[+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Ir em baixo

[+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Alice em Sex 27 Mar 2015, 11:29


Ootsuka City: A Origem do Silêncio


Quinze anos haviam se passado desde a queda de Arceus. Quinze anos em que humanos e pokémons trabalharam juntos para reerguer cidades e começar uma nova história da humanidade, onde deveria reinar a paz e a colaboração. Quinze anos construindo um sonho que estava destinado a ruir rápido demais em uma cidade específica.

Mirnija City se erguia entre uma floresta e um vulcão inativo, gloriosa em sua estrutura, soberana em seu equilíbrio. Inúmeros pokémons faziam da crescente cidade seu lar, encontrando abrigo em prédios projetados para recebê-los e um povo contente em tê-los por perto. Até mesmo os pokémons mais agressivos se amansavam perante a paz que reinava no ambiente, deixando de causar ruínas e explosões.

Contudo a bela Mirnija nascia não sobre a paz e a harmonia, mas sobre algo que Arceus acreditou ter extinguido em seu último sacrifício.

Usando a energia do vulcão e oculto por suas paredes adormecidas, segredos se ocultavam. Entre as nuvens de um sonho dos antigos, a ambição começava a brotar, reconstruindo o que poderia levar a humanidade novamente aos braços da dor e da morte.

- Como estão os testes?

Júlio Ender questionava. Homem de 35 anos que pode tocar no corpo de Arceus durante a queda, vislumbrando os últimos suspiros do Sagrado Pokémon e vendo por seus olhos a terra se quebrando e renascendo. Em seus dedos, naquele dia, ficaram os vestígios do sangue do último lendário a cair. Desde então se tornou um voluntário dedicado à reconstrução das cidades, escolhendo Mirnija como seu novo lar.

Ao passar dos anos, enquanto a cidade se erguia sob seus dedos, o subsolo crescia sob seus desejos. Envolto em cobiça, a tecnologia tão incentivada por ele se desviava em projetos obscuros. Usando-se dos Giratinistas, profanando sacrifícios ao antigo Pokémon, o laboratório se equipava.

Prisioneiros da própria genialidade e prisioneiros da ambição, os melhores dentre os melhores abandonavam a luz do sol, passando a viver sob as pedras. Cartazes e familiares os procuravam, acreditando já no pior, porém isso para eles não importava. O desafio à frente era sua sina.

- Muito positivos.

Carolina Ender, sua esposa e maior cúmplice, respondia sem nem ao menos retirar os olhos do microscópio. Em um pequeno tubo de ensaio, os últimos vestígios da existência de Arceus. Para qualquer um, aquela amostra tão pequena e da qual não se poderia obter uma analise de DNA nada representava, porém para ele era o motivo de sua sobrevivência à guerra. Em sua mente, Arceus queria retornar e ele o traria de volta, mesmo que isso lhe custasse sua alma.

Ao lado da esposa, ambos mapearam o DNA dos pokémons ainda existentes, em busca da relação e da semelhança, acreditando viver ai o segredo de Arceus e Mew. O desafio parecia a chama que os incentivava para frente, ignorando qualquer linha da moral.

Ao completar a analise do último Pokémon coletado, um Meowth Shiny roubado da crescente organização Cadete, incumbida de manter a ordem no novo continente, Carolina empurrou sua cadeira até a bancada a alguns metros atrás de si, pegando um relatório e retornando para o microscópio. O sorriso que exibia motivava Júlio e ele sabia que logo chegaria o dia em que tudo mudaria.

Esperando o sinal para o próximo passo a ser dado por sua esposa, Júlio se aproximou dos grandes tubos que logo abrigariam um novo ser. Lembrava-se quando, acidentalmente, os documentos Rockets a cerca da clonagem de Mew e seu melhoramento genético caíram em suas mãos. Toda a estrutura tão bem descrita lhe permitiu a completa reconstrução. Contudo agora ele não buscava o melhoramento de Mew, mas sim seu real retorno ao mundo vivo e, com ele, o DNA mestre que lhes revelaria o segredo de todos os outros e lhes permitiria trazer todos os pokémons extintos de volta a vida. Shinki, o continente do futuro, deveria ser o futuro para todos e não somente para alguns.

- Pronto para a segunda etapa? – Carolina perguntava fazendo um sorriso brotar no rosto de Júlio. Movidos pela ambição, ambos começavam a dar vida para a criatura que não deveria existir.

Após meses mais de estudos, enquanto a cidade acima crescia, comemorando os dez anos de vida do novo continente envolto em paz, no subsolo Júlio comemorava o espécime que começava a tomar forma. A comprida cauda enrolada no corpo, com sua ponta que terminava em uma bela gota. O corpo forte e o coração pulsante segundo algumas máquinas. As patas tão salientes como nas imagens que o retratavam, o pelo rubro e mais escuro do que deveria, porém cobrindo todo o belo e pequeno corpo.

- Parabéns equipe. Em somente uma tentativa, vocês deram vida a um Pokémon que ninguém acreditava que poderia andar sobre a terra novamente. Porém, semana que vem, teremos o renascimento de Mew!

Ao som das palavras de Júlio, a máquina que monitorava os batimentos cardíacos da espécie apitou alto e de forma constante, enquanto em sua tela a linha reta e mortal se mostrava, para desespero de todos que começavam a tentar entender o que acontecera com o exemplar.

- Querido... – Carolina chamava com a voz receosa.

Júlio se aproximava da esposa que estava próxima do tubo de vidro e mirando o espécime. O som da linha mortal ainda preenchendo os ouvidos, enquanto os olhos se perdiam na negritude do olhar de Mew. Seu pelo rubro se iluminava com o negro e, sem deixar vestígios, ele simplesmente desaparecia. As ventosas coladas em seu corpo que monitoravam suas atividades agora flutuavam em torno do líquido que antes o envolvia. Como um fantasma, ele sumia.

Confusos, os líderes da pesquisa ilegal se miraram. Os registros indicavam que o espécime estava no interior do tubo durante os últimos anos, se desenvolvendo de forma satisfatória. Todavia ele sumia e sem o uso do Teleport, parecendo mais um fantasma que se desvanecia no ar. Sem proferir uma palavra, a mulher tocou no vidro pouco antes de ouvir um grito agoniado e repleto de medo.

Passos ecoavam pelos corredores, carregados de pressa e de medo. Ao chegarem na sala onde as amostras eram mantidas, o fogo os afastou. Júlio gritava desesperado enquanto seus colegas o seguravam. O olhar vidrado na luva que estava suja com o sangue de Arceus, imersa nas chamas e se consumindo. Os corpos dos responsáveis pelo setor estavam caídos no chão, completamente sem vida e abandonados ao fogo.

Mais gritos preenchiam os corredores, superando o crepitar das chamas. Passos agora vagarosos percorriam os corredores de forma temerosa. Os olhos buscando a origem de tantas mortes. Carolina, Júlio e outros três cientistas envolvidos no projeto avançavam receosos, deixando para trás cada novo corpo que encontravam. Nenhum deles possuía cicatrizes ou hematomas. As vítimas pareciam simplesmente ter caído sem vida, como cascas vazias.

Repentinamente o grupo parava de avançar, enquanto as paredes antes brancas começavam a se cobrir de sangue. As gotas deslizavam até tocar o chão e, a cada nova gota, o corpo mais próximo parecia secar como se fosse drenado. O rosto da vítima ficando marcado no quadro vermelho que a parede se tornara.

Apavorados, o grupo tentou retornar correndo. Os pés os levando para longe do rubro assustador, contudo o sangue era melhor do que o vermelho a frente. Com o corpo do adorável e brincalhão Mew, o pelo carmim e os olhos plenamente negros, como buracos para o vazio, o espécime dado como morto pelos equipamentos flutuava, impedindo o avanço.

O grupo permanecia imóvel, indecisos entre avançar ou fugir. Um dos homens, contudo, se deixou ser dominado pelo medo e recuou apavorado. Em sua fuga, o espécime que deveria ser Mew pareceu mirá-lo e, desaparecendo no ar, reapareceu ao lado do corpo do homem que caía morto no chão. Seu corpo sem ferimentos e o espécime tocava as patas em sua cabeça. Onde os dedos sem garras tocavam, fendas surgiam, perfurando a caixa craniana e deixando o sangue escorrer livremente.

Ele parecia se atrair pelo vermelho...

Em sua distração, os últimos quatro sobreviventes fugiram. Ao passarem pelo extintor de incêndio, no entanto, um deles parou e pegou um machado, determinado a destruir a criatura desenvolvida no laboratório. Quando o falso Mew chegou, a lâmina o atravessou como se cortasse o puro ar. Sua imagem tremeluziu, como a névoa, porém logo voltou ao normal. O olhar sem olhos acompanhando a queda de mais uma vítima. Em sua distração, nem ao menos tentou fugir do ataque de um Growlithe. As chamas lhe atravessando o corpo, novamente, como se nada fosse. O Pokémon, contudo, logo gania no chão. Seu olhar parecia surpreso e seu pelo se desintegrava como se estivesse sendo queimado. Para o homem que o soltara, aquilo não fazia sentido, porém logo o canino estava morto a seus pés. A pele já sem pelos totalmente negra de queimaduras.

A agonia reinava para o casal sobrevivente. Abraçados dentro de um armário, assistiram ao Pokémon vermelho flutuar cada vez mais alto até desaparecer no telhado do laboratório. Levaram ainda algumas horas para aceitar abandonar o armário e correrem pelas escadas até a superfície. O arrependimento veio pelo som antes dos olhos...

Sob a luz do sol, os prédios brancos se tingiam de negro e o grito da população local criava a sinfonia mais cruel e satânica que o casal já ouvira na vida. Assustados, tentaram retornar para o laboratório onde se sentiram seguros, porém a porta já não abria, como se o prédio não os quisesse mais em seu interior. Sem escolhas, Carolina e Júlio começavam a cruzar a cidade correndo, se perdendo em meio a outras pessoas com o mesmo objetivo.

À frente deles, uma mulher caía no chão e seu corpo secava, ficando parecido com uma múmia ressecada pelos anos. A vida totalmente drenada e o sangue subindo pelas árvores que murchavam a olho nu. Em sua corrida desenfreada por proteção, Carolina tropeçou no que um dia fora uma criança de cinco anos. Em sua queda, o olhar assustado vislumbrou o espécime flutuando em frente alguém que não parecia ter medo e que parecia o tocar.

- Isso é possível? – Júlio perguntou, mirando a cena sem compreender também como o Seguidor de Arceus podia tocar na criatura que não existia. Aproveitando a distração, o cientista se lançou contra o Pokémon para imobilizá-lo e terminar com sua crueldade, não importando a técnica usada pelo estranho ser. Contudo seus dedos atravessaram o corpo vermelho, exatamente como a lâmina do machado e exatamente como as chamas de Growlithe. A criatura não existia realmente, porém o homem de fé a tocava.

Tardiamente Júlio percebeu que o falso Mew e o Seguidor pareciam de alguma forma conectados. O rubro Mew abria a boca, querendo gritar em agonia e o Seguidor caía no chão, apertando a cabeça desesperadamente. Nenhum som era emitido pelo Pokémon de laboratório, porém o Seguidor parecia ter centenas de vozes diferentes em seu grito agonizante e enlouquecido. Para Júlio era como se todos os pokémons usados para a criação de Mew deixassem escapar seus gritos perante a morte através do religioso.

Ao som daquela voz inumana, os cidadãos vivos e diversos Pokémons selvagens começaram a cair, como se não aguentasse a dor que aquele grito despertava em seus corações. Em meio a tantas mortes, Júlio perdia a vida a tempo de ver o corpo de Carolina se partir em vários, como se no ar diversas lâminas existissem e fizessem seu trabalho.

Sem ver as mortes, o enlouquecido Seguidor começou a pegar pedras do chão, tentando comê-las. O desespero pelas pedras que destruíam seu estômago o faziam cavar o chão de concreto com os próprios dedos, deixando-os em carne viva e perdendo as unhas em meio a terra que começava a se mostrar.

Mew flutuava sério novamente. O pelo rubro e o olhar negro e vazio, mirando o religioso, único a poder tocá-lo e condenado a perder a sanidade por tal feito. A cidade, com a morte do Seguidor de Arceus, imergia no silêncio que passaria a ser sua assinatura. Nenhum habitante conseguira escapar e, com o passar dos anos, os prédios se transformariam em ruínas. Poucos pokémons ousaram permanecer vivendo na agora Ootsuka City. Ninguém foi capaz de diagnosticar o ocorrido, porém pessoas enlouquecidas foram encontradas em meio às ruínas. Em suas loucuras, contam sobre o Mew vermelho, tão silencioso e intocável quanto um fantasma. Quem o viu e não enlouqueceu, são desacreditados em suas histórias, quando aceitam compartilha-las...

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Luna Yum em Sex 27 Mar 2015, 13:25

Medo dessa cidade, apesar que a história torna-se tão interessante quando o temor em visitá-la.

De onde vem tanta inspiração? @w@

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Emme Roinuj em Sex 27 Mar 2015, 13:53

Nossa, história bem macabra. Estou com medo da cidade, mas também tô curioso pra saber o que posso encontrar na cidade. Ah... Medinho ><

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Chris Storm em Sex 27 Mar 2015, 14:50

Muito boa. Onde eu fui amarrar minha Ponyta?
Temo por minha vidinha agora. Sai pra lá capiroto What a Face

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Henri Sollari em Sex 27 Mar 2015, 15:28

Peraí, vou anotar algo no meu bloquinho: Nunca ir em Silent City. X_X Fic de terror, O M A!!!

Parabéns Ali! ^^

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Yurisas em Sab 28 Mar 2015, 01:09

Muito boa essa, Ali.

Já tava nos meus planos visitar a cidade, agora então...

Só queria saber o que foi feito do "Mew" '-'

Quem sabe eu não descubra indo lá (Pensando bem... Melhor não descobrir, né?)

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [+16 anos] [Oneshot] Ootsuka City: A Origem do Silêncio

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum