A família Sollari

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Mensagem por Henri Sollari em Sab 18 Jul 2015, 14:16



Última edição por Henri Sollari em Sex 02 Dez 2016, 00:23, editado 17 vez(es)
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 18 Jul 2015, 14:21

I - Ansiedade e espera

A neve, como sempre, caía sobre Ragnarök. A cidade estava um pouco silenciosa. Todos aguardavam os acontecimentos de um certo lugar. Na Grande Avenida, próxima à Arena, havia uma grande e bela mansão. O lugar era tão grande que, quem olhasse do lado de fora dos portões, só enxergava uma pequena casa ao horizonte. Os muros eram de um branco puro que se confundia com a neve e o portão gradeado, de uma altura de quase cinco metros, era de uma cor dourada bem viva. No topo do portão estava localizado o brasão da família.

Não se via um jardim na grande extensão de terra antes de se chegar à mansão. Tudo era coberto por neve. Mas o que carecia de grama, plantas e flores, era rico com belíssimas esculturas de gelo que decoravam todo o lugar. Havia também uma pista de gelo para a recreação.

A mansão era enorme. Era branca com detalhes dourados que rodeavam toda a construção. No topo da entrada, novamente se encontrava o respeitado brasão da família. Era um majestoso Sol dourado, com a letra “S” encravada e com os inscritos: “Solem nunquam occidere” (O sol que nunca se põe). Era um brasão respeitado e temido.

Dentro da mansão, eram evidentes o luxo e o bom gosto. O Hall possuía um grande tapete com o brasão. Uma escada de mármore branco se insinuava para cima, enquanto retratos da família decoravam a parede. Um pouco fora do usual, empregados passavam correndo esbaforidos pelo Hall. Alguns levavam toalhas brancas, outros bacias com água morna.

Ao subir as escadas que davam para um extenso corredor onde ficavam os quartos, percebia-se dois homens parados próximos a uma porta. Júlio e Samuel Sollari. No rosto de Júlio, estavam claros os sinais de alguém que estava ansioso e preocupado; aos seus pés, um persian repousava tranquilamente balançando sua cauda de um lado a para o outro. Samuel permanecia mais alheio enquanto deslizava suavemente a mão sobre a cabeça de seu Persian.

Do lado de dentro do quarto, se encontravam um grupo de mulheres ao redor de uma cama. Todas transpareciam os mesmos sentimentos de Júlio, mas não com a mesma intensidade que ele. Na cama, uma mulher ofegante em trabalho de parto e o médico mais experiente da cidade estava ali justamente para isso. O nome dela era Clarisse Sollari, a mulher que geraria seu primogênito naquele dia.

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Mensagem por Henri Sollari em Qua 22 Jul 2015, 13:37

II ─ Um novo sol nasce


Boa parte dos moradores da cidade aguardavam o nascimento com entusiasmo. Outra parte ignorava o fato por odiar a família. O sobrenome Sollari carregava um fardo. Uma família tradicional por vezes é bem aceita, mas as vezes é rejeitada. A parte pobre da cidade menosprezava todos os Sollari. A família possuía grande influência com o ministro da cidade e influenciava em algumas decisões. Mas esta influência se expandia por toda a Shinki. Os olhos da família estavam em toda a região.

── Quanto tempo mais vai demorar? – Júlio estava impaciente e nervoso. Samuel mantinha uma expressão neutra enquanto olhava para o chão.
── Nem mesmo a nossa influência poderia acelerar esse processo, Júlio. Já pensou caso não for um garoto?

Júlio ignorou a pergunta do irmão e mantinha o olhar fixo na porta do quarto. Um choro de uma criança ecoava pela mansão exigindo seu direito à vida. Júlio se levanta e entra depressa no quarto e se depara com a cena que o fez chorar pela primeira vez: seu primogênito nos braços de sua amada esposa. Samuel ficou na porta não muito contente com o fato da criança ser um garoto.

O Persian de Júlio entrou no local e deitou-se aos pés de Clarisse. A criança era linda e já transparecia a força que o sobrenome Sollari carregava. Os belos e poucos cabelos prateados (símbolo da família) eram ajeitados pelas mãos da mãe. Os olhos de cor púrpura se mexiam depressa como se investigasse todo aquele lugar repleto de pessoas. Clarisse o encostou junto ao seio e deu de mamar.

── Seu nome será Alexander ── disse o pai se sentando à cama e olhando afetuosamente para a cena.

As empregadas deixaram o quarto junto com o médico. Samuel suspirou e voltou para o corredor. O homem mordeu o lábio inferior e parou furioso junto à escada que dava para o Hall. Pegou o celular do bolso e ligou para a esposa.

── Um garoto! O garoto que será o herdeiro do patriarcado Sollari. Nosso filho será apenas uma sombra.

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Mensagem por Emme Roinuj em Qui 23 Jul 2015, 16:57

Amei. Quero mais >.<
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Mensagem por Henri Sollari em Qui 23 Jul 2015, 17:49

Fico feliz que esteja gostando ^^
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Mensagem por Henri Sollari em Seg 31 Ago 2015, 23:01

III — Linhagem

Desde os primórdios, os fortes eram separados dos fracos. Estes deviam servir àqueles para poder ter comida e proteção. A família Sollari conseguiu criar fortes raízer em Ragnarök  ao deixar bem claro qual era a sua posição na cadeia alimentar. Mas até mesmo dentro da família, havia divisões que geravam uma certa guerra fria.

Júlio e Samuel eram irmãos e descendentes diretos de todos os bens da família espalhados por Shinki. Mas o fato de Júlio ser o primogênito concedia a ele poderes que Samuel nunca teria. Júlio era o patriarca da família e sua linhagem receberia 75% dos bens. Samuel nunca fora feliz por tal posição e sempre olhou com desprezo essa injusta divisão.

Júlio e Clarisse estavam tendo problemas para ter filhos. Várias tentativas eram fracassadas e os médicos não sabiam identificar o que impedia a gravidez. Uma esperança surgia na frente de Samuel. Caso Júlio não conseguisse um herdeiro, a linhagem direta passaria para o primogênito de Samuel. O jogo seria virado e ele assumiria a posição que sempre desejou.

Quando Arthur nasceu, Samuel se tornou o homem mais feliz em toda a Shinki. O universo parecia conspirar ao seu favor. Mas tudo mudaria na fatídica noite em que Clarisse tivera seu primeiro enjoo. O médico confirmara o novo ser que crescia dentro da mulher. Tudo aquilo parecia um milagre na vida de Júlio e Clarisse, exceto para Samuel. O homem teve que engolir todo o seu ódio e voltar para a sua posição de linhagem secundária. Samuel ainda acreditava que, caso o primogênito de Júlio fosse uma mulher, a linhagem passaria para seu primogênito homem. Até mesmo esta última esperança fora perdida.

Do outro lado do telefone, Cassandra, a esposa de Samuel, ouvia com a atenção o desabafo do marido.

— Querido, mantenha-se calmo e focado. Não se desespere — a voz da mulher era firme — Você sabe que este mundo é perigoso. Ninguém está livre da violência.

Samuel deu um sorriso malicioso e deixou a mansão Sollari em seu carro.
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Mensagem por Henri Sollari em Qua 09 Set 2015, 22:23

IV — Mundo de violência (parte 1)

●1 ano depois●

— Já faz um ano que Samuel não entra em contato conosco — Clarisse acalentava Alexander nos braços enquanto falava com o marido.

— Ele havia dito que sairia em viagem com a família. Além do mais, temos algo mais importante para nos preocupar — Júlio se aproximou da esposa e beijaou o filho que adormecia tranquilamente.

— Estou um pouco cansada. Vou colocá-lo no berço e me recolher. Você ainda irá para a reunião?

— Sim. O ministro da cidade quer me propor uma sociedade para iniciarmos um empreendimento juntos.

— Boa sorte! — a voz de Clarisse soou doce e acalentadora. A mulher se despediu do marido com um beijo e subiu para o quarto.

Júlio pegou o casaco que estava pendurado no cabide e deixou a mansão em seu carro.

*****

A noite avançava e o silêncio dominava a mansão dos Sollari. Clarisse dormia em seu quarto enquanto os seguranças patrulhavam o perímetro como de costume. Oito seguranças mantinham a vigilância na área externa da mansão. Quatro duplas cobriam os quatro lados e mantinham contato entre si. De hora em hora, as quatro duplas comunicavam entre si para passar um relatório sobre a situação do local.

— Torre Leste, copia? — o chefe de segurança chamava pedindo o relatório, mas ninguém respondia. — Torre Leste, copia?

No chão, o rádio continuava a emitir a voz do chefe. Ao lado, dois corpos sem vida repousavam no chão com dardos presos aos pescoços. Uma silhueta caminhava calmamente em direção a uma das janelas da mansão e a quebrava.

O barulho da janela sendo quebrada foi o suficiente para acordar Clarisse que sempre tivera um sono leve. A mulher se assustou, mas pensou rápido. Ela se levantou rapidamente e se dirigiu até a escrivaninha do quarto. A mulher apertou um botão localizado debaixo da escrivaninha que acionava o alarme da mansão. Instantaneamente, um alto som agudo dominava toda residência. Clarisse abriu uma das gavetas e pegou uma pokébola que sempre ficava ali na ausência de Júlio.

Clarisse não tinha licença e nem pokémons próprios, mas Júlio sempre deixava um dos seus para garantir um pouco mais de segurança. A Sollari correu até o quarto do filho e trancou a porta.

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Mensagem por Mathito em Seg 23 Nov 2015, 14:56

Interessante.
Acompanharei '3'
Mathito
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 28 Nov 2015, 14:36

Bem vindo ao fórum Mathito ^^ Espero que esteja se divertindo \o\
e fico feliz que esteja gostando da fic :3
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 28 Nov 2015, 14:42

V — Reunião de negócios

— Para onde estamos indo, senhor?
— Siga para a arena, Estêvão.

Estêvão era o motorista particular da família. Beirando os quarenta anos, o homem era de extrema confiança de todos. Dedicara toda a sua vida para servir bem aos Sollari e aos seus descendentes. A pele morena, queimada pelo Sol, acusava que não era nascido em Ragnarök. O cabelo bem penteado para trás e um simples bigode bem desenhado no rosto davam um aspecto sério e contemporâneo.

— Hoje a noite está tranquila, mas acho que vai nevar — Estêvão continuava a falar enquanto olhava pelo retrovisor esquerdo.
— Pode ser que sim — Júlio olhava pela janela com uma expressão perdida.

O carro virou na rua da fé e parou diante a entrada do cemitério. A arena ficava no centro do local e, àquela hora, o ambiente não deixava de ser assustador. O motorista abriu a porta do carro deixando Júlio sair. O Sollari abotoou o paletó e olhou para os portões negros.

— Vá dar uma volta, Estêvão. Me busque daqui a duas horas.
— Entendido, senhor.

Estêvão entrou no carro e virou para a Grande Avenida novamente. Júlio continuou parado em frente ao cemitério esperando por algo. Não demorou nem cinco minutos e um táxi parava diante dele.

— Você demorou — o homem entrou no táxi e partiu para a o hotel Nokori na rua Glalie. O Sollari foi direto para o elevador e parou no quinto andar em frente a um apartamento específico. A porta abriu e revelou uma bela mulher em uma lingerie vermelha. Os cabelos loiros caiam pelos ombros. Os olhos azuis se assemelhavam a um dia de céu claro. Os lábios vermelhos pareciam hipnotizar qualquer um que os fitasse por alguns segundos.

— Espero que esteja preparado para uma longa e demorada reunião — a loira puxou Júlio para dentro do quarto e fechou a porta atrás de si.
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Mensagem por Henri Sollari em Sex 15 Jan 2016, 23:23

VI ― Mundo de violência (Parte 2)

― Droga! Por que você não atende, Júlio? ― Clarisse estava trêmula enquanto olhava com descontentamento para o celular. No outro braço, o pequeno Alexander dormia tranquilamente ― Vai ficar tudo bem, meu pequeno raio de Sol ― a mulher chorava silenciosamente.

O invasor subia as escadas da mansão tranquilamente. O caminho para o quarto da criança parecia já ser conhecido. Parou diante a porta trancada. A respiração profunda e longa emitia um leve barulho aterrorizador.

― Seviper ― o som da voz fria e calma foi o suficiente para que a serpente surgisse e destruísse a porta.

Clarisse gritou enquanto apertava a criança contra o peito.

― Leve o que quiser, mas deixe meu filho em paz!

― Mas estou aqui justamente por ele. Seviper.

A serpente rastejou rapidamente em direção à mulher e a envolveu em seu abraço. O veneno escorria pelas presas e o desejo de matar era nítido. O intruso caminho calmamente em direção à Sollari.

― Tão linda. Tão jovem ― o homem alisou o rosto da mulher, mas esta logo virou o rosto em desprezo.

― Os cadetes já estão a caminho! ― Clarisse não demonstrava medo. Diante aquela situação, tentava ao máximo manter-se sob controle.

― Não se preocupe comigo. Já estou de saída ― o homem tomou a criança dos braços de Clarisse e a fitou por um momento.

― Alexander! ― o grito aflito era abafado por uma pressão da serpente seguido por um hálito tóxico da serpente.

Clarisse caía no chão fraca e envenenada pela serpente. O homem deixava o quarto com a criança e o Seviper e voltava para o hall e em seguida para a área externa .

Durante o caminho, o homem começou a sentir um peso extra nos braços.

― Mas o quê...? ― a criança caiu no chão e se transformou em um Zoroark ― Maldita mulher! ― o frito de ódio ecoou pelo jardim ― Seviper!

A cauda do seviper ganhou uma tonalidade roxa e a serpente avançou vorazmente contra ao noturno. O zoroark bloqueou a cauda venenosa e revisou com um corte noturno.

Enquanto só Pokémons batalhavam, o homem tentou voltar para a mansão, mas teve sua passagem bloqueada pelos seguranças das outras Torres.

― Parado! Ponha as mãos na cabeça e se ajoelha! ― quatro seguranças apontavam suas armas para o intruso. O homem começou a se ajoelhar e a levantar as mãos, mas um sorriso sarcástico surgiu no rosto do homem.

― Vicreebell!

Antes mesmo que um novo Pokémon surgisse, as armas disparavam contra o homem. A neve ganhava a tonalidade vermelho rubro. Zoroark, que fora treinado como protetor, acabava de terminar sua batalha contra a serpente.

No quarto de Alexander, Clarisse rastejava até o berço. A pokébola do zoroark permanecia aberta no chão. Com um certo esforço, a Sollari se levantou e olhou para o berço que estava coberto. Afastando os panos, a mãe admirou o filho que já havia acordado.

― Mamãe está aqui, meu Sol ― lágrimas escorria pela face alva da mulher enquanto ela acariciava a criança ― Mamãe sempre vai estar aqui ― Sem conseguir mais manter-se em pé, a mulher caiu no chão. O veneno da serpente já havia se espalhado o suficiente. Um último olhar para o berço. O último suspiro.
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Mensagem por Emme Roinuj em Seg 25 Jan 2016, 23:41

Por Arceus *------------------------* Cada vez melhor <3
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 20 Fev 2016, 22:33

Interlude
Quando um sol se põe

No horizonte, o Sol se despedia deixando o céu em seus tons vermelhos e alaranjados. Os flocos de neve caíam de forma tímida e dançavam por todo o cemitério. Um deles caiu e se desmanchou no terno de Júlio Sollari. O homem mantinha-se sentado ouvindo atentamente as palavras do sacerdote. Os óculos escuros ocultavam os olhos violetas. Um pouco atrás, uma das serventes servia de babá para o pequeno Alexander que dormia tranquilamente.

De fato, era tradição na família Sollari sepultar seus mortos ao pôr-do-sol. Ragnarök estava surpresa com o assassinato de Clarisse Sollari. Todos colocavam em cheque a força da família e a influência dos mesmos. Ter a casa invadida por um qualquer era um insulto ao prestígio dos Sollari. O caso se agravava com a morte da matriarca. Samuel Sollari se fazia presente assim como sua esposa e o primogênito que era poucos meses mais velho que Alexander. As feições de Samuel eram um misto de satisfação e insatisfação. Os olhos do homem miravam o sobrinho que adormecia.

A cerimônia demorou aproximadamente uma hora. Júlio permaneceu ali diante a lápide da esposa. Clarisse sempre fora uma mulher forte e honrou isso até o último momento. A mulher que não veria seu filho dizer as primeiras palavras, dar os primeiros passos e correr pelos corredores da casa. Enquanto estava ali no cemitério, uma coisa veio certa na mente de Júlio. Ele sabia que o invasor da casa era um mero subalterno. Ainda havia alguém a ser eliminado.


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Mensagem por Henri Sollari em Ter 15 Mar 2016, 21:32

VII ― Encarcerados

•••9 ANOS DEPOIS•••

 
A mansão mantinha-se em silêncio. Desde a morte de Clarisse, tudo ali exprimia um eterno luto. Mas o véu negro do luto ficava ao lado da espada da guerra. A segurança fora reforçada ao máximo. Ninguém entrava ou saía sem as devidas permissões. E isso valia para os próprios moradores.

Júlio nunca conseguira encontrar o mandante da invasão da casa. Seguira algumas pistas, mas sempre eram frias. Apesar do passar dos anos, a falta de respostas o deixavam inquieto e paranoico com as pessoas. De certo, o comportamento do homem mudara. Quem fora o mandante do crime, conseguiu realizar um trabalho que deixou sequelas nos Sollari.

Entre os corredores e escadas, o sorriso de uma criança contrastava com todo aquele ambiente. O último suspiro de Clarisse corria e brincava. Alexander era a parte viva em toda a mansão. Descendo pelas escadas, quase que saltando por entre os degraus, a criança perseguia o que parecia ser uma cópia dele. Com um impulso, o garoto pulou em cima da “cópia” e pôs-se a rir. A ilusão era desfeita e Zoroark se revelava fazendo um afago na cabeça do pequenino. As risadas traziam vida para as paredes frias.

A porta principal da mansão se abriu e Júlio surgiu. A cena e o “barulho” (assim que ele chamava as risadas) não deixavam o homem nem um pouco satisfeito. Zoroark se levantou imediatamente e reverenciou o patriarca.

― Zoroark, você é o guarda-costas de Alexander e não o amigo dele. Faça seu trabalho! ― a voz ríspida parecia rasgar o próprio ar. ― E quanto a você ― se voltava para o filho ― não deveria estar se preparando para sua aula? Vá para seu quarto e aguarde seu mestre.

O garoto mantinha a cabeça baixa e não falou nada, apenas se retirou para aguardar pelas aulas particulares. Alexander não podia deixar a mansão. O sacrifício da mãe era para ver o filho livre, agora a loucura do pai o encarcerara.

Júlio seguiu para o escritório e trancou-se lá. Ao fundo da sala, um quadro estava encoberto por um tecido vermelho. O homem se aproximou e puxou o tecido. Fotos de lugares e pessoas, datas, informações, rascunhos, linhas ligando tudo... o painel que definia a vida de Júlio. O Sollari se sentou em sua poltrona de couro de Charizard e ficou observando o painel. O costume diário que consumia as tardes e noites.


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Mensagem por Henri Sollari em Qua 23 Mar 2016, 15:28

VIII ― Planos para o futuro


― Terminamos por hoje, senhor Alexandre. ― o mestre do garoto mirou o relógio de bolso e começou a recolher seus pertences.

Mestre Laerte aparentava ser mais velho do que realmente era. Já com seus trinta e cinco anos os fios grisalhos já surgiam timidamente pelo cabelo, mas eram ocultos por chapéus sociais. Os olhos castanhos sempre demonstravam cansaço e as olheiras acusavam as noites mal dormidas, mas eram bem analíticos e não deixavam nada passar despercebido. A voz era sempre branda e nunca a alterava em hipótese alguma. Não era apenas um mestre aos seus alunos. Sempre se portava como um pai. O homem sabia sobre o rigor na mansão, mas também sabia o quão isso era prejudicial para uma criança em desenvolvimento.

― Senhor, deve saber que esta semana o circo de Chermont chegará à cidade para uma apresentação. Posso recomendar sua ida como uma atividade extraclasse.

Alexander permanecia sentado à escrivaninha com a cabeça apoiada em um livro de história pré-Arceus. O jovem mantinha o olhar perdido em direção à janela que dava em direção à Grande Avenida. Zoroark estava sentado sobre a cama observando o garoto. O pequeno Sollari não tinha momentos recreativos no lar, nem mesmo com o próprio pai. As escassas exceções eram fornecidas pelo pokémon dark que tinha grande afeto por ele. Lentamente a criança ergueu a cabeça e se virou para Laerte com uma expressão nem um pouco esperançosa.

― O senhor pode tentar, mas acho difícil o papai deixar... ¬― Alexander hesitou por um momento e mirou a janela mais uma vez antes ― Eu gostaria muito de ver o circo, senhor Laerte. ― O pedido parecia uma súplica de um cativo. O tom se assemelhava ao de um condenado à morte realizando seu último pedido. Mestre Laerte sorriu levemente e despediu-se deixando o quarto logo em seguida.


ᴥᴥᴥᴥᴥ


Samuel fitava a esposa que preparava um lanche para as crianças. Além do primogênito Heitor, que era alguns anos mais velho que Alexander, o casal tivera uma linda garota a qual puseram o nome de Ágatha. O homem parecia perdido com seu olhar. Ao mesmo tempo que parecia apreciar a cena, também aparentava não estar ali.

― Querido, Júlio está muito fragilizado desde a morte de Clarisse. Você deveria vê-lo mais vezes.

O homem lançou um olhar de reprovação para a mulher.

― Júlio perdeu a sanidade, Cassandra! Só pensa em vingar a esposa. Os negócios já estão indo mal.

A mulher passou por detrás do marido deslizando as mãos por sobre os ombros. O sorriso de Cassandra era perigoso, sarcástico. A mulher se abaixou e falou bem próximo aos ouvidos do homem.
― Então outra pessoa capaz precisa tomar o poder. Alguém centrado que possa manter o nome dos Sollari antes que caiamos como os lendários. ― a mulher falava enquanto passava as mãos pelo peito do homem quase que em um abraço. ― Soube que há um grupo de resistência que não concorda com o atual cenário político de nosso país. Agora, junte o útil ao agradável.

Um sorriso surgiu no rosto de Samuel.


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Mensagem por Henri Sollari em Seg 16 Maio 2016, 17:46

IX ― Latrice Brehm



O branco de Ragnarök começava a ser ornamentado com diversas cores e brilhos. A população, principalmente os stylist, cooperavam para embelezar a cidade que iria receber o circo de Chermont naquele dia. Bandeirolas, luzes pisca-pisca, serpentinas e balões davam um novo toque à cidade. A neve não passava de uma tela onde a nova Ragnarök era pintada para receber a glória do circo.

Encostado ao portão dourado, Alexander mirava as pessoas passando alegres. A criança olhava com um certo brilho nos olhos. Por mais que o Júlio fosse duro em manter a segurança do filho, o pequeno Sollari ainda tinha a esperança de receber a permissão para sair.

― Senhor Sollari, o almoço já está posto! ― Da porta da mansão, uma mulher chamava. Alexander não queria sair dali, mas ele bem sabia como o pai ficava quando ele se atrasava para algo. Lançando um último olhar para a rua, a criança correu de volta para dentro.

― Obrigado, Latrice!

Latrice Brehm era uma das governantas mais confiáveis da mansão. A mulher estava na casa dos quarenta anos, mas a genética, ou talvez uma bênção divina, conservava sua beleza. Os belos cabelos negros estavam amarrados em um coque. A roupa executiva poderia fazer qualquer um confundi-la com uma empresária. O corpo esquio abria passagem para que o pequenino passasse. Os olhos verdes miravam o garoto com uma expressão de carinho. De certo, a mulher era uma grande confidente de Alexander e o tratava com um amor maternal. Ao fim, Latrice fechou a porta.

A mesa do almoço já estava posta. Júlio já estava sentado e parecia estar finalizando algum trabalho no notebook. Latrice se aproximou e ficou em pé próxima à mesa.

― Desculpa o atraso! ― Alexander se aproximou já cauteloso e sentou-se à mesa. Júlio permaneceu em silêncio.

Os empregados começaram a servir a refeição enquanto o silêncio ainda reinava na mesa. Alexander olhava de relance para o pai esperando que alguma novidade fosse dada. O coração da criança palpitava. Àquela altura, Júlio já deveria ter recebido e lido o pedido de Mestre Laerte para deixá-lo ir ao circo como atividade extracurricular. Mas o silêncio permanecia. A refeição acabava. Os empregados começavam a recolher tudo. Júlio terminava de beber seu vinho seco enquanto olhava uma última notícia pelo notebook.

― Se já terminou, pode se retirar. ― A voz do homem rompia o silêncio e atingia o coração aflito do filho. Alexander não sabia se deveria falar algo. Por mais que desejasse, a criança temia. Alexander se levantou e caminhou um pouco cabisbaixo. ― Levante essa cabeça. Você é um Sollari! ― A voz de Júlio surgiu novamente. ― Talvez você queira isso aqui. ― Júlio retirou um papel do bolso do paletó e entregou ao garoto. ― O papel estava meio amassado. Seu conteúdo era justamente sobre o que o pequeno Sollari tanto queria saber. A permissão para o circo. ― Que espécie de atividade extracurricular é essa!? Obviamente você está proibido de ir! Vou ter uma conversa séria com Laerte. Agora vá para o quarto!

Os olhos de Alexander umedeceram. O jovem não se atreveu a chorar na frente do pai pois saberia que as consequências seriam piores. Amassando o papel entre as mãos, Alexander correu escada acima e se trancou no quarto.

Latrice lançou um olhar reprovador para Júlio.

― Não me olhe assim. Sei como educar o meu filho.

― Você está se tornando uma pessoa amarga e está contaminando seu filho.

Sem dizer mais nada, a mulher seguiu pelas escadas para confortar o pequeno.


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Mensagem por Henri Sollari em Seg 25 Jul 2016, 14:30

X - "Latrice Brehm"

A noite caía. Diversas cores enfeitavam a cidade. Toda aquela beleza era de encher os olhos. Pessoas passavam dançando pelas ruas. Os stylists estavam mais empolgados que o de costume. Diversas músicas eram entoadas ao mesmo tempo em pontos diferentes. O circo trouxera um novo respiro para Ragnarök. Alguns pokémons selvagens entravam na brincadeira e tentavam participar do festejo enquanto outros, mais tímidos, se escondiam em suas tocas. Um casal de rattatas dividia um pedaço de pão que haviam encontrado o chão até se assustarem com os passos das crianças que passavam correndo por ali. Uma pequena guerra de bolas de neve não poderia ficar de fora.

A mansão estava silenciosa. Júlio já havia se retirado para sua prisão no escritório. Latrice subia as escadas silenciosamente após ter ajeitado algumas coisas na sala de estar e já se retirava para seu quarto. O pequeno Sollari estava debruçado sobre a janela observando de longe toda aquela movimentação. Nunca uma criança quisera tanto ser um pokémon com a capacidade de usar Teleport. Alexander olhou em seu relógio e viu que já passava das dez horas. Naquele horário era para já estar dormindo, mas estranhamente usava suas galochas para neve. Percebendo já estar dentro de sua deixa, o pequeno Alexander deixou seu quarto em silêncio.

Nunca aqueles corredores da mansão foram tão desafiadores quanto agora. A criança caminhava na ponta dos pés evitando fazer qualquer barulho que chamasse atenção. Em suas mãos, uma pequena bolsa de tecido continha um pouco de dinheiro que juntara para gastar no evento. Passar em frente ao quarto de Latrice exigiu um cuidado dobrado. O Sollari bem sabia que a governanta possuía sono leve. Com o pequeno desafio vencido, descia as escadas e rumava para a porta que levava para fora da mansão. Ao tocar na maçaneta, algo veio à sua mente que não pensara antes. Como iria passar pela guarda que ficava vigilante 24h. A mão hesitou por um momento. A mente do garoto trabalhava rapidamente para pensar em algo até que sentiu algo tocar em seu ombro. Ao se virar, Latrice o fitava sem nada falar. O coração disparou. O plano falhou. Antes que a criança se entregasse como um infrator pego em flagrante, Latrice se transfigurava revelando ser Zoroark. O dark sabia o que o pequeno tramava. Antes de decidir o que fazer, uma pequena guerra interna acontecera dentro do dark se deveria ou não impedir o pequeno fugitivo. Zoroark sorriu e revelou um tecido em sua outra mão. Imediatamente a criança entendeu o que iria acontecer.

Do lado de fora da mansão, “Latrice” caminhava calmamente com um pequeno “embrulho” em mãos. Um dos guardas a cumprimentou e desejou que a mulher se divertisse no circo. “Latrice” apenas acenou com a cabeça e se dirigiu para fora da propriedade dos Sollari. O pequeno embrulho se estremecia de alegria. Passar por aquele grande portão dourado era uma grande conquista. A falsa Latrice seguiu direto pela Grande Avenida e virou na rua Branca que fazia esquina com o teatro local. Entrando em um beco, Zoroark voltou à sua forma original e deixou seu pequeno pacotinho no chão. A alegria no rosto da criança não poderia ser maior. Como agradecimento, o abraço mais apertado que já recebera.

Ao lado do Teatro das Auroras, a tenda do circo se erguia majestosa. Alexander parecia estar sob o efeito de algum golpe hipnótico. A criança olhava para cima e admirava todo o esplendor da arte e da alegria. As diversas luzes coloridas refletiam de seus olhos o êxtase de sua alma. Zoroark se transfigurava em uma criança aleatória e ficava parado ao lado do infante. A música tocava alto. A movimentação de pessoas era alta. Diversos palhaços gritavam e chamavam os espectadores “O espetáculo está para começar!” Diversos pokémons diferentes se faziam presentes. Um novo mundo se descortinava.
 


Última edição por Henri Sollari em Qui 28 Jul 2016, 19:21, editado 1 vez(es)
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Mensagem por Henri Sollari em Qui 28 Jul 2016, 19:15

XI ― Amizade

― Senhoras e senhores! Crianças e pokémons! Está para começar a melhor experiência da vida de vocês. Bem-vindos ao circo da família Party!

Fogos de artifício estouravam ali mesmo dentro da lona do circo. Dois pokémons psíquico usavam suas habilidades para controlar os fogos e impedi-los de ferir alguém. As diversas luzes coloriam os rostos dos espectadores que assistiam encantados. Sentados misturados à multidão, Alexander e a falsa Latrice também se encantavam com o espetáculo. A criança segura um pacote de pipoca e assistia extasiado. O olhar paterno de Zoroark sentia satisfação por ver seu protegido feliz.

Dois casais de rapidashes entravam e exibiam sua beleza e domínio com o fogo. As crinas em chamas dançavam a cada movimento dos equinos. Trapezistas saltavam e, enquanto mudavam de um trapézio para o outro, os psíquicos faziam eles levitarem lentamente em cambalhotas para o próximo. Um magmar disputava com seu treinador quem engolia mais tochas de fogo. Dois palhaços e um mr. mime arrancavam risadas da plateia. O mágico, após tirar um buneary da cartola, fazia um número de ilusionismo e escapismo que deixavam todos surpresos e boquiabertos. Diversas atrações encheram os olhos de todos ali naquela noite.

O término do espetáculo fora recebido com uma salva de palmas de todos que presenciaram. O circo ficaria mais um dia antes de retornar a Chermont. O pequeno Sollari já cogitava a possibilidade de retornar ali, mas Zoroark o repreendia por ser muito arriscado. Enquanto caminhava pelas ruas cobertas de neve, uma bola de neve atingiu as costas de Alexander.

― Ei, de cabelo branco! ― Uma voz de garota surgia por detrás. Alexander se virou e viu uma garotinha que aparentava ter a mesma idade que ele. Os cabelos curtos chegavam ao ombro e era de um vermelho vivo. O olhar era audacioso e firme. Um sorriso arteiro estava desenhado na boca. ― Eu sei quem você é. ― As mãos já modelavam outra bola com a neve. ― Você é o riquinho dos Sollari. ― A garota começou a rir e atirou a bola que acertou o rosto do garoto. Assim que viu o que fizera, a garotinha começou a correr.

Sem pensar duas vezes, Alexander começou a perseguir a atacante sem ao menos se importar com “Latrice” ao lado. Zoroark revirou os olhos e começou a caminhar acompanhando o protegido. A ruiva corria pelas ruas com um certo domínio. Alexander a perseguia sem ao menos saber para onde estava indo. O Sollari saía desviando de todos que transitavam pelas ruas e mantinha-se focado na perseguição.

Quando percebeu, a garota se viu na rua Glacial que era sem saída. Sem outra forma de escapar, entrou no Templo das Memórias. Alexander avistou onde a garota entrara e seguiu em seu encalço. Assim que entrou, deu logo de cara com uma grande estátua de Arceus. De forma imponente, o deus parecia observas as ações daquelas crianças. O templo estava silencioso. Sempre era assim, mas tudo indicava que o monge que morava ali havia saído.

― Eu sei que você está aqui! ― O Sollari falava alto enquanto modelava uma bola com a neve. ― Outra bola de neve o acertava nas costas e risadas surgiam novamente. Alexander se virou rapidamente e conseguiu acertar a perna da garota antes que ela se escondesse atrás de uma coluna de madeira.

― Cegueta! Nem consegue acertar um snorlax do seu lado! ― A menina mostrava a língua, mas logo era atingida por uma bola de neve lançada por Zoroark. ― Você não vale! ― Esse descuido dela foi o suficiente para que o pequeno Sollari corresse e se jogasse em cima da “adversária”.

Aos poucos a neve começava a cair com seus finos flocos. A noite avançava. As duas crianças estavam deitadas lado a lado no piso de madeira do templo. Zoroark estava sentado próximo a eles. Os dois miravam o céu e a lua que brilhava intensamente refletindo os raios solares.

― Meu pai falou que seu pai ficou maluco. ― Falou a pequena garota.

― Acho que sim... ― Alexander ainda mirava o céu pensativo. A cabeça repousava sobre os braços e olhar era vago. Os dois ficaram em silêncio até que Zoroark chamasse a atenção do protegido avisando já ser muito tarde. A garota foi a primeira a se levantar logo estendendo a mão.

― A propósito, me chamo Diana. Diana Dullard. Alguns amigos me chamam de Didu. ― Outra vez o sorriso arteiro estampava o rosto da garota.

― Alexander Sollari. ― O jovem apertou a mão de Diana. ― Bem... eu não tenho um apelido...

― Molão, cegueta... posso pensar em algo. ― A ruiva sorriu e correu, acenando assim que virou saiu do templo. O rosto do pequeno Sollari parecia brilhar. O sorriso era impossível de ocultar.

O retorno para a mansão fora sem problemas. “Latrice” e Alexander conseguiram adentrar a mansão sem serem descobertos por Júlio ou pela verdadeira Latrice. As noites seguintes iriam manter essa rotina de pequenas escapadas para encontrar Diana. Aos poucos, os laços dos infantes iam se estreitando e a amizade florescia firme e forte, mesmo sendo na escuridão do silêncio.
 
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Mensagem por Henri Sollari em Sab 12 Nov 2016, 20:51

XII — Flanco (parte 1)



— Vocês não acham que já está tarde? Seu pai não vai desconfiar, Alexander?

O arrebol já pintava o céu com seus tons alaranjados. As duas crianças corriam pelo jardim do Templo das memórias como se não houvesse amanhã. O velho monge segurava seu regador azul depois que terminara de regar algumas plantas em uma estufa improvisada. De fato, o Templo das Memórias se tornara refúgio para o casal de amigos que sempre se encontravam ali para brincar.

— Não se preocupe, senhor Tsukino. Pai pensa que estou estudando biologia na estufa, mas Mestre Laerte me dispensou hoje. Então tenho mais um tempinho. — A criança sorriu de forma desajeitada e logo recebeu uma bola de neve no rosto sendo acompanhada pelas risadas de Didu.

O monge sorriu e voltou para dentro do templo após uma advertência para que as crianças tomassem cuidado. A dupla de amigos podia ser um pouco descuidada, mas a presença de Zoroark sempre a impedia de se metere em alguma encrenca.

Aos poucos o arrebol dava boas-vindas ao crepúsculo e seus tons frios. Didu olhou para o céu e suspirou.

— Acho melhor voltarmos para casa. Pode ficar perigoso e está ficando mais frio. — O pequeno Sollari concordou com a ruiva e juntos deixaram o templo da amizade.

A dupla e Zoroark (sob a ilusão de Mestre Laerte) viraram na rua Branca descendo para a Grande Avenida. Naquela noite a rua estava estranhamente silenciosa assim como os três caminhantes ali. Mas a sacralidade do silêncio fora interrompida pelo som de duas motos que se posicionaram em ambos os lados da rua deixando os três no centro. Alexander se apressou para proteger Didu, assim como “Mestre Laerte” o fez para com as duas crianças.

— O Sollari vem conosco. Podemos fazer do jeito mais fácil ou do mais difícil. Mas confesso que prefiro o modo difícil. — Um dos homens, que bloqueava a passagem para a Grande Avenida falou de modo sarcástico como se se divertisse com a situação.  Ambos os homens usavam uma calça preta e uma jaqueta de couro preto. Os capacetes ocultavam suas faces, mas o que falara fez questão de tirá-lo para falar cara a cara. A ilusão de Zoroark era desfeita e logo o afastava para trás de si já fazendo sua escolha. — Que seja assim então.

De um dos bolsos da jaqueta, o homem retirou uma pokéball e logo apertou seu botão central fazendo-a dobrar de tamanho. A esfera fora lançada e um raio escarlate revelava um graveler com uma expressão séria. Didu puxou os pelos de Zoroark e apontou para o outro lado da rua onde o outro homem fazia o mesmo, mas era um mightyena que se apresentava. Zoroark suspirou e mandou as crianças saírem da zona de perigo. Didu agarrou a mão de Alexander e correu para trás de um dos postes da rua.

— Graveler, vamos pra matar!!! — a voz do homem saiu sádica e um tanto doentia. — Comece com seu defense curl e siga com rollout. — Do outro lado da rua, o outro homem ditou alguns comandos para o canino que já rangia os dentes de forma ameaçadora.

Zoroark sabia que estava em desvantagem, mas contava com sua alta velocidade a seu favor. O ilusionista ergueu suas garras que logo cresceram emitindo um brilho branco aumentando assim sua precisão e seu ataque. Firmando os pés no chão e começa a ser envolto por uma aura verde-oliva. Com um salto, deu algumas voltas no ar e atacou mightyena que sentiu o impacto de um dano super efetivo.

Mighyena balançou a cabeça de forma raivosa se recuperando do impacto. Com a cabeça erguida, emitiu um uivo alto e aumentou sua força de ataque. Logo em seguida, o canino se envolveu em uma aura dourada e usou essa força para dar potência ao impacto contra Zoroark. O ilusionista fora lançado para longe onde um Graveler o atingia com seu rollout. O pokémon rocha ganhara força para seu ataque quando se envolveu em seu círculo de defesa e aproveitou a oportunidade para pegar o Zoroark em flanco. O dark se levantou já sentindo o peso dos golpes que recebera, lançou um olhar para as crianças sabendo que não poderia fracassar.
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Mensagem por Henri Sollari em Sex 02 Dez 2016, 00:22

XIII — Flanco (parte 2)

A luta continuava de forma brutal. Apesar de estar em desvantagem, Zoroark conseguia equilibrar a batalha. Todos os pokémon em campo estavam sangrando. A neve da rua já era tingida com o líquido escarlate enquanto os dois homens se tornavam impacientes. Depois de ter afiado as garras com hone claws, o dark saltou esquivando do rollout de graveler e se aproximou do canino com um u-turn. Mightyena sentia o impacto do golpe, mas aproveitara a proximidade para pegar o braço do ilusionista com seu ice fang. O gelo se formava no braço congelando-o. Zoroark saltou para trás e se apoiou no chão. Graveler continuava a rolar pela.

O mestre de graveler pegou outra pokéball do bolso do casaco e pressionou o botão do centro expandindo a esfera. Um brilho escarlate surgia revelando uma gardevoir.

— Garret, pegue o garoto pra mim!

O alvo de gardevoir não seria o dark, mas seu protegido. Zoroark olhou de relance para Alexander, mas logo precisou saltar para escapar de um dark pulse vindo em sua direção. O ilusionista já estava ficando exausto e não sabia por quanto tempo mais conseguiria suportar manter aquela batalha. Zoroark fechou os olhos rapidamente e usou seu agility. Assim que finalizou seu movimento e percebeu sua velocidade melhorar, correu para proteger Alexander já empunhando seu night slash contra a fairy. Gardevoir recuou para esquivar do ataque e logo mightyena e graveler se aproximaram cercando o dark.

Sirenes de viaturas já podiam ser ouvidas ao longe. Certamente algum civil havia avistado aquela estranha batalha e informado aos cadetes. Os homens se entreolharam e acenaram com a cabeça para terminarem logo o trabalho.

— Graveler, kamikaze...

A voz soou quase que sibilando como uma ekans pronta para dar o bote. Mightyena correu para o lado de gardevoir já sabendo o que aconteceria. Zoroark ainda estava fadigado e respirava com força enquanto olhava o graveler por cima dos olhos. Ele não sabia o que aquele comando significava até o rock começar a emitir um brilho forte. Graveler fechou os olhos e uma grande explosão aconteceu.

Uma grande nuvem de poeira subia enquanto duas luzes vermelhas a invadiram recolhendo dois pokémon. As janelas das casas já mostravam as luzes sendo acesas e alguns curiosos já espiavam. Um dos postes caiu no chão enquanto a poeira começava a descer. Mightyena e graveler não estavam mais ali. Uma barreira de proteção se quebrava em vários cacos verdes que logo desapareciam. Zoroark caía no chão após ter que sustentar sua proteção contra um golpe tão poderoso como um selfdestruct. Alexander e Diana estavam agachados com o corpo tremendo e completamente assustados. Atrás do pequeno Sollari, gardevoir surgia e o abraçava desaparecendo logo em seguida através de seu teleport. Os capacetes eram colocados novamente e as duas motos eram ligadas e logo desapareciam na esquina contrária da fonte do som das sirenes.

As pernas da garota ainda tremiam, o que fez com que Diana engatinhasse até o Zoroark caído no chão. O pokémon estava de olhos fechados como se estivesse dormindo, mas a ruiva não conseguia pensar em nada naquele momento a não ser chorar.
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