dom 18 Maio 2014, 21:15

- Não se preocupe com isso querida.

A senhora de idade começava a falar, enquanto colocava o braço pela cintura da anjo e a guiava para fora. O homem, mais atrás, assinava os papeis que o médico lhe alcançava, assumindo a responsabilidade de cuidar da garota e, consequentemente, recebendo um benefício do governo para auxiliar com os gastos.

- Acho que um pouco de lar poderá fazer melhor a você do que ficar esperando esses médicos acharem uma solução. - May, continuava, ainda guiando a morena.

Chayyliel olhava por sobre o ombro, em busca de Tom. Sentia que devia manter os olhos atentos nele. May logo lhe dizia para não se preocupar que ele logo as alcançaria, obviamente interpretando errado o olhar da anjo. Sem relaxar, a morena se permitiu ser levada para a rua. O ar poluído invadiu seus pulmões e, apesar do cheiro ruim, a jovem se sentiu satisfeita por sair do interior do edifício. Entretanto logo sua atenção abandonou a sensação de liberdade e passou a procurar o felino com os olhos insistentemente.

Quando Chayyliel estava a um passo de se ajoelhar no chão para procurar embaixo de carros, ouviu um miado próximo. Seu rosto se virou com velocidade e o olhar encontrou o felino de pelo encardido. Um sorriso estampou a face e os braços envolveram o gato. O felino ronronava feliz por estar nos braços da anjo.

- Bem... - May começava ao tocar no pelo do gato. - Só tem um porém querida. - Chayyliel começava a se preocupar com a conversa. Haviam dito que ela poderia ficar com o gato e agora a conversa começava a ficar estranha. - Ele terá de tomar um banho antes de entrar na casa. Está muito sujo para querer subir na cama ou no sofá.

Chayyliel respirava mais tranquila. Lembrava-se do banho que tomara no padre e reconhecia que a água quente era muito agradável. Acreditando que não faria mal ao gato, a garota concordou.

- May, Jane, é hora de ir. - Tom gritou de perto de um carro azul. Chayyliel suspirou, era hora de entrar em mais um carro.

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Mensagem por Érica em Sab 24 Maio 2014, 14:07

A mais velha guiava a morena, enquanto o homem assinava alguns papeis que a anjo não sabia sobre o que eram. Chayyliel sorria para May, agradecendo novamente pela ajuda e feliz por ter ajuda. Quem sabe uma rotina não ajudasse? Mas havia algo em Thom que deixava a jovem desconfiada. Sentia que devia ficar atenta, olhando sobre o ombro em busca dele. Não conseguia relaxar.

Do lado de fora do prédio, a anjo respirou com alivio o ar poluído, soltando um espirro em seguida. Era bom sair daquela construção e ver o sol novamente. No entanto, havia algo mais importante do que a liberdade: encontrar seu gato. Os olhos negros buscavam por todos os lados, quando o miado era ouvido e um sorriso alegre iluminava o rosto da jovem. Abraçava o felino, apoiando sua bochecha no topo da cabeça do gato, ouvindo de perto o ronronar do mesmo. Era o melhor som do mundo.

O medo surgia com a pronuncia de May. O que era este “porém”? Acreditava poder manter seu gato por perto, então o que estava errado? Mas logo a morena novamente relaxou. Um banho quente era agradável, então não deveria ser problema algum dar banho no felino. Com um aceno de cabeça, Chayyliel concordava. No entanto, a felicidade durou pouco.

Outro carro... Outro animal feroz que vivia rosnando, alguns gritando, soltando fumaça de cheiro ruim, sendo assustadores. A morena não evitou um olhar triste e receoso, encarando o veiculo com desconfiança. Entrava no carro com cuidado, como se temesse que este a atacasse, algo muito possível de acontecer em sua concepção.

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Mensagem por Alice em Seg 26 Maio 2014, 11:21

A alegria de sentir o pelo do felino entre os dedos e o medo por estar dentro de um carro se mesclavam no coração de Chayyliel. Ainda mais com Tom sendo o motorista... Se o homem por si só já lhe preocupava, no comando do monstro-carro era pior ainda. A anjo não conseguia evitar as lembranças do carro do padre, de repente ferido e descontrolado.

- Chegamos na Pet Shop, Jane. - May começava.

A morena mirou o novo prédio, muito mais colorido do que o hospital e com desenho de cães e gatos nos vidros. Era intrigante... Tom abriu a porta de trás para que a morena descesse do carro e os acompanhasse para o interior do prédio. Ao passar pela porta, um sininho tocou, indicando para os vendedores que haviam novos clientes. Imediatamente um jovem muito magricelo se aproximou, oferecendo ajuda para o grupo.

- Primeiro, um banho para o gato. Quanto tempo leva? - May questionou.

- Bem senhora, temos dois outros antes dele, então pode levar cerca de 1h para ele ficar pronto. - O magricelo informou.

- Tudo bem. Nós esperamos. Enquanto isso vamos providenciar ração, potes, areia e todo o resto. - Tom informava.

Chayyliel observava a conversa intrigada, querendo saber o que significava tudo o que diziam. Entretanto a analise se encerrou quando o estranho pegou o gato de seus braços, informando que o levaria para o banho. A morena chegou a vacilar um passo em direção ao estranho que já se afastava, porém se deteve quando May a chamou.

- Jane, querida, gostaria de levar um brinquedinho para ele? - A mulher perguntava apontando para diversos ratinhos de pelúcia, varas com penas penduradas e dezenas de outros brinquedos para gatos.

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Mensagem por Érica em Qui 05 Jun 2014, 23:13

Chayyliel não sabia explicar a razão de desconfiar tanto do homem, mas seu pressentimento de que algo ruim aconteceria disparou quando ele passou a comandar o terrível carro. Lembranças do acidente invadiam a mente da morena, que sentia como se tivesse esquecido como respirar, sendo tal tarefa praticamente impossível com tanta preocupação. E se algo acontecesse? E se May e o gato se ferissem? A anjo ficava com os olhos atentos, mirando a mulher quando esta a chamou.

Chegaram à Pet Shop. A construção era muito mais colorida e com desenhos, sendo intrigante e despertando a curiosidade da garota. Ao entrarem, não demorou para que um rapaz se aproximasse. Jane acompanhava a conversa, sem saber sobre o que falavam. O que era ração? Qual a necessidade da areia?

Os olhos negros se fixavam no rapaz, quando este se aproximou. A morena ficou receosa, recém havia encontrado seu amigo, teria que se separar dele novamente? No entanto, a mais velha distraia a menor, fazendo a atenção desta se voltar para os brinquedos para gatos. Eram tantos, que Chayyliel ficou os observando por um longo tempo. Pegava uma vara com cuidado, tocando as penas com a ponta dos dedos, olhando com curiosidade. Como se brincava com aquilo? A anjo encarava o objeto, tentando decifrar sua pergunta, como se a resposta fosse surgir dele a qualquer instante.

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Mensagem por Alice em Qui 12 Jun 2014, 15:54

Muitas dúvidas rondavam a mente da anjo. A garota mal conseguia descobrir o que estava sentindo e já era bombardeada por inúmeras outras sensações. Se por um lado queria questionar para onde haviam levado seu amigo felino, por outro queria saber o que era aquela vara com penas penduradas.

- A vara? Eles adoram esse brinquedo. - May comentou pegando a vara e colocando no balcão de compras, ao lado de dois potes vazios, dois pacotes grandes, um escrito ração e outro escrito areia, uma bandeja grande e azul, uma coleira azul com um sininho pendurado e uma bolinha.

Chayyliel ficou observando os itens com ainda mais curiosidade. Não entendia para que servia nenhum daqueles itens. Entretanto May verificada um por um, para ter certeza de que não estava se esquecendo de nada. A morena ficava a cada momento mais confusa.

- Está esquecendo a caixinha de transporte, querida. - Tom comentava, colocando uma caixa azul com uma portinha de grades ao lado dos demais itens.

Enquanto o casal e o vendedor acertavam valores e trocavam notas esverdeadas, Chayyliel mexia a bolinha azul entre os dedos, escutando o som de sininho que emitia da mesma. Enquanto o resto era empacotado, o sujeito que havia levado o gato retornava com o felino, agora com um cheiro agradável. O gato rosnava e tentava fugir dos braços do homem, saltando para o colo da anjo e rosnando para o outro.

- Ele não gosta mesmo de banho, não é? - May comentava rindo.

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Mensagem por Érica em Qui 12 Jun 2014, 19:42

Retorno do Gato

Chayyliel continuava confusa com tudo que acontecia ao seu redor. Era sempre estranho, com tantas sensações diferentes e perguntas, que a morena não saberia explicar, não sabia nem por onde começar ou para que lado ir. Perguntava-se o que faziam com seu amigo, mas acreditava que ele estava bem. Também tinha a curiosidade sobre a utilidade daquela estranha vara.



A senhora pegava a vara, falando que ele adoraria o brinquedo. A anjo se perguntava como se brincava com aquilo. Sua curiosidade crescia ao ver tantos itens sobre o balcão, perguntando-se sobre sua utilidade. O casal e o vendedor conversavam sobre números, sendo entregue um papel verde. Eles trocavam aquela quantidade de objetos por simples papel colorido? Aquilo não parecia fazer sentido.



Jane tocava na bolinha, ficando curiosa com o som da mesma, pegando-a e agitando levemente perto do ouvido, escutando o sino em seu interior. Logo o homem voltava com seu gato. Chayyliel o segurou rapidamente, acomodando o felino em seus braços, curiosa com o rosnado do mesmo. O cheiro que ele possuía agora era mais agradável, seu pelo parecia infinitamente mais macio. A garota aproximou o rosto, cheirando levemente. A bolinha entre seus dedos ainda. Talvez ele não gostasse de banho, mas havia melhorado muito visualmente.


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Mensagem por Alice em Qui 12 Jun 2014, 23:40

Chayyliel não podia negar que o gato estava muito melhor em aparência, com um cheiro agradável, o pelo mais macio e sem deixar seus dedos engordurados depois de acaricia-lo. A anjo não reclamava do antes, mas admitia que o depois era melhor... May terminava de trocar papéis coloridos com o vendedor, enquanto Tom pegava as sacolas com os itens misteriosos.

- Muito bem, vamos para casa?

A pergunta de May despertou várias sensações em Chayyliel. Por um lado, queria conhecer a casa e ficaria feliz em descansar o corpo. Diversos dias sentada nas cadeiras do tal hospital lhe despertaram dores em diversos músculos. Por outro lado sentia um pouco de receio de entrar no carro com Tom e de ficar na mesma casa que ele por tempo indeterminado. A mente da morena viajou por diversas possibilidades, até que, ciente de que sem memória sua vida seria muito difícil nas ruas da estranha cidade, a anjo optava por arriscar e confiar um pouco na sorte.

Novamente no carro, a garota observava tudo pela janela. O cenário mudava e em poucos minutos o carro parava em frente uma casa de dois andares e sem jardim. O pequeno sobrado era exatamente igual a vários outros ao longo da rua e Jane o mirou intrigada. Atrás dele era possível vislumbrar a igreja. A morena conseguia perceber que não era exatamente perto, mas era possível ir a pé até o templo, fato que a deixava muito feliz.

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Mensagem por Érica em Ter 17 Jun 2014, 01:47

O pelo do felino estava infinitamente melhor. Mais cheiroso e macio, não dando mais uma sensação estranha quando acariciado. Tinha ficado com uma aparência melhor também. O adorava, com ou sem banho, mas era inegável que era mais agradável daquele jeito. Continuava apreciando a textura do pelo do animal, enquanto papeis coloridos eram trocados pelos itens.

May logo chamava sua atenção. Várias sensações surgiam no interior da morena. A curiosidade a atiçando, desejando conhecer a casa da mulher e poder descansar o corpo. Ficou tanto tempo no hospital, que se sentia ainda cansada. No entanto, ainda havia Tom. Sentia-se desconfortável com ele controlando o carro, a ideia de ficar no mesmo ambiente que ele por tempo indeterminado parecia aflorar seus sentidos e deixar a anjo em alerta máximo. No entanto, estava sem muitas opções. Talvez pudesse confiar em sua sorte, quem sabe?

Novamente no interior da fera, Chayyliel observava temerosa a janela. A paisagem mudava tão rapidamente, que era assustador. O carro parava em frente a uma construção bem menor que o hospital. A igreja era visível, sendo possível ir a pé até a mesma, o que aliviava o coração aflito da morena. Chayyliel respirou fundo algumas vezes, olhando com curiosidade tudo ao seu redor, mas também com cautela, sem saber o que era perigoso ou não.

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Mensagem por Alice em Dom 22 Jun 2014, 12:40

May guiava Chayyliel para dentro da casa e através dos cômodos, não falando muito sobre eles. Ao entrar por uma porta no segundo andar, a anjo se deparou com uma cama e um pequeno roupeiro. A senhora que cuidaria dela logo informou que aquele seria seu quarto e sugeriu que a mesma deitasse e descansasse um pouco, sugestão mais do que bem aceita. O corpo caiu pesado sobre a cama e a morena logo adormecia. Um sono sem sonhos.

No dia seguinte, a anjo foi desperta pelo gato que lhe cutucava no nariz. Pela primeira vez desde que abriu os olhos no beco, Chayyliel se sentia descansada. O corpo já não pesava e a cabeça já não latejava. Após se espreguiçar, a garota se levantou, preparando-se para mais um dia, talvez confuso e potencialmente cansativo como todos os outros.

- Bom dia, querida. - May cumprimentou entrando no quarto e abrindo a janela. - Está preparada para forçar essa cabecinha a se lembrar de algo?

Confuso. Certamente seria um dia confuso...

Ao longo daquele dia, em que Tom não estava em casa, mas sim trabalhando segundo May, Chayyliel foi guiada pela casa e recebeu diversas informações. A caixa de areia do gato seria sua responsabilidade e a morena deveria limpá-la duas vezes ao dia exatamente como May mostrou. O pote de água do gato deveria ser lavado todo dia e deveria estar sempre cheio. Onde a ração ficava guardada e quanto deveria colocar. Como se brincava com a vara, algo realmente divertido e que a garota gostou de fazer. Onde era o banheiro, como ligar e como desligar o chuveiro. Higiene matinal, escovar os dentes quando acordar, após cada refeição, antes de dormir. Como arrumar a cama. Como ajudar a arrumar a mesa para as refeições... Onde colocar a roupa suja. O dia foi realmente longo ao lado da mulher mais velha que não parecia cansar e parecia conhecer cada uma daquelas tarefas como se não tivessem nenhuma complexidade... No final do dia, a anjo não conseguira ir até a igreja, mas aprendera muitas coisas que esperava lembrar no dia seguinte.

- Boa noite. - Tom cumprimentava ao entrar na casa, largar a pasta na sala e ir até a sala de jantar onde a anjo ajudava a servir a mesa.

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Mensagem por Érica em Ter 08 Jul 2014, 12:42

Chayyliel observava a casa com curiosidade, sendo guiada pela mais velha, que não fazia muitos comentários sobre os mesmos, até chegar ao local que seria seu quarto. A anjo se deitava na cama e adormecia com velocidade assombrosa, sentindo seu corpo pesado e implorando por um tempo de descanso.

A morena não sabia dizer quanto tempo ficou dormindo, mas algo cutucava seu nariz e a fez despertar, os olhos negros se focando no felino. Chayyliel sorriu suavemente, sentando e se espreguiçando de forma preguiçosa, antes de acariciar o pelo de seu pequeno amigo. O corpo estava relaxado e sua cabeça não pesava tanto, deixando a jovem aliviada. Se perguntava se aquele dia seria tão confuso quanto os outros, mas logo recebia uma afirmativa após a entrada de May.

A mais velha comentava e ensinava tantas coisas, que Jane ficava alguns momentos perdida e tentando entender o significado daquilo. O momento que mais havia gostado foi o de brincar com seu gato com a vara, mas o restante foi cansativo e algumas coisas complexas. O dia definitivamente fora longo e a morena se perguntava como May não parecia cansada. Estava um pouco entristecida por não ter tido a chance de visitar a igreja, e torcia para que se lembrasse de tudo o que foi ensinado no dia seguinte.

Ajudava a servir a mesa quando Tom apareceu. Os olhos negros o miraram com atenção, mas respondia ao cumprimento da mesma forma. Foram tantas coisas estranhas a fazer durante aquele dia, que Chayyliel torcia para não ter problemas. Ainda não confiava no homem, e ainda não entendia a razão, mas talvez fosse apenas a quantidade de coisas para assimilar.

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Mensagem por Alice em Sex 11 Jul 2014, 13:08

Quatro dias se passaram sem que nada mudasse. Todas as manhãs, Chayyliel era desperta por seu amigo felino e, logo depois, May a chamava. As tarefas ainda eram cansativas, mas com o passar dos dias, várias tornaram-se muito conhecidas pela jovem. Escovar os dentes, tomar banho, arrumar o quarto que ocupava... A repetição tornava tudo muito mais fácil e rápido. A morena já não se sentia cansada e, aos poucos, percebia que nem pensava muito antes de realizar alguma tarefa.

- Querida, pode me alcançar a farinha de trigo?

May pedia de forma educada e a anjo logo a atendia. Decorar o nome de tantos produtos também era complexo, porém aos poucos Jane vencia mais esse desafio. Quanto mais rápida ficava, mais tempo tinha para brincar com seu gato. Contudo em nenhum desses dias conseguira visitar a igreja, para sua tristeza.

Após o café da manhã, Tom pela primeira vez não foi trabalhar e a morena estranhou muito o fato. Enquanto o homem ia para o jardim e ligava uma máquina estranha e barulhenta, a mulher mais velha a chamava para perto. Chayyliel rapidamente teve sua atenção tomada pelo movimento de mãos da mulher sobre uma massa estranha e amarelada.

- Espero que eu ainda saiba fazer pão caseiro. Faz muito tempo desde a última vez que fiz um. E acredito que o padre gostara de ganhar um amanhã, não acha?

A perguntava a anima mais do que qualquer outra coisa. No dia seguinte, visitariam o padre e levariam um pão caseiro (seja lá o que for isso) para ele de presente. A anjo sorriu animada e May sorriu de volta, a avisando que acordariam mais cedo para ir na missa de domingo e, em seguida, questionando-a se já havia cuidado do gato. O felino, por sinal, parecia estar adorando a rotina de comer, dormir e brincar.

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Anjo Perdido - Página 2 Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Sab 12 Jul 2014, 19:22

Os dias se tornaram repetitivos conforme passavam. Todas as manhãs se iniciavam de forma semelhante, bem como as tarefas que a morena realizava. Muitas foram dominadas com velocidade, se tornando conhecidas e sendo realizadas com cada vez menos dificuldades. O cansaço reduzia, bem como o tempo para terminá-las.

Os nomes estranhos de cada objeto ainda era um tanto quanto complicado. Eram tantos e, deveras, alguns muito semelhantes, o que complicava um pouco mais as coisas... Jane ainda confundia os diversos tipos de sabonete. Para que tantos? Qual a diferença entre o sabonete para lavar as mãos, do que lavava o corpo, o rosto, a louça, a roupa... Não era tudo para lavar? E ainda havia o sabão em pó aparentemente exclusivo para lavar roupa... Shampoo e detergente eram outros itens que a jovem constantemente confundia...

Chayyliel mirou por alguns segundos os diversos pacotes, tentando identificar a farinha de trigo, pegando um deles e alcançando para May. Mentalmente rezava para ter pego o certo desta vez.

Por um lado, a anjo não demorou nada para aprender que, quanto mais rapidamente terminasse suas tarefas, mais tempo poderia brincar com seu gato. Essa descoberta foi muito satisfatória, servindo como estimulo. Por outro lado, ainda não pode visitar a igreja, para sua tristeza. No entanto, agora outro fator invadia sua mente: Tom não foi trabalhar, seja lá o que fosse exatamente trabalho, e agora comandava algum monstro que conseguia ser tão barulhento e assustador quanto o carro. Refletia sobre o que era aquilo e sua utilidade, quando May a chamou e desviou sua atenção. Agora os olhos negros miravam confusos a estranha massa amarela.

Um grande e luminoso sorriso surgia na face de Jane. A possibilidade de poder visitar a igreja no dia seguinte a animava. Concordava em acordar mais cedo e de que o padre com certeza iria gostar de receber o pão caseiro, mas a curiosidade falou alto.

-May... O que é pão caseiro?

A morena perguntou. Já havia feito várias perguntas para a mulher depois destes dias, então mais uma não faria problema. Olhava confusa para a estranha massa, seria aquilo? Não parecia comestível...

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Anjo Perdido - Página 2 Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Dom 13 Jul 2014, 12:44

Perante a pergunta inocente da anjo, May abriu seu reconfortante e gentil sorriso. A paciência da mais velha era outro fator com a qual a morena havia se acostumado e, a cada novo dia, gostava mais da mulher.

- Pão caseiro é o mesmo pão que você come no café da manhã. A diferença é que ele é feito em casa e, como é normal de acontecer, sai mais gostoso por que é feito com carinho.

May sempre respondia às perguntas de Chayyliel com muita tranquilidade. A mais velha achava até fofinha a curiosidade ingênua da morena a sua frente. Por mais que o corpo aparentasse ser o de uma mulher adulta, a mente parecia a de uma criança ansiosa por aprender as coisas de adulto.

Chayyliel refletiu sobre as palavras da mais velha, porém a anjo que era chamada de Jane não conseguia entender como a massa estranha, mole e amarela poderia ser igual ao pão do café da manhã.

O resto do dia transcorreu sem novidades. As tarefas diárias se mantiveram, apesar da presença perturbadora de Tom. Jane, com frequência, entrava na cozinha e percebia que a massa estranha crescia, intrigando-a ainda mais. Quando May colocou a massa no forno e um cheiro bom começou a invadir a casa, Chayyliel estava completamente dominada pela curiosidade. Não demorou muitas horas para o pão quentinho e cheiroso estar descansando em cima da mesa, a um dedo de distância da morena curiosa.

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Mensagem por Érica em Ter 15 Jul 2014, 19:27

A paciência da mais velha era um dos vários fatores que levavam a morena a gostar dela. Por mais estranhas que suas duvidas pudessem ser, May as respondia com calma e gentileza, fazendo Jane sentir-se a vontade para perguntar o que quisesse, embora ainda ficasse constrangida por não saber nada daquele estranho lugar. Nada era familiar para ela, como se estivesse vivendo num mundo totalmente estranho e novo.

Chayyliel refletia sobre a resposta da mulher, encarando a massa amarelada enquanto se lembrava do pão que sempre comia no café da manhã. Não eram nada semelhantes... Como aquilo iria virar pão? A morena tentava entender, mas não conseguia.

Ao longo do dia, a morena notava que a massa crescia, a encarando levemente assustada. Aquilo estava criando vida? May a colocava no forno e um cheiro agradável tomava conta da cozinha, deixando Chayyliel cada vez mais curiosa. Ver o alimento em cima da mesa, ainda quente e com um cheiro agradável, tão perto era realmente tentador. Jane se abaixava, ficando com apenas os olhos pouco acima da superfície da mesa, encarando o tal pão caseiro. Estava tentada a cutucar o conteúdo, afinal, estava realmente perto... No entanto, não queria chatear May... Que indecisão cruel! Ficava encarando o estranho alimento, remoendo sua duvida, divida entre tentar descobrir mais e o medo da mais velha se aborrecer.

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Mensagem por Alice em Seg 01 Set 2014, 17:17

A tentação de Chayyliel crescia ao longo do dia, principalmente ao encarar o pão cozido, quente e cheiroso sobre a mesa. Contudo, antes que a morena pudesse ceder à tentação, May retornou e guardou o pão no armário, dizendo que estava na hora de começar a preparar o jantar. Jane seguiu o estranho pão com os olhos, porém logo começou a trabalhar, ciente de que na manhã seguinte veria o padre.

Durante o jantar, nada de diferente aconteceu. Contudo a anjo ainda não sabia dizer o motivo de Tom ter ficado em casa o dia inteiro. Após ajudar com a louça, a anjo tomou um banho e deitou-se com a roupa de dormir, sentindo o coração bater acelerado de ansiedade por ir até a igreja. A jovem seria capaz até mesmo de contar o som do ponteiro dos segundos no relógio, de tão superficial que seu sono foi. A mão descansava sobre o pelo do gato. Contudo, quando o despertador tocou, a morena não se sentia nada cansada.

- Bom dia, Jane. - May cumprimentou guardando o pão embrulhado em uma sacola. - Tome seu café e vamos para a missa.

Chayyliel comeu mais rápido do que podia se lembrar e, em menos de 10 minutos, estava em frente a porta vestida como aprendera a fazer. A anjo ficou feliz ao perceber que iriam a pé para a igreja, dispensando facilmente o carro. Quando chegaram em frente ao prédio, os sinos tocavam indicando que a missa começaria em breve. O coração da anjo se inundou de paz e felicidade por estar naquele lugar.

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Anjo Perdido - Página 2 Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Dom 09 Nov 2014, 16:00

Para a sorte de Chayyliel, não precisou se render a curiosidade. A mais velha pegava o estranho pão e o guardava, longe dos olhos da morena, avisando que estava na hora de preparar o jantar. Embora ainda estivesse curiosa, Jane começou a realizar suas tarefas, ansiosa pelo dia seguinte. Finalmente reencontraria o padre!

O dia seguia como sempre, embora a garota não houvesse descoberto a razão de o homem ter ficado em casa, no entanto, optou por deixar isso de lado, ajudando May com as tarefas da casa. Realizava todas as tarefas antes de dormir, mas não sentia o corpo relaxado. O coração estava acelerado, queria ir para a igreja e a ansiedade era algo ainda um pouco novo para ela. O sono foi tão leve, mas ao mesmo tempo tranquilo, sentindo o pelo do gato entre seus dedos. O felino sempre conseguia acalmar seu coração. Quando chegou a hora de acordar, a anjo não se sentia cansada. Sentia-se bem e leve.

Chayyliel não sabia o tempo que levava para se arrumar, mas naquele dia, provavelmente foi mais rápida que o costume. Até mesmo o café foi ingerido com certa velocidade. A pergunta sobre o que era exatamente uma missa ficaria para depois. A alegria cresceu quando descobriu que iriam a pé, dispensando o carro.

A igreja se erguia diante de seus olhos, os sinos tocando e enchendo a anjo de paz. Um luminoso sorriso surgia no rosto, enquanto os olhos negros brilhavam de alegria. Era bom estar de volta. Se perguntava como o padre estaria, se havia se recuperado e se ele se lembraria dela.

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Anjo Perdido - Página 2 Empty Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Qui 13 Nov 2014, 08:53

Apesar de não saber exatamente o que era uma missa, a anjo se sentia leve e feliz. A simples visão da igreja tinha o poder de enche-la de paz. Ao entrar no ambiente, a morena respirou profundamente e, pela primeira vez, sentia-se mais perto de casa. O padre logo veio cumprimentá-los, abraçando-a com fervor e dizendo estar feliz por ela parecer muito bem. O homem de fé logo questionou se a estavam tratando bem e a morena teve que concordar.

- Muito obrigado pelo presente May. Por que não se sentam? Vou guardar o pão lá dentro e depois podemos tomar um café juntos.

O padre sugeria após receber o pão. O trio sentava-se bem no meio da igreja e, enquanto a missa não começava, a anjo se perdeu mirando os vitrais com imagens de seus semelhantes. Cada uma tão familiar e estranha ao mesmo tempo...

Ao decorrer da missa, a morena se sentia ainda mais feliz. No entanto, conforme o final se aproximava, uma certa inquietação começou a dominar a morena. Ela pressentia que algo aconteceria e temia pelo futuro. No fundo, desejava que aquele momento durasse para sempre.

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