Anjo Perdido

Página 3 de 3 Anterior  1, 2, 3

Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Qui 13 Nov 2014, 20:34

A sensação de leveza e paz preenchiam a jovem de cabelos negros. Parecia que aquele lugar tinha essa influencia natural em Jane, que apesar de não entender como ou porque, não questionava e apenas sentia. Era como se estivesse perto do lugar que deveria estar, perto de sua casa.

A morena sorria e cumprimentava o padre, retribuindo o abraço e afirmando que estava ótima, o que era verdade. O pão era entregue e Chayyliel sentava-se junto de May, observando os vitrais. A sensação de familiaridade presente, mas ao mesmo tempo, eram estranhos. A missa começava e a sensação de tranquilidade permanecia. A morena sentia-se feliz, mas quando chegava ao final, sentia-se incomodada.

Os orbes negros começaram a, discretamente, vasculhar o local. Sentia que algo iria acontecer. Prestava atenção em tudo, em cada pessoa e cada som, não desejando perder nenhuma informação. Mentalmente, desejava que aquele momento nunca terminasse, que nada de ruim acontecesse, mas algo lhe dizia que não seria desse jeito...

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Sex 14 Nov 2014, 22:50

Ao final da missa, o coração de Chayyliel gritava de medo, acreditando fortemente que algo de muito ruim aconteceria. O sorriso tinha de ser forçado a surgir, mesmo na presença do padre. A apreensão lhe dominando e um instinto primitivo lhe mandando proteger a igreja, porém ela não sabia dizer do que deveria proteger o lugar que tanto lhe agradava.

- Você está bem Jane? Parece apreensiva... - May perguntava, claramente preocupada.

A morena se forçava a mentir e responder de forma afirmativa. A julgar pelo olhar da mais velha, esta não acreditara, mas deixara o assunto para depois. O padre logo pedia um auxilio para buscar alguns itens na cozinha, assim todos poderiam tomar um café juntos e desfrutar do pão assado por May mais cedo. A mulher mais velha logo se afastou, atendendo ao chamado e deixando a anjo sozinha com Tom. Por algum motivo isso fez o coração da morena disparar ainda mais tenso.

Com o canto de olho, Chayyliel viu o homem sentado e ainda concentrado em seu jornal. A voz do padre e de May chegavam ao seus ouvidos e a morena começava a acreditar que era tudo coisa de sua cabeça. Repetindo diversas vezes que nada de ruim iria acontecer na mente, a garota tentava relaxar, desejo completamente frustrado.

- Já se esqueceu de nunca ignorar seus instintos, Chayyliel?

A voz de Tom soou gélida e mais familiar do que a anjo gostaria de admitir. Relutantemente, ela virou o rosto, se deparando com olhos completamente negros lhe mirando. A anjo ainda não conseguia reconhecer o homem, que certamente não era mais Tom, ou o nome que ele proferiu, mas seu corpo gritava para que se levantasse e ficasse de prontidão.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Sab 15 Nov 2014, 17:17

O coração da morena estava aflito, assustado e batendo em ritmo frenético. Algo ruim estava prestes a acontecer, embora Jane não quisesse acreditar nisso, mas seus instintos estavam alertando-a. Mesmo na igreja, com a presença do padre, não conseguia sorrir naturalmente. Sentia que devia proteger a igreja, mas do que?

-Estou bem sim, não se preocupe.

A morena respondia para a May, tentando tranquilizar a mulher. O religioso logo solicitava ajuda e a mais velha se retirava. Mesmo com a expectativa de experimentar o pão caseiro, Chayyliel estava aflita e nervosa. Estar sozinha com Tom apenas piorava a situação, apesar da garota não saber o motivo.

Com o canto dos olhos, a morena vigiava o homem. Nada de anormal no começo, ele apenas lia seu jornal. As vozes da May e do Padre eram ouvidas, talvez fosse tudo de sua cabeça. Apenas uma impressão. Tentava convencer a si mesma disso, repetindo a frase diversas vezes e tentando relaxar, mas não obteve sucesso.

A voz de Tom era gélida e familiar, algo que a morena não queria admitir. Os olhos do homem estavam totalmente negros e a anjo se surpreendeu, apesar do olhar estar sério e analítico. O nome dito era estranho. Sem perceber, se erguia e observava o individuo.

-Quem é você?

Sua voz saia mais séria do que estava acostumada. As pernas se posicionando, prontas para saltar para longe se fosse necessário. Os orbes negros atentos a qualquer movimento do homem.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Seg 08 Dez 2014, 15:59

A risada de Tom vibrava nos ossos de Chayyliel. Ela não reconhecia ainda o nome, mas este ecoava em sua mente, como algo que ela deveria saber o significado. O homem a sua frente em nada parecia Tom, fazendo a morena levantar ainda mais sua defesa. Os punhos se fechavam, erguendo-se levemente, enquanto as pernas se afastavam um pouco.

- Vai tentar o físico comigo? - Ele perguntava de forma debochada.

A anjo não sabia o que fazer, mas sentia que a situação estava mais séria do que aparentava. Quando May e o padre falaram do corredor, aparecendo pouco depois pela porta, o coração da morena falhou uma batida. Mal os dois haviam sido erguidos e lançados contra a parede, a morena avançou contra o que um dia fora Tom, determinada a protegê-los. Porém seus movimentos, por mais instintivos que fossem, pareciam não estar em sintonia com seu corpo e o soco acabou sendo facilmente bloqueado.

- Eu disse que não conseguiria nada comigo no físico.

A voz de Tom dizia, logo desferindo um chute na barriga da anjo e a jogando mais longe. A morena respirava com dificuldade e tentava entender a aparente habilidade que possuía para lutar com a falta de algo que ela não sabia dizer o que era. O padre e May estavam desmaiados no chão, completamente desacordados.

- Ela pode não ser párea, mas eu sou. - Uma nova voz dizia, surpreendendo a todos. Um homem moreno surgia atrás de Tom e logo um objeto estranho e pontiagudo atravessava o corpo de Tom, matando-o instintivamente. Onde ele caíra, começara a pegar fogo. - Temos que sair logo daqui Chay, venha!

A anjo olhou para o estranho. Ele lhe despertava a mesma sensação ruim que Tom. Contudo este parecia a conhecer e a salvara. Ainda havia o incêndio que começava a se alastrar e os corpos do padre e de May desacordados, que não poderiam ser deixados para trás, ou morreriam no fogo.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Seg 29 Dez 2014, 18:58

O nome era estranho, mas também familiar. Era como se fosse algo importante, que a morena devia saber o que significa, mas quando tentou buscar alguma informação em sua mente, encontrou apenas o vazio. O espaço em branco que era sua memória. O homem logo a sua frente não parecia mais Tom, como se fosse alguém totalmente diferente que havia se disfarçado na pele do homem e, só agora, mostrava sua verdadeira face.

Seu corpo se movia de forma inconsciente, algo lhe dizia que a situação era pior do que parecia. A voz de May e Simon se fazia presente e Jane temeu, sentindo seu coração falhar uma batida enquanto via ambos sendo jogados contra a parede. Novamente agia sem saber que era capaz, tentando atacar antes que sua mente processasse de fato o ato.

O golpe era bloqueado e a morena sentia seu estomago dolorido. Onde aprendeu a lutar? O que faltava? Sua mente rodava e a confusão crescia com a chegada de outro homem, que usava alguma arma e agora Tom estava em chamas. Ele a conhecia e havia a salvado, mas então... Porque essa sensação? O fogo crescia e os olhos negros miravam o padre e a mulher.

-Simon, May!

Chayyliel gritou, se aproximando dos corpos e tentando acordá-los. Não queria deixar as únicas pessoas que cuidaram dela, tentando puxar ambos para fora da igreja. O homem estranho e Tom eram esquecidos, ao menos por enquanto.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Ter 17 Fev 2015, 13:18

Por mais que quisesse esquecer tudo e simplesmente sair do prédio em chamas, Chayyliel foi impedida. O estranho que a salvara, mas que lhe despertava a mesma sensação ruim que Tom, tocou seu ombro, fazendo-a olhar diretamente para ele. Os olhos eram verdes, ela sabia disso. Porém ela via uma chama vermelha neles, que não podia representar nada de bom.

O estranho ergueu May com uma só mão, colocando-a no ombro como um saco de batatas. Com a outra mão ele ergueu o padre pelo braço. A anjo teve tempo de pegar o outro braço e ajudar a levar Simon para fora do prédio em chamas. Do lado de fora, o estranho deixou as duas pessoas mais importantes para a anjo no chão, longe o suficiente das chamas para ficarem seguros.

- Temos de ir embora.

As palavras dele não eram um convite, eram um ultimato. A anjo sentiu o coração apertar, não queria ir embora com ele. O que a morena queria era voltar para a casa com May, comer o tal pão caseiro com o padre, escovar o seu gato. Se fosse listar tudo o que queria, em nenhum momento fugir com um estranho que lhe despertava uma sensação ruim apareceria na lista...

- Se ficar, só colocará esses dois em perigo novamente... - O estranho dizia como se lesse sua mente. - Se vier comigo, posso ajudá-la a recuperar sua memória e lhe proteger desses demônios, pois acredite, viram cada vez mais deles. Um anjo sem memória é uma peça valiosa...

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Dom 29 Maio 2016, 14:41

A morena tinha um pressentimento ruim ao ver os olhos verdes do homem, percebendo chamas vermelhas que não trariam coisas boas. Era o tipo de fogo destrutivo. Mas então, por qual motivo ele estava ajudando? Infelizmente, o tempo de perguntas ficaria para depois, tirar May e Simon do local em chamas era mais importante.

Longe das chamas, a mulher tentava verificar se a dupla estava bem. Talvez precisassem ir para o hospital novamente, mas novamente seus pensamentos são cortados pelas palavras que não soavam como convite. O corpo da jovem ficou rígido. Não tinha a menor intenção de ir com ele.

-Porque está me ajudando?

Perguntou com desconfiança. A possibilidade de ele estar certo a assustavam, não queria colocar os dois em perigo. Já a possibilidade de ir com ele também não lhe agradava, algo em seu interior gritava para não confiar nele e não pretendia ignorar esta sensação incomoda.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Dom 29 Maio 2016, 19:31

A anjo não se sentia tentada a fazer o que o estranho lhe dizia, permanecendo ao lado dos corpos desacordados de May e Simon. Por sorte os dois ainda respiravam e pareciam fisicamente bem. O som de sirenes também era ouvido e logo aqueles estranhos seres de metal estariam ao lado deles. A morena considerava que talvez Simon e May precisassem ir ao hospital.


- Digamos que eu lhe devesse um favor... - O homem respondia enigmaticamente e com um sorriso cruel nos lábios.

A morena sentia o corpo todo se arrepiar em alarme e a vontade de atacar soava em seu subconsciente. No entanto o estranho não agia e só lhe oferecia a mão, como se a convidando a seguir com ele.

- Não quer se lembrar de quem você é?

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Seg 30 Maio 2016, 01:21

A resposta enigmática, em conjunto com o sorriso cruel, fazia o corpo da morena se arrepiar. Os olhos escuros se estreitaram, algo lhe dizia para atacar e jamais confiar naquele ser. Jane, ou Chay, pretendia fazer exatamente isso. Aguardava algum ataque surpresa, alguma ameaça, encarando com desconfiança a mão estendida para ela e não dando qualquer sinal de que iria com ele.

As últimas palavras daquele homem soaram como tortura para seus ouvidos. Os olhos se alargaram brevemente, antes de desviar o olhar. Sua vontade de atacar só crescia, mas a chance de recuperar suas memórias a fez reconsiderar. Ele não era confiável, mas se ele estiver certo e ela for alvo? Não poderia ficar no local, mas para onde iria? Muitas dúvidas rodeavam e gritavam, querendo sua atenção, sua mente trabalhava rápido.

-Dois dias.

Foi tudo o que disse. Queria ter certeza de que May e Simon estavam bem em primeiro lugar, também queria organizar seus pensamentos e digerir tudo o que aconteceu. Também precisava analisar suas chances. Confiar naquele homem, ou partir sozinha. Muito para analisar, mas não queria ousar escolher errado por causa do momento. Ele teria que esperar pela resposta dela, gostando ou não.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Qua 01 Jun 2016, 21:38

A resposta da anjo fez o estranho sorrir e seu sorriso parecia carregar todos os pecados do mundo. Era cruel, luxuriosos, lento e soberbo. Os dentes brilhavam brancos demais e de certa forma aquele parecia ser o sorriso mais bonito do mundo, além do mais perigoso.

- Como quiser meu bem.

Com isso, ele se afastava, sem dizer onde poderiam se encontrar caso ela optasse por seguir com ele nem como poderia contatá-lo.

Sozinha com os dois corpos, Chayyliel ouvia o som de sirenes e, quando percebeu, uma ambulância parava não muito longe. A morena mal foi questionada e o corpo desacordado de May e Simon foram levados, assim como a própria anjo.

Após alguns exames na anjo e perguntas que ela não sabia responder, a morena foi deixada sozinha para descansar. No mesmo quarto estavam May e Simon. Os médicos garantiram que eles estavam bem e a morena permaneceu muito tempo acordada velando pelo sono deles, embora não pudesse sair do leito.

Durante a noite, Chayyliel se questionava do motivo de não ter falado do estranho para os policiais. Algo em sua mente lhe dizia que as pessoas não saberiam lidar com essa informação. Mas... Então o que ela era para não surtar? Parecia até que tudo o que ele falava fazia certo sentido e o próprio fogo surgindo do corpo de Tom não parecia nada de surpreendente.

Na manhã seguinte, May parecia bem e perguntava para Chayyliel sobre Tom. Aquela seria uma conversa muito difícil e a anjo sentia que lhe faltavam palavras, mas precisava explicar que Tom se fora. A questão era o quanto devia falar...

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Ter 07 Jun 2016, 15:37

A morena estreitou os olhos perante a resposta e sorriso do homem, o vigiando com clara desconfiança até que estivesse fora de sua vista. Aquele sorriso gritava perigo e seu interior se remexia, gritando para não escolher ir com ele, mas isso teria que esperar. O som de sirenes e os estranhos veículos chegaram.

Voltar para o hospital era estranho, a jovem suspirou cansada. Os últimos acontecimentos finalmente sendo processados com calma, enquanto velava o sono das duas pessoas que cuidaram dela. O estranho a chamou de Chay, um nome estranho, mas ao mesmo tempo dolorosamente familiar. Parecia conhecê-la, inclusive a ajudou, mas então porque esse sentimento de perigo quando ele está perto? Quase como se tivesse que atacar primeiro e, se ele viver, atacar de novo e não perguntar. E porque não falou sobre ele? Ele parecia fazer sentido para ela, como se não fosse a primeira vez que encontrou alguém como ele, mas algo lhe dizia que os outros não iriam saber lidar com essa informação. Ele fazia mais sentido do que os carros e prédios para ela, mas era o oposto para os outros. E como ela tinha tanta certeza disso?

Jane trouxe os joelhos para próximo do peito, apoiando a testa sobre eles e fechando os olhos, refletindo. Seu nome era Jane, mas era estranho. Chay parecia tão certo, mas ao mesmo tão errado quando pronunciado por aquele que o revelou para ela. Mais um suspiro cansado, seriam dois dias longos, mas ao mesmo tempo pareciam muito pouco. Queria poder segurar os segundos um pouco mais, principalmente agora que o silencio reinava, quebrado apenas pela respiração constante de May e Simon.

Com o despertar da mulher, infelizmente, veio a necessidade de falar sobre seu marido. Chay abaixou o rosto e refletiu sobre como falar. Por algum motivo, aquele assunto não a incomodava tanto. Era quase como se estivesse familiarizada com perdas, mas novamente sentia que devia omitir algumas informações, além de que May provavelmente não reagiria bem a noticia.

-Não deu pra tirar todos de lá... Sinto muito...

A voz era suave, tentando amortecer o golpe inevitável. Permaneceu em silêncio, para que a mulher pudesse absorver suas palavras e processá-las no seu próprio ritmo. Chay não pode evitar e se perguntou, se não fosse por ela, Tom ainda seria o homem que se casou com May e não o estranho que começou o fogo.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Qua 08 Jun 2016, 21:21

Os dois seguintes foram difíceis para Chayyliel. O nome que lhe soava tão familiar lhe perseguia nos sonhos, bem como o rufar de asas. Os sonhos lhe perturbavam, lhe provocavam uma lembrança que parecia inalcançável e isso lhe causa dor e tristeza. A voz do estranho ainda ecoava em sua mente, lhe causando arrepios e medo.

Ao mesmo tempo em que a anjo lutava para encontrar seu caminho, a dor de May lhe feria demais. A mulher chorara muito no primeiro dia e ainda mais no velório de Tom. A igreja, que antes fora um lugar de paz para a anjo, agora parecia um lugar de sofrimento, enquanto o corpo sem vida de Tom esperava ser enterrado. A culpa também corroía o pouco de Chayyliel que conseguia se manter forte.

Para piorar sua situação, a anjo se sentia seguida, como se cada passo fosse observado. De alguma forma sabia que não era o homem que lhe salvara. Era outro... Outro inimigo? May estaria em perigo se fosse embora? E se ficasse?

O gato parecia o único acima de toda dor e angústia, apreciando o lar, os momentos que a morena o escovava ou acariciava e o leite quente. Se fosse embora, levaria ele junto? Ele fora seu primeiro amigo naquele estranho mundo e parecia muito gostar de si, mas se o levasse, May ficaria sozinha... O gato, no entanto, parecia querer ficar com ela...

O sol do último dia começava a chegar no horizonte e o tempo se encurtava. A hora de decidir se aproximava e nem mesmo o gosto do pão caseiro parecia animar a morena. Lembrava-se de quando o vira crescer e de como ansiara por sentir seu sabor. Era realmente muito bom, mas não superava o amargo que lhe perseguia.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Sex 10 Jun 2016, 13:18

Sonhos de asas perturbavam a morena, como se fossem lembranças que se afastavam antes de serem alcançadas. A voz do estranho, dizendo que iria ajudá-la, mas ao invés de trazer conforto, trazia medo. No entanto, o sofrimento da mulher mais velha era o que mais a feria. Nos dois dias que se seguiram, Chay não saberia dizer o quanto May havia chorado. A igreja refletia o sofrimento da viúva e a culpa pesava.

Jane não tinha coragem de mirar a mulher nos olhos, se sentia mais cansada do que o costume, mas ao mesmo tempo seu corpo se tornava mais rígido. A presença semelhante, e ao mesmo tempo diferente a perseguia. A sensação de ser vigiada era desagradável, piorando quando se questionava entre ficar e partir. Qual dos dois garantiria a segurança de May e Simon?

E não podia se esquecer de seu gato, que havia engordado um pouco e parecia feliz ali. A jovem apoiou a fronte em sua mão, enquanto a outra acariciava o felino. O homem a avisara de que outros iriam aparecer, e aparentemente, não era um blefe. Talvez o melhor fosse continuar em movimento.

-Você viria comigo?

A pergunta feita em voz baixa para o felino, aguardando uma resposta do mesmo. Pegaria uma bolsa e guardaria algumas roupas e outros artigos que foram comprados pra ela e para o gato (se ele concordasse em ir junto) dentro, deixando para trás uma carta para May e Simon, se despedindo e pedindo desculpas, em conjunto com a informação de que ia atrás de suas lembranças. Não poderia dizer mais do que isso e pretendia partir sem ser notada. Não saberia como dizer ou explicar que iria partir. Aprendera algumas coisas e esperava ser o suficiente para sobreviver. Se um homem, ou o que fosse, a reconheceu e ofereceu ajuda, talvez houvesse outro que a reconhecesse e não lhe despertaria tantos sentimentos ruins.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Sab 11 Jun 2016, 16:33

A despedida silenciosa era difícil para Chayyliel. Munida com uma mochila e acompanhada do gato que a seguia, a anjo saía na calada da noite para as ruas da estranha cidade. Apesar do sofrimento, May ainda cuidava dela e deixá-la sozinha era muito difícil.

A lua parecia somente um fio amarelo no céu e talvez na noite seguinte nem mesmo existisse. As estrelas também mal eram visíveis devido as inúmeras nuvens. O ar, contudo, não carregava o cheiro de chuva e por alguma razão a morena sabia que não choveria nos próximos dias. No entanto fazia frio, muito frio. Logo o gato começava a protestar e a morena o colocava dentro de seu casaco, mantendo o felino aquecido contra o peito, recebendo um ronronar em resposta.

A anjo sentia-se ainda vigiada, agora duplamente. O estranho que a reconhecera estava por perto, mas ela não iria para ele. Seus planos eram o de encontrar alguém que a reconhecesse e não lhe provocasse medo. O outro que a seguia já vinha sondando-a há algum tempo, desde o ataque à igreja. Teria de lutar? E mais importante ainda, sabia mesmo lutar?

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Dom 12 Jun 2016, 17:11

A morena estava feliz que teria a companhia do felino, mas ainda se sentia culpada em deixar May sozinha. A mulher cuidou dela, mesmo com todas as complicações, mas se ficasse só iria coloca-la em perigo. Era uma escolha em que ambas as escolhas eram amargas.

Nas ruas, a lua parecia lutar para manter sua posição no céu, mas era uma batalha perdida e a noite seguinte ela estaria ausente. As estrelas pareciam ser engolidas pelas nuvens que não anunciavam tempestade. O frio, no entanto, era real e Chay aconchegava o felino contra seu peito, trazendo mais calor para ambos. O ronronar a fez sorrir levemente, mas a sensação de ser vigiada ainda a incomodava.

Sabia que um deles era o estranho que a conhecia, o outro era desconhecido. Ambos indesejados. Não sabia o que ambos queriam, mas não desejava encontra-los e descobrir. Os olhos escuros miravam as redondezas, tentando encontrar algum caminho para evitar a dupla. Não desejava lutar, nem ao menos sabia se detinha algum conhecimento sobre combates, e não queria descobrir nestas condições.

Os passos se tornaram mais rápidos, conforme o desejo de evitar conflitos crescia, tornando-se aos poucos uma pequena corrida.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Ter 14 Jun 2016, 22:52

A anjo começava a correr para longe, tentando escapar dos indesejados que a perseguiam e vigiavam. O gato parava de ronronar e mantinha-se atento. As ruas escuras, com somente um ou outro farol de carros. Os sentidos de Chayyliel lhe diziam que tudo ao redor era perigoso, como se sua vida estivesse em perigo e não somente pelos dois vigilantes ocultos.

A morena não prestava atenção nas propostas insinuantes que recebia de estranhos nas ruas. Eram humanos e não representavam tanto perigo, por mais que suas vontades não fossem nada inocentes ou benevolentes.

As pernas começavam a fraquejar e o cansaço a abatia. Era tarde da noite, estava frio e a mulher sentia que não poderia seguir correndo no mesmo ritmo por muito tempo. Ao mesmo tempo as sensações não se afastaram.

Quando não mais aguentou correr, a morena virou uma esquina, entrando em um beco escuro e sentando no chão, atrás de um container de lixo. Sentia frio e seguia apertando os braços nos ombros. Sozinha, tentou não dormir, porém o sono falara mais alto e, quando percebeu, algumas horas haviam transcorrido. Seu gato havia abandonado seus braços e estava revirando o lixo ao lado. Por alguma razão, os dois estranhos ainda estavam por perto, mas não a atacaram.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Sab 02 Jul 2016, 17:50

A morena sentia-se confusa e receosa, parecia que não importava para onde fosse, algum perigo a rodeava. As outras pessoas eram ignoradas por ela, não representavam tanto perigo quanto a presença dos seres que ela tentava se afastar. Não entendia o que eles, seja o que fossem, queriam com ela, mas pelo menos não a atacaram.

Suspirou, pensando sobre o que fazer. Queria sair da cidade, ir para um lugar menos povoado e se organizar, antes de planejar o próximo passo. Buscar alguém que a conhecesse, sem despertar essa sensação de perigo, mas ser perseguida não estava exatamente em seus planos.

Levantou-se e acariciou o felino, olhando aos arredores. Os orbes escuros tentavam identificar as presenças.

-O que vocês querem?

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Ter 05 Jul 2016, 22:55

Chayyliel erguia o rosto ao fazer a pergunta e, só nesse momento, percebia um homem passando pela entrada do beco em que dormira. O estranho a mirava com expressão desconfiada, porém a morena sentia que ele era um humano normal que não representava uma ameaça.

- Dinheiro o suficiente para não ter que acordar a essa hora para ir trabalhar.

A resposta era mal humorada e logo o estranho sumia, seguindo seu próprio caminho. As outras duas presenças mantinham-se por perto, sem serem vistas e silenciosas, deixando a pergunta morrer no ar. Isso era ainda mais perturbador. Agora, no entanto, a pergunta era como sairia da cidade?

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Érica em Qua 06 Jul 2016, 15:07

A pergunta, infelizmente, foi ouvida por um humano normal. Chay o mirou por alguns instantes, antes de ouvir a resposta sem muito animo. A morena se perguntou o que ele quis dizer com trabalho, mas provavelmente descobriria mais com o tempo.

As presenças continuavam próximas, mas ocultas e sem responder sua pergunta. Dizer que a jovem não se sentia feliz com isso seria um eufemismo, mas pelo menos não a atacaram. Talvez, quando conseguisse sair da cidade, eles iriam parar de persegui-la. No entanto, como iria sair do lugar?

Não podia perguntar para May, ou para Simon. Talvez alguém fosse gentil em dar esta informação para ela, mas não havia muitas pessoas a essa hora pela rua, e menos ainda com boas intenções. Seguir caminhando reto era uma opção, afinal cedo ou tarde teria que parar em algum lugar.

Os olhos escuros miraram o felino, sorrindo gentilmente para ele.

-Vamos?

Por enquanto, iria seguir andando. A cidade parecia grande, mas não podia ser infinita. Até encontrar alguém disposto a dizer o caminho mais rápido, pelo menos.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Alice em Sab 09 Jul 2016, 21:07

Sem respostas e com cada vez mais perguntas, Chayyliel começou a caminhar em linha reta, porém logo descobriu que isso também era um pouco complicado. Constantemente se deparava com becos sem saída e curvas que pareciam a levar de volta ao ponto de partida. Após diversas horas, já não tinha ideia de que direção seguia.

Antes que o sol estivesse no seu auge, a anjo sentiu a barriga protestar. Se acostumara com a comida de May e agora estava há muito tempo sem comer direito. Suas pernas já cansavam e até o gato parecia um pouco inquieto. No entanto, o que poderia fazer? Não conhecia ninguém, ainda não saíra da cidade e as presenças seguiam próximas demais. Estariam eles esperando que ela estivesse fraca demais para se proteger para então matá-la? Não duvidava disso...

Quando a noite chegou, a anjo reparava que o cenário já era diferente. Estava em uma região diferente da cidade, mas ainda dentro dela. As pernas estavam esgotadas, a fome era tanta que lhe doía a cabeça, estava exausta, sentia-se suja... O gato protestava em seus braços, mas não lutava efetivamente e não lhe abandonava.

- Vai aceitar minha ajuda agora? Ou vai esperar uma semana, até estar no fundo do poço? - Dizia o estranho que a salvara no dia em que Tom mudara.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Anjo Perdido

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 3 de 3 Anterior  1, 2, 3

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum