Capítulo 2 - O Sonho De Uma Criança

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Mensagem por Ella Van Harper em Qua 11 Maio 2016, 11:26

O Sol acabara de nascer e banhara com seus raios quentes a fria capital de Shinki. O inverno já chegara e a luz solar tentava dissipar um pouco o frio, mas sem muito sucesso. Pouco a pouco as pessoas começavam a encher as ruas, indo trabalhar, deixar os filhos na escola, fazer compras, viver. Mal parecia que uma semana atrás acontecera um atentado nessa mesma cidade que já se reerguera. Incrível a capacidade do homem de regenerar sentimentos e continuar com sua rotina pouco tempo depois. Eu observava tudo isso da janela daquele de deixaria de ser meu quarto.

Minha mãe se assustara quando voltei parar casa suja e com alguns cortes superficiais. Tudo piorou quando contei do que acontecera durante a minha Prova de Fé para ser uma Seguidora. Quando falei sobre a apocalipse, ela tremeu e sentou-se, e pareceu que iria desmaiar quando disse que estava indo à Academia de Polícia para tirar a licença para ser uma Cadete. Lágrimas caíram de seu rosto e foram de encontro ao chão. Ficou calada por alguns minutos, depois sorriu e perguntou se eu tinha certeza. Balancei a cabeça em sinal de afirmação.

- Já imaginava, esse era seu sonho desde pequena. Você nasceu para seguir os passos de seu pai.

Ela parecia estar perdida em lembranças.

- Mãe, eu não queria incomodá-la aqui na sua casa, mas não sabia para onde ir após o atentado e...

- Tá ficando doida, Ella Van Harper? - ela me interrompera - Você foi criada nessa casa e ela é muito mais sua do que minha. Não é porque comecei uma vida com outro homem que você deve sair daqui, muito pelo contrário... - vi seus olhos encherem-se de lágrimas e sua voz falhar quando continuou - Eu queria que você ficasse comigo.

Então eu a abracei. Um abraço forte e demorado. Ouvia-a soluçar e sussurrar o quanto me amava, e eu chorei junto. Ficamos assim um bom tempo, era bom tê-la comigo novamente e eu sabia que essa seria a última vez que a antiga Ella a abraçaria, da próxima vez seria a Cadete Van Harper. Sequei minhas lágrimas e sorri.

- Mãe preciso ir agora. Está mais que na hora de eu encarar Cornelius.

- Certo, minha criança. Tome cuidado. Que Arceus a proteja.

- Amém!

Com um sorriso no rosto, saí de casa em direção à Academia.




O prédio cinza erguia-se à minha frente com uma majestade única e diferenciada. A Academia não era o mais belo prédio de Shinki, mas sua imponência era singular. Na entrada, uma estátua do pokémon representante da Força Policial de Shinki mostrava sua elegância ao lado do globo, ficando notório o controle dos Cadetes. Era algo assustador, desafiador e empolgante. Entrei na construção e segui para a recepção. Eu já sabia da falta de tempo dos Cadetes, da correria que era ali dentro, até por que meu pai fora um Cadete, então faria de tudo para ser o mais objetiva possível.

- Olá, poderia me informar onde posso fazer o teste para a Força Policial de Shinki?

Estava nervosa e sentia minhas mãos ficarem suadas e o corpo tremer. Porém segui firme e determinada à sair dali com minha licença.
Ella Van Harper
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Mensagem por Ayzen em Seg 16 Maio 2016, 23:34

Off: Desculpe ç.ç



Van Harper parecia se erguer e nascer como Nyender naquela manhã, uma semana depois do atentado. As mídias locais tentavam mascarar o ataque como um vazamento de gás, embora Ella soubesse da atuação apocalipse ali no meio causando o caos. O caso do hospital entupido de gangsteres não pôde mascarar, mas faziam questão de anunciar que o movimento apocalipses fora contido pela força cadete, o que deixava os civis mais calmos.

Mais coisas aconteceram em uma semana. A filha mais velha da comandante Angélica Thompson havia sido sequestrada e a nobre mulher deixava definitivamente seu posto para Cornélios, sumindo. Pokénews oferecia recompensas por pistas de Angélica, e recebia várias, mas nenhuma era verídica. Agora, Cornélios era o comandante real dos cadetes e seguia uma linha ideológica diferente da comandante. Agora, Ella seguia para uma nova realidade: ser cadete.

Sua mãe parecia ter o coração dividido, mas o que poderia fazer? Nyender sorria para a loira. Parecia que nada estava acontecendo, pelo menos, nada estava acontecendo na vista de Ella. O movimento cadete na cidade parecia mais forte, claro que era resultado dos últimos ataques, em busca de deixar as pessoas mais seguras. Naquele instante, o prédio de cores que nem chamavam atenção guardava uma aura que Ella sentia ser superior a qualquer outro prédio na cidade.

O movimento era enorme ali dentro. Cadetes e outros não uniformizados iam e vinha caminhando com pressa ali dentro. Taillows seguiam levando mensagens de um lado para o outro. Aquilo tudo parecia uma bagunça, muito maior do que se esperava. Na recepção, uma mulher de sobre peso evidente e um coque alto e um nariz torto que sustentava uns óculos olhava para o computador, em busca de direcionar as ligações e dá mais informações. Depois de um tempo, olhava de modo ríspido para a menina.

- Primeiro andar.

A menina não sabia o que fazer a não ser sai dali e deixa-la trabalhar. Um cadete de pele negra e olhar frio era designado para acompanhar a menina até o local do teste. De modo mais ríspido, ele seguia calado subindo as escadas até a ante-sala do comandante.

- Comandante Darbas irá chegar em breve. – era a única fala do homem, deixando Ella sobre um sofá bem acolchoado de frente para um relógio redondo que marcava 07:43.


Ayzen
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Mensagem por Ella Van Harper em Ter 17 Maio 2016, 00:38

OFF:
Desculpa o post pequeno, Ay. Não tava com a cabeça boa quando escrevi :c Prometo que não vai continuar assim >< Xero

A Academia de Polícia estava muito movimentada devido aos últimos acontecimentos na capital shinkiniana e já era de se esperar uma correria pelo prédio cinzento. Minha mãe alertara-me sobre o mal humor dos Cadetes e dos olhares indiferentes deles quanto aos candidatos à licença, como se eles não quisessem o trabalho extra de controlar os testes. Estava ansiosa e sentia Butterfrees em meu estômago. A recepcionista não era muito bonita de se olhar, nem em seu interior, apenas enviandoe ao primeiro andar acompanhada de um cadete nada simpático.

A caminhada até a sala de espera fora rápida e silenciosa, e as únicas palavras que o cadete dirigiu à mim foram orientações parar aguardar a chegada do comandante Darbas, já que eu chegara um pouco cedo demais para o teste. Seria um teste em uma péssima hora, eu imaginava.

Sentada na sala de espera, ficava imaginando como seria o teste e como eu me adaptaria à vida de um defensor de Shinki. Minhas mãos suavam e eu sentia a tensão percorrer meu corpo.
Ella Van Harper
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Mensagem por Ayzen em Sex 20 Maio 2016, 21:24

Off: Sem problemas ;)


Tensa pelo inicio do teste que se aproximava, Ella reconhecia que as coisas estavam começando a mudar em Shinki. Cornélios agora tinha poder total sobre os cadetes e o sistema, e a mãe da jovem já havia advertido sobre como era difícil lhe dá com alguém assim. Ella permanecia naquela sala bem iluminada e ventilada esperando o comandante. Seria um momento inoportuno? Cornélios logo surgia ao longo do corredor, acompanhado por diversas cadetes, uns seis ao todo. Todos davam relatório e pediam alguma assinatura, enquanto passavam relatórios em códigos, possivelmente. Um Taillow voava caindo ao ombro do capitão, tão marrento quanto o comandante, e assim o oficial colocava uma mensagem para ele levar, falando apenas o nome do cadete e a cidade onde ele estavam. Taillow iria fazer uma bela viagem até Twister.

Cornélios passava por Ella sem nem ao menos olhar para ela, afinal, a loira não era nem digna de chamar a atenção da arrogância do homem. Mas para sorte da loira, uma mulher era deixada para trás, a única dentre o grupo de homens presentes. A mulher com seus cabelos lisos e longo, com uma postura sério, cara de cansada detrás dos óculos vermelhos finos aproximava-se de Ella. Sua voz parecia rouca e ela tentava se manter o mais profissional possível.

- Identificação, classe e motivo. – dizia de modo direto, mas não tão bruta quanto a recepcionista, entregando uma ficha para a menina presente.

Nome:
Cidade Natal:
Data de nascimento:
Classe:
MOTIVO:



Ayzen
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Mensagem por Ella Van Harper em Qua 25 Maio 2016, 18:40

Eu estava nervosa por causa de tudo que estava acontecendo comigo, não sabia como lidar com aquela mudança repentina de futuro, mas eu sabia que era como Cadete que eu queria seguir a vida. Estava relembrando as vezes que me diverti com o Persian do meu pai, quando Cornélios apareceu no corredor, cercado de outros Cadetes de menores patentes falando, provavelmente, sobre problemas a serem resolvidos em Shinki.

Estava ansiosa, mas controlei a respiração e acompanhei o atual Comandante da Força Policial de Shinki passar por mim sem nem me notar, ou olhar para mim, assim como os outros Cadetes. Uma mulher acabou ficando para trás e, tentando não ser tão ignorante, falou com objetividade.

- Obrigada.

Peguei a ficha e comecei a preenchê-la.


Nome: Ella Van Harper
Cidade Natal: Nyender
Data de nascimento: 12/05/31
Classe: Cadete
MOTIVO: Desejo proteger aqueles que precisam das atrocidades e maldades daqueles que abalam o Sistema desenvolvido pela Força Policial.

Depois de preenchida, entreguei de volta à mulher. Apenas sorri para ela. Arceus estava olhando por mim e eu me sentia feliz. Aposto que meu pai ficaria muito orgulhoso.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Qui 26 Maio 2016, 23:10

A cadete recolheu a ficha da jovem e a analisou por alguns segundos.

― Altruísta... e vejo um pouco de fidelidade... Me acompanhe.

A mulher começou a caminhar sem ao menos esperar pela decisão de Ella. Sem perder tempo, a jovem aspirante começou a segui-la. Ella percebeu que elas estavam indo para a direção contrária que Cornélios e os outros cadetes haviam ido.

Passando por corredores, descendo escadas, atravessando portas, Ella se sentia caminhando em um labirinto. Depois de alguns minutos, ela parava diante uma porta onde a cadete bateu até ser atendida. Uma jovem cadete sorridente as recebeu e as convidou para entrar. A sala era diferente de tudo o que tinha de padrão na academia. Estampas coloridas enfeitavam as paredes. Uma pequena piscina era a alegria de um Taillow que a usava para se banhar. Um Meowth estava dormindo em cima de uma estante enquanto um pequeno shinx tentava brincar com a cauda dele. Um Houndour estava mordendo um brinquedo de borracha sem ao menos se importar com quem acabava de chegar. Um mienfoo estava dançando apesar de não estar tocando nenhuma música.

― Muito bem, Ella Van Harper. Escolha o pokémon que será o parceiro de seu Meowth.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Sab 28 Maio 2016, 13:46

A mulher mantinha-se sempre séria e objetiva, pedindo para que eu a acompanhasse e, sem hesitar, a segui na direção contrária de onde estava Cornélios. Será que ele não faria meu teste? Ou eu estava sendo expulsa da Academia por parecer incapaz? Porém não estávamos seguindo para a saída, sentia-me andando por um labirinto de corredores e mais corredores, até que a cadete parou e bateu numa porta ao final de mais um corredor. A cadete que abriu a porta era sorridente e parecia alegre.

Entramos na sala e logo notei as cores nas paredes da sala, bem diferente de toda a Academia e seus tons mortos, aquela sala era vibrante e enérgica. Lá dentro pude notar os pokémon da Força Policial de Shinki, repousando ou brincando, esperando a hora de ser escolhido para entrar em ação na defesa do povo shinkiniano. A cadete ao meu lado pediu que eu escolhesse o companheiro do meu Meowth, aquele que seria meu braço esquerdo. Era uma difícil decisão, mas eu já sabia qual escolheria.

- O escolhido é o Shinx.

Dei um sorriso alegre para a cadete sorridente, mas contive-me quando percebia a outra me encarando. Queria parecer forte como aquela mulher, mas eu sabia que para ela, provavelmente eu seria só mais um rosto bonitinho. Ou ela não pensava nada disso e só queria se livrar de mim. Percebi que estava pensando besteiras e concentrei-me no meu teste, mas qual seria ele? Estava tudo ainda bem confuso.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Qua 01 Jun 2016, 11:34

Off: Sorteio 1
Sorteio 2

A jovem loira optava pelo pequeno felino elétrico que brincava inocentemente com a própria cauda. A jovem cadete correspondeu o sorriso da gladiadora e pegou as pokébolas da Meowth e do Shinx recolhendo-os logo em seguida. A mulher entregou as esferas para Ella e falou:

― Cuide bem deles. A partir de agora, caso consiga sua licença, eles serão seus parceiros de vida!

― Continua muito poética, não acha? ― A outra cadete rompeu o clima amistoso com uma fala seca e quase repreensiva.

― Precisamos manter a vida nesse lugar, Eva. ― A jovem sorriu e se despediu das duas que já se retiravam da sala.

Ella continuou a acompanhar a cadete, que agora sabia que se chamava Eva, e, depois de muitos corredores, chegaram ao lado de fora da academia.

― Ella Van Harper, eu soa a cadete Eva Green LeMond e serei sua supervisora em seu teste. Veremos se realmente você é capaz de “proteger aqueles que precisam das atrocidades e maldades daqueles que abalam o Sistema desenvolvido pela Força Policial”.

Um vento gélido agitou os cabelos da jovem aspirante. Eva a fitava como se rompesse através da alma da jovem. O teste havia mudado e tudo seria novidade para Ella. A supervisora havia decorado as motivações escritas pela loira e certamente levaria tudo em conta durante o teste. A mulher não esperou nenhuma resposta da jovem e prosseguiu.

― Neste primeiro momento, você irá me acompanhar em um caso. Recebemos uma denúncia de alguém que “abalou o Sistema desenvolvido pela Força Policial” ― mais uma vez a cadete usava as palavras da aspirante ― e precisamos interroga-lo e, caso for necessário, prendê-lo. Alguma consideração antes de prosseguirmos?
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Sex 03 Jun 2016, 09:04

Ter meus iniciais em mãos era algo indescritível e emocionante, podia sentir o êxtase de um futuro promissor só em tê-los em minhas mãos e tão próximos a mim, pude sentir um arrepio de excitação percorrer meu corpo. Não tinha como ficar triste em um momento tão especial como aquele e a única coisa que eu mais queria era soltá-los de suas esferas e conhecê-los.

A cadete que mantinha-se ao meu lado e tentava não ser muito arrogante chamava-se Eva, e descobri isso graças à cadete sorridente. Agora nos dirigíamos para a saída da Academia e eu ainda não entendia o que estava acontecendo, até porque eu ficara totalmente perdida e zonza com a quantidade infinita de corredores desse prédio. Lá fora um vento frio bagunçou meus cabelos de forma amistosa e a cadete Eva começara a falar.

- Darei o melhor de mim!

Foram as únicas palavras que escaparam da minha boca, algo reprimia-me. Estava nervosa e eu tinha noção disso, só não sabia o quão nervosa eu estava e que isso poderia afetar meu desempenho no teste, além de eu estar com medo. Respirei fundo e pedi forças ao Criador. Se eu confiasse nele e em seu poder, ele me recompensaria.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Qua 08 Jun 2016, 12:00

Ao ouvir as palavras da loira, a cadete apenas consentiu e começou a caminhar. Prontamente, Ella passou a seguir a sua instrutora no teste. As duas jovens atravessaram a praça Sakura e seguiram para a avenida Mewtwo onde pararam em frente a uma casa.

― A denúncia foi a seguinte: um civil está mantendo consigo um pokémon sem uma licença autorizada pela academia. Sua tarefa é prendê-lo, recolher o pokémon selvagem e libertá-lo. Não irei interferir na sua conduta, pois estarei te avaliando. Esta é a sua oportunidade de fazer justiça contra alguém que “abalou o Sistema desenvolvido pela Força Policial” ― Sem dizer mais nada, Eva tocou a campainha.

Aquela missão era um pouco aterrorizadora ainda mais por só saber dos detalhes em frente à casa do homem. E mais uma vez a frase era jogada na cara de Ella. Eva parecia querer fazer um jogo psicológico com a aspirante. A jovem aspirante a cadete precisaria se sair bem em seu teste se quisesse receber sua licença. Não demorou muito e a porta à sua frente se abriu. Um homem aparentando estar na casa dos quarenta anos mantinha uma expressão de surpresa.

― Bom dia, oficiais. Como posso ajudá-las? ― o nervosismo em sua voz era evidente.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Sab 09 Jul 2016, 18:50

Chegamos até o local onde seria minha missão e eu estava muito apreensiva e nervosa, a cadete Eva, minha superior e atual tutora, passou minha missão assim que estudamos o local. Era um teste assustador e meu corpo respondeu à missão da forma como eu já imaginava: suando frio e a sensação de borboletas no meu estômago estava presente o tempo todo. O que eu faria? Respirei fundo.

A cadete Eva tocou a campainha e eu assumiria a dianteira da missão, afinal, esse seria o meu teste e era meu dever ultrapassar essa barreira. Tinha que cumprir o destino que Arceus escolheu para mim, se não era sua intenção que eu fosse uma Serva direta Dele, que eu seguisse deixando o mundo em ordem! Meio ambicioso e sonhador, não? Em pouco tempo um homem aparentando estar na casa dos quarenta anos abriu a porta e logo reparei na sua surpresa em ver Cadetes em sua porta. Sua voz saiu nervosa. Seria necessário que eu tivesse pulso e força!

- Olá, senhor! Sou a Recruta Van Harper e essa é a Cadete Eva Green, poderia sair e nos dar um minuto para responder algumas perguntas quanto a regras de bom convívio em Nyender? São ordens do atual Comandante que todos os moradores respondam esse questionário.

Minha voz era firme, precisava ser. Não podia vacilar! Lembrei das coisas que ocorreram uma semana atrás, nas favelas da Avenida do Recomeço, e eu não podia deixar meu teste escapar! Era hora de mostrar toda minha vontade e garra para entrar na Força Policial de Shinki. "Pai, abençoe-me com sua sabedoria!", pedi ao meu falecido pai.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 09 Jul 2016, 22:18

Ella já sentia o pesa de seu teste. Saber dos detalhes em cima da hora já dificultava as coisas. A jovem aspirante procurava se manter sob controle e fazer o seu melhor para cumprir a vontade de Arceus. O homem diante de si ouvia atentamente o que a jovem dizia. Consentindo com a cabeça, ele fechou a porta atrás de si e se aproximou para responder as perguntas. Eva se mantinha em total silêncio e apenas observava a atuação de Ella.

― Estou à disposição para responder quaisquer perguntas. ― O homem se mostrava cooperativo e aguardava a aspirante iniciar com o questionário.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Dom 10 Jul 2016, 01:25

- Muito bem, então devemos começar.

Eu continuei falando de forma firme e objetiva, mantendo o controle da situação, ou tentando o fazer. Eva estava nos observando, com certeza me avaliando, e eu sabia que se qualquer coisa saísse do controle ela interviria, não é mesmo? Bem, eu me esforçava para acreditar nisso.

- Senhor, primeiramente, informe-nos seu nome completo, por favor. Qual sua idade, senhor? - depois que ele me informasse, prosseguiria - Há quanto tempo vive no bairro? Tem um bom relacionamento com seus vizinhos? O senhor denunciaria algum vizinho por má conduta?

Eu observava-o enquanto fazia as perguntas, qualquer sinal de vacilação ou tensão eu tinha que detectar para pegá-lo. Mas como faria isso? Deveria ser mais convincente e colocá-lo contra a parede, era meu dever como Cadete (ou quase) descobrir se ele realmente estava mentindo e pegá-lo em flagrante.

- Muito bem... O senhor possui licença para ter pokémon consigo? Possui algum pokémon no momento?

Estava na hora de tentar dar o bote. Era agora ou nunca.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Ter 12 Jul 2016, 11:19

Uma brisa fria passava pelas pessoas ali presentes e cortava o rosto de todos com seu toque levemente gélido. Ella tentava manter uma voz firme e imponente, mas a doçura inata da jovem sempre transparecia. O homem ouvia com atenção as perguntas da recruta e ficou alguns segundos em silêncio antes de começar a respondê-las.

― Bem... me chamo Luís Delamare Neto. Tenho 42 anos. Vivo aqui com minha há cinco anos. Antes morávamos em Grung, mas nos mudamos desde que minha esposa faleceu. Sabe como é né? As lembranças estavam muito vivas naquela cidade... ― Luís se calou por um instante e pareceu ser transportado em pensamento para outro lugar. ― Os vizinhos aqui são muito bons. Minha filha e eu fomos muito bem recepcionados. ― Outra pausa e uma expressão pensativa. ― Vou ser sincero com vocês. Dependeria muito da situação. Se fosse algo realmente muito grave, eu denunciaria.

A jovem aspirante ouvia atentamente e prestava atenção a todos os detalhes e ao comportamento do homem. Luís falava de forma calma e parecia estar sendo sincero em suas palavras. Mas isso não era o bastante para Ella, ela precisaria encontrar um meio de constatar a veracidade da denúncia.

― Não possuo licença. Meu trabalho e meu estilo de vida me impossibilitaram de realizar o teste para alguma das classes. ― Quando ouviu sobre o porte de pokémon, a respiração pareceu ser cortada e outra breve pausa surgiu. ― Nã-não... ― gaguejou ― Obviamente não tenho nenhum pokémon comigo aqui.

Era perceptível uma breve alteração na voz do homem. Ou ele estaria mentindo, ou ficara nervoso devido a uma pergunta indiretamente acusatória. Outra brisa fria passava por eles e agitava os cabelos loiros da aspirante. A presença de Eva parecia inexistir ali, mas ela continuava atenta às ações da jovem.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Qui 14 Jul 2016, 11:35

Estava tentando fazer o meu melhor, mas eu sabia que minhas expressões doces e meu carisma aparente eram um ponto fraco quando eu tentava parecer séria, era comum as pessoas não me levarem a sério. Nem mesmo eu me levava a sério algumas vezes!! Mas esse era meu teste e eu tinha que dar o meu melhor, não havia outra saída para mim, precisa continuar centrada e terminar essa missão, com certeza outras piores apareceriam.

Por sorte, enquanto contava sua triste caminhada ao lado da filha, o homem vacilou em alguns momentos ao responder sobre o porte de pokémon. Eu quase derramei rios de lágrimas quando ele disse ter perdido a esposa, me emociono com essas histórias tão comuns em Shinki. Lembro-me dos sermões do padre na Igreja de Arceus, quando um ente querido de um dos companheiros de fé morria. Lágrimas tentaram escapar de meus olhos e, mesmo eu conseguindo contê-las, não pude esconder a emoção.

- Eu... Eu sinto muito pela sua esposa. - fiz uma pausa breve, não podia perder a chance de conseguir o sucesso em minha missão, mesmo que isso machucasse um possível bom e zeloso homem - Bem, creio que foram momentos bem difíceis na vida do senhor e da sua filha. Sua esposa, o que fazia?
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Seg 18 Jul 2016, 17:25

Ella percebia uma pequena falha na conversa do homem quando este falara sobre o porte de pokémons. Apesar de estar emocionada com a história da perda da esposa, a aspirante a cadete precisava manter o foco no teste. Eva se mantinha firme como uma rocha e não parecia ter sido afetada pela triste história do homem. A mulher apenas fitou Ella avaliando suas expressões e não disse nada, apenas olhou no relógio de pulso checando o quanto de tempo estavam perdendo ali sem ao menos descobrirem nada.

― Foram tempos horríveis. Minha pequena sentiu muito a perda da mãe. Todas as noites acordava chorando chamando pela mãe. ― O homem suspirou e continuou. ― Cristine era uma excelente cozinheira. Trabalhava na Padaria e Confeitaria Mamãe Swanna. Todos a amavam.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Qua 20 Jul 2016, 10:47

- Entendo e sinto muito.

Eu estava muito emocionada e isso parecia ser bem aparente, já que o pouco de rigor que deveria estar na minha voz havia sumido e dado lugar ao doce habitual. Me recompus e decidi continuar as perguntas. O tempo estava passando e eu ainda não havia conseguido nada de interessante com o homem, bem, nada que podia dizer que o homem possuía algum pokémon ilegal ali.

- Senhor, temos um assunto um pouco delicado agora.

Eu voltava à ficar séria, não podia sucumbir ao sentimentalismo dentro de min, era meu dever zelar pela ordem e segurança dos moradores de Nyender, e eu sabia que podia fazer melhor.

- Recebemos uma denúncia de que algum morador vem mantendo um pokémon de forma ilegal em casa. Sabe algo sobre isso? Isso é um crime e, se alguém comete um crime, deve ser punido perante a lei.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Sex 22 Jul 2016, 14:49

Ella ficava emocionada com a história do homem, mas a jovem sabia que precisava vencer seus próprios sentimentos e ser forte para prosseguir com a missão. A aspirante tentava voltar a manter uma voz firme e era mais direta no assunto a que fora tratar ali. Quando ouviu sobre a suposta denúncia, o homem ficou nitidamente nervoso.

― De-denúncia!? ― O homem olhou de relance para Eva e engoliu em seco. ― E-eu não sei nada disso não. Se não tiverem mais perguntas, preciso entrar. Está na hora de minha filha comer. ― O homem olhou para o chão e permaneceu com a mão direita no portão.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Sab 23 Jul 2016, 12:29

O homem pareceu nervoso quando citei a denúncia e quando olhou de relance para Eva, pude notar que algo estava errado. O homem desconversou, mas eu não podia deixá-lo ir sem realmente saber o que estaria acontecendo, se ele tivesse cometido qualquer erro teria que receber a punição devida.

- Acalme-se senhor Luís. Creio que ainda não acabei. Como a denúncia foi algo sério, estamos revistando todas as casas do bairro, então a Cadete Eva e eu vamos entrar e fazer uma rápida vistoria na casa. Certo, senhor?! Enquanto isso o senhor pode dar comida à sua filha. - manti a pose séria.
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Mensagem por Henri Sollari em Dom 24 Jul 2016, 20:11

A mudança de atitude do homem era a deixa que Ella estava esperando. Algo ali não estava certo. Ainda sob o suporte de sua história, a jovem aspirante pediu para revistar a casa. Luis engoliu em seco. Ele não tinha muitas opções no momento. Negar a entrada das cadetes era assinar seu atestado de culpado.

― Cla-claro... Mas peço que não demorem. ― O homem abriu passagem e guiou as duas para dentro de casa.

O interior era de uma típica casa de Nyender. O conforto não era muito, mas também era o suficiente. Tudo estava muito bem organizado mostrando o zelo do pai em deixar um ambiente saudável para o crescimento da filha. Chegando à sala de estar, Ella viu um pequeno cômodo com alguns porta-retratos. Pegando um deles, a jovem viu a família reunida. A falecida mãe sorria enquanto a pequena criança a abraçava por trás envolvendo seus braços no pescoço. A alegria era bem destacada naquela foto.

― Cristine faz muita falta... ― O homem viu, mas parecia preocupado sempre olhando para a escada que levava ao andar superior. ― Vocês podem começar aqui por baixo enquanto eu levo o lanche da minha filha no quarto dela. ― A voz estava mais tensa. Ella e Eva, apesar das suspeitas, iriam fazer conforme o combinado, mas alguns passos vindos da escada chamaram a atenção.

― Papai, a Cris fez uma bagunça no meu quarto.

Aos pés da escada, uma pequena garotinha surgia. Os cabelos amarrados em dois rabos de cavalo e um vestidinho azul com um laço branco esboçavam a inocência da criança. Em suas mãos, uma pequena Skitty fazia cara de sapeca após a denúncia da criança.

― Nós temos visitas? ― A menina olhou para Ella e Eva um pouco curiosa.

Luis estava em um estado de puro nervosismo. A filha acabava de o entregar sem perceber. O homem se dirigiu rapidamente para frente da garotinha e mirou as duas cadetes com uma feição desesperada.

― Por favor, não levam a Skitty. Foi a única coisa que fez a Melissa voltar a sorrir. Não usamos ela para batalhas e nem nada... ela é apenas uma companhia para minha filha. ― Luis esticava a mão para proteger a filha atrás de si. Melissa esticava o pescoço por detrás do pai para tentar entender o que estava acontecendo.
Henri Sollari
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Capítulo 2 - O Sonho De Uma Criança Empty Re: Capítulo 2 - O Sonho De Uma Criança

Mensagem por Ella Van Harper em Ter 26 Jul 2016, 20:46

Luis deixou que entrássemos em sua casa e logo observei o local. A casa era bem comum, mas confortável e incrivelmente organizada. O pai era muito zeloso e podia-se perceber pelos protetores nas tomadas e quinas dos móveis da casa, tapetes antiderrapantes na escada que levava para o primeiro andar e muitas fotos da mãe e da familia completa. Era claro que o homem queria manter a presença da mãe na filha, e eu podia sentir o amor reinando naquela casa.

O homem pediu que iniciássemos a revista pelo andar térreo da casa, enquanto ele subiria para o primeiro andar e entregaria o lanche à filha pequena, mas uma movimentação repentina e uma voz doce chamaram nossas atenções para a escada. A garotinha, filha do senhor Luis, estava segurando uma Skitty, delatando o que a pequena e fofa infratora havia feito no andar de cima. O homem logo se assustou e implorou para mantermos a gatinha com eles, já que a garota havia sofrido demais e a pequena pokémon havia dado motivos para a garotinha sorrir novamente. Meu coração gelou.

Eu não sabia pra onde olhar, já que toda a casa transbordava emoções que representavam muito para mim. Amor e familia eram a base do poder e fé de Arceus, uma fé que eu pude conhecer e presenciar uma semana atrás. Eu não sabia muito bem o que fazer, não queria magoar aquela pobre garotinha que havia perdido sua mãe. Quando eu perdi meu pai, os pokémon de minha mãe foram, muitas vezes, responsáveis pelo meu sorriso e alegria. Eu entendia o que aquele pai queria, podia vê-lo como minha mãe... “Ella, não é hora para isso!”, minha mente fez questão de me lembrar do por que da minha ida até aquela casa. Estava fazendo meu teste para ser uma Cadete e defender o povo shinkiano de forças inimigas, mas seria aquilo um erro tão grave? Seria alegrar uma criança, sua filha, um crime tão severo?

Essas perguntas rodavam minha mente e eu me sentia perdida. O que eu deveria fazer? Qual era meu real dever? Por um instante cogitei falar com a Cadete Eva, pedir um socorro, implorar para que tomasse as rédeas daquela situação tão difícil para mim, mas eu sabia que isso não era possível e qualquer sinal de fraqueza poderia ser a reprovação que eu não queria. Respirei fundo e tentei falar, mas voz alguma saiu de minha garganta. Fiquei assustada com aquela sensação, eu me culpava por fazer o certo. Mas seria mesmo o certo? Tomei o controle de mim e falei.

- Infelizmente, senhor Luis, eu terei que levar a Skitty. – fiz uma pausa breve e continuei – O senhor sabe que para possuir um pokémon deve-se ter uma licença e mesmo que isso signifique entristecer sua filha, eu terei que levar essa pokémon.

Meu coração doía e eu sabia que por dentro de mim, tudo estava se revirando. Eu queria chorar, gritar, pedir pra essa garotinha manter a Skitty como amiga. Porque a lei tinha esse lado ruim? Porém, era assim que tinha que ser. Mantive minha pose firmemente e o olhar intimidador, mas cada segundo que eu mantinha essa posição era uma pontada a mais em meu coração.

- Senhor, peço que entregue a pokémon sem qualquer resistência.

Eu não levantei a voz, não queria que a jovem escutasse a conversa e ficasse triste demais, isso machucaria ainda mais meu coração.
Ella Van Harper
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Mensagem por Henri Sollari em Qua 27 Jul 2016, 14:13

Off: Confesso que estou com peninha da Ella XD

Tudo parecia estar correndo bem quando o homem cooperou com a revista na casa, mas tudo virava de ponta cabeça quando a pequena garotinha surgia e um conflito moral se iniciava na mente da aspirante. Ella não conseguia enxergar o crime no simples fato de uma inocente criança manter um pokémon como amigo. Diferentemente do que pensava a loira, a lei mandava apreender o pokémon e levar Luís preso por infringir a lei. Eva não se pronunciava. A mulher apenas observava tudo com um certo desdém e sem dar a mínima importância para o caso moral envolvido ali. Apesar de toda a dor em seu peito, Ella sabia que estava em um teste e que precisaria seguir na linha certa. Lutando contra si mesma, a jovem mandava a garotinha entregar a Skitty para que fosse levada.

― Minha filha, é melhor você entregar a Cris. ― O homem falava ressentido enquanto passava a mão na cabeça da criança. ― Não se preocupe, você poderá vê-la novamente.

Os olhos da criança se umedeciam, mas a pequena criança confiava em seu pai. Relutante, Melissa estendeu a felina para Ella que logo a tomou em seus braços. Um pequeno som de metal surgiu. Uma algema surgia nas mãos de Eva.

― Luís, você está preso por porte ilegal de pokémons e por atrapalhar uma investigação da força policial! ― A voz era fria e direta. Ella ficava assustada com a proporção que aquilo estava tomando. Melissa começava a chorar ao saber que o pai seria levado. Ao invés de Eva seguir até o homem para prendê-lo, ela se virou para Ella e entregou as algemas. ― Faça as honras. ― Falou enquanto recolhia a Skitty em uma pokébola. ― Se não houver outro familiar ou amigo que possa ficar com a criança, ela será levada ao orfanato até que você seja liberto.
Henri Sollari
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Mensagem por Ella Van Harper em Qua 27 Jul 2016, 22:44

A Skitty foi entregue sem resistência, mas ver aquela garotinha com os olhos cheios de lágrimas sendo contidas com força e determinação. Algo nela lembrava de mim quando perdi meu pai. Tudo estava muito emotivo e eu não sabia se conseguiria manter aquela pose por mais tempo, meus joelhos estavam começando a bambear e meu corpo tremia, o suor frio percorria minhas costas e meu coração parecia estar cravado em agulhas, pois cada batida era dolorida demais. Peguei a gatinha em meus braços e, assim que isso aconteceu, Eva decretou a prisão do homem. Gelei. A Cadete pediu que eu algemasse o homem e estendeu-me as algemas. Meu coração parou de bater e eu perdi o chão.

- A-algemá-lo? – gaguejei baixinho.

Meu peito ardia, uma ardência dolorosa e que parecia piorar cada vez que eu tentava respirar. O ar parecia escapar de meus pulmões e eu não conseguia repor a quantidade necessária para ficar em pé. Aquele homem só amava demais sua filha, sendo capaz de buscar meios ilícitos para manter o sorriso no rosto da filha, era isso um crime? As leis seriam tão severas com aquele homem? E qual seria o destino da garota? Eu não tinha poder para decidir o destino dele. Senhor Luís estava assustado e chorava descontroladamente, estava perdendo sua filha e sua liberdade. Afinal, havia liberdade em Shinki? Com as mãos trêmulas, algemei o senhor Luís com cautela.

- O senhor será interrogado e julgado. Preciso que diga se tem alguém para ficar com sua filha. – minha voz transparecia toda minha emoção no momento – Sinto muito, senhor Luis, mas o senhor infringiu a lei do porte e deve ser julgado.

Meu coração quebrou ali naquele momento.
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Mensagem por Henri Sollari em Qui 28 Jul 2016, 15:25

Mais uma vez a moral de Ella era testada. As proporções daquela missão haviam ultrapassado o limiar que separa a moral e a cega obediência à lei. O choro da criança, o desespero do pai, as algemas gélidas em suas mãos... trêmula, a loira se aproximou do homem que se entregou sem resistência e o algemou. Fechá-las naqueles pulsos que aparentemente não cometeram nenhum crime era dilacerador para a jovem.

― Orfanato não, por favor! ― O homem chorava sem mais conseguir se controlar.

Entre soluços, Luís dizia que a vizinha era amiga da família e que poderia ficar com a criança. Ella escoltou o homem para fora de casa enquanto Eva conduzia a garotinha até a casa da vizinha. A loira observava a sua superior conversar com a mulher que seria a nova tutora da pequena Melissa e explicava toda a situação. A mulher ouvia horrorizada não concordando com aquela prisão, mas a opinião dela seria mais uma que não seria ouvida. Deixando a garota, Eva se aproximou de Ella e informou que uma viatura chegaria logo.

Luís era conduzido para dentro da viatura e Ella se sentava ao seu lado enquanto Eva ia no banco da frente. Pelo vidro da janela, um último olhar para a criança. Melissa era envolvida pelos braços da nova tutora enquanto chorava desesperadamente. O carro começava a partir. Melissa se soltava da mulher e corria atrás do carro gritando pelo pai. Avançando para a rua, quase fora atropelada por uma moto que passava em alta velocidade. A mulher conseguiu alcançar a pequena e levá-la de volta à segurança. Dentro do carro, Luís estava totalmente desolado e desconsolado.

― Nesse final de semana iríamos a Jorvet conhecer a praia. ― A fala era fraca e sem esperança. Os planos felizes agora entravam na categoria de um mero sonho que seriam a companheira de cela dos próximos meses.

Os procedimentos na delegacia foram rápidos e logo Luís saía da posse de Ella para outro cadete. A loira bem que queria saber qual seria o destino do homem e quanto tempo ele passaria preso, mas Eva logo a chamava para as ruas novamente.

― Se você quer viver essa vida, aprenda a não se envolver emocionalmente. ― A voz da tutora rompia o silêncio entre as duas. Eva nem olhara para a aspirante quando falara isso, mas, o fato de ter dado a “dica”, significava que a mulher via um potencial na loira. ― Vamos patrulhar um pouco as ruas. Ainda preciso avaliar algo em você antes de fazer meu relatório.

As jovens seguiam em direção à praça Cascata. Eva pegou a pokébola que havia usado na Skitty e usou o dispositivo de liberação de pokémon. Um feixe azul surgia revelando a felina que logo corria assustada em direção aos arbustos. A praça exibia suas cerejeiras já sem as flores e folhas rosadas devido ao inverno. Os diversos arbustos espalhados pelo lugar traziam um clima bom para passar as tardes na época do verão. A calma do lugar só fora quebrada pelo som de gritos. Ao se virar, Ella via uma jovem no chão enquanto um homem com uma máscara corria com uma bolsa na mão.
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Capítulo 2 - O Sonho De Uma Criança Empty Re: Capítulo 2 - O Sonho De Uma Criança

Mensagem por Ella Van Harper em Sex 29 Jul 2016, 00:27

Ver aquela pequena garota correr atrás de um carro em movimento foi o suficiente para que lágrimas rolassem pelo meu rosto. Ainda conseguia sentir o choro intenso da menina que fora separada da única familia que ainda a restava, de um pai que apenas a amou muito e que amaria até o fim de sua vida. Era um crime cuidar do bem estar de sua filha? A lei possuía muitas caras e essa, com toda a certeza do meu coração, era a que mais me doía. Eu estava entendendo a realidade da vida de um Cadete, as adversidades, as guerras internas constantes... Eu aguentaria?

Chegamos na Delegacia e tudo foi rápido. Queria muito saber o que aconteceria com o senhor Luis, mas logo fui chamada por Eva, a mulher que parecia inabalável, onde ela me deu um "toque". Seria difícil manter meus sentimentos longe de tais situações, mas eu tinha que conseguir manter o foco no teste.

- Sim, Cadete!

Minhas palavras foram objetivas e desprovidas de sentimento, mas por dentro meu coração se quebrava cada vez mais, como um vidro que levou uma pedrada e ficou completamente rachado, e com a força do vento cada pedacinho vai se soltando e espatifando-se no chão. O caminho que eu estava trilhando era doloroso e eu me perguntava se era isso mesmo que Arceus queria para mim, não me sentia forte o suficiente para encarar aquilo, ou será que eu era? Teria que buscar as respostas dentro de meu coração.

Eva e eu seguimos para a praça Cascata, onde a minha superior liberou uma assustada Skitty que logo correu para os arbustos ali perto. Iniciamos uma ronda pelo local e logo avistamos uma ocorrência. Uma jovem estava caída no chão e um homem mascarado corria com uma bolsa em mãos. Era hora de agir.

- Cadete, cheque se a moça está bem. Vou seguir atrás do homem mascarado!

Liberei Meowth e Shinx pedindo para que ambos fossem atrás do homem mascarado que corria um pouco à frente. Eu não era muito rápida, mas a Meowth era bem mais. Caso ela o alcançasse, alertei para que derrubasse-o com um poderoso Scratch nas pernas. Seria um teste e tanto.
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