Bem-vindo à selva!

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Mensagem por Vanille Dullard em Sab 27 Ago 2016, 19:46

BEM-VINDO À SELVA!


Fic destina a contar os anos que Vanille passou na floresta Seimei





Última edição por Vanille Dullard em Seg 14 Nov 2016, 20:24, editado 2 vez(es)
Vanille Dullard
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Mensagem por Vanille Dullard em Sab 27 Ago 2016, 19:48

{PILOT}
I ― Bem-vindo à selva!


O sono chegava à criança. A festa de aniversário surpresa fez com que a garota curtisse as horas como se fossem apenas alguns minutos. Coçando os olhos de sono, a pequena ruiva deu um beijo de boa noite em seus pais que ainda arrumavam a bagunça deixada pelas crianças. Vanille rumava para o quarto e, como um pokémon psíquico portador de Teleport, rumava diretamente para a cama. Na cozinha, Diana e Kaleb conversavam coisas aleatórias enquanto ele lavava os pratos e a mulher os secava. O som da campainha cortara o ritmo da corversa.

A porta era aberta e três cadetes adentravam a casa sendo acompanhados por um persian e dois meowths. A presença de cadetes naquela casa não era algo raro. De certo, Diana e Kaleb dedicavam suas vidas à corporação e sempre recebiam em suas casas seus colegas mais próximos ou cadetes de patentes altas que passavam missões urgentes. Mas, por algum motivo, a conversa daquela noite não seria agradável. A expressão presente no dono do persian não era nem um pouco agradável.

Primeiramente a conversa seguia uma certa formalidade de perguntas relativas ao bem-estar da família e do andamento das missões e investigações. Mas aos poucos, a existência de um traidor era revelada. Papéis eram jogados sobre a mesa contendo informações de investigações não autorizadas por parte de Diana. As investigações eram direcionadas a alguns agentes e capitães que estavam realizando atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, uso indevido do poder, incriminação de inocentes através de provas “plantadas” entre muitas outras coisas. A mulher engolia em seco. O tom de voz do cadete aumentava, o que fazia Kaleb reagir tentando afastá-lo.

O barulho foi suficiente para acordar a criança que dormia no quarto. Vanille estava sonolenta e não conseguia distinguir o que estava acontecendo ou o que as pessoas falavam. Levantando-se lentamente, rumou para a porta para espiar o que estava acontecendo. Ela bem sabia que seus pais não gostavam que ela ficasse escutando os “assuntos de adulto”. Mas a cena que vira ficaria gravada em sua memória para sempre. Com os olhos assustados e o coração disparado, a garota via seus pais rendidos diante três cadetes. A mesa já havia sido virada. Os papéis provando a “traição” de Diana se espalhavam pelo chão. Uma arma apontada na cabeça da mãe. O tempo pareceu parar quando o disparo aconteceu. Vanille abafou o grito com suas mãos quando viu o corpo da mulher cair no chão já sem vida e fechou a porta do quarto rapidamente.

A cabeça não conseguia raciocinar direito. Sentada ao chão, o desejo da garota era de correr para sala e salvar ao menos seu pai. Mas todo o seu treinamento com seus pais dizia que isso seria suicídio. Ela precisava executar o plano de fuga que incansáveis vezes fora ensaiado. Debaixo da cama da jovem havia uma pequena porta que levava ao andar de baixo de Grung. Aquilo fora construído a mando de Kaleb, pois bem sabia dos perigos envolvendo sua profissão. Sem nem ao menos esperar pelo segundo disparo, a jovem correu para o alçapão.

Ela não pensava. Ela não conseguia definir o que estava sentindo. O corpo, como de forma mecânica, executava tudo automaticamente. Assim que desceu as escadas, se viu em dos prédios do sexto andar. Ela precisava se esconder, precisava fugir. O prédio em questão possuía vários departamentos. O alçapão levava até uma padaria de um dos amigos da família que já sabia da pequena válvula de escape. Pelo horário, tudo estava fechado. A jovem pegou a chave que ficava pendurada na parede e abriu a porta correndo imediatamente para as escadas. Algumas poucas pessoas que ainda transitavam por ali estranhavam uma criança de 12 anos correndo só de pijamas pelo prédio.

Assim que deixou o prédio, sons de sirenes podiam ser ouvidas. A fuga da filha dos traidores já havia sido notificada. Pela lei, Vanille deveria ser levada à adoção, mas a garota sabia que este não seria seu fim. Conhecedora da cidade, ela procurava sempre passar pelas ruas que não havia acesso para carros enquanto descias os degraus da cidade. Às vezes esbarrando em algumas pessoas que acabavam por xingar a fugitiva.

Para a desvantagem da ruiva, os cadetes também eram conhecedores da cidade. Tentando recuperar o fôlego, Vanille viu que alguns cadetes já estavam se posicionando de forma estratégica. Ao olhar para a direção oposta, viu a saída para a floresta Seimei ainda sem vigias. Dando uma última olhada para a direção das ruas da cidade, percebeu que dois cadetes já estavam indo para se posicionar na entrada da floresta. A ruiva precisava decidir naquele momento. Permanecer em Grung era permanecer no ninho da ekans; fugir para a floresta iria neutralizar a vantagem de todos em relação ao conhecimento de terreno.

As pernas decidiram por si só. A adolescente começara a correr em direção à floresta. Assim que avistaram a fugitiva, os cadetes começaram a gritar e dois meowths eram liberados de suas esferas. O desespero aumentava. A garota precisaria vencer a velocidade dos felinos. Os limites da cidade eram deixados para trás e a floresta dava suas boas-vindas. Sem nem olhar direito para onde corria, Vanille ia se arranhando entre arbustos e galhos baixos de algumas árvores. Ela não prestava mais atenção ao som dos miados dos felinos ou dos cadetes gritando. A única ordem para o corpo era correr.

Depois de muito correr, o corpo cedeu. O esgotamento chegava. Todo o impulso que adrenalina havia proporcionado deixava o corpo. A ruiva caía de cara no chão. Os cadetes haviam sido atrasados por uma nuvem de yanmas. Depois de tanto trabalho para se livrarem dos insetos e ao perceberem que haviam se aprofundando demais na floresta, decidiram recuar e continuar as buscas na manhã seguinte. De qualquer modo, em suas mentes, uma adolescente da classe média alta não sobreviveria um dia à selvageria da floresta. As buscas continuariam para levar a fugitiva de volta, com ou sem vida.

Com muita dificuldade, Vanille se levantou. O corpo estava demasiadamente exausto. O corpo repleto de arranhões e folhas estavam presas ao seu cabelo. A jovem se via em uma clareira com uma árvore milenar. A ausência da lua, por ser lua nova, deixava o lugar escuro. Repentinamente, a jovem começava a chorar compulsivamente. Os sentimentos emergiam assim que a adrenalina acabava. A imagem da mãe sendo assassinada estava bem nítida em sua mente e ela sabia que o pai teria o mesmo destino. Uma forte dor no peito surgia. Um imenso vazio. As lágrimas eram pesadas, mas não pareciam ser suficientes para expressar o que realmente estava sentindo. A jovem caiu de joelhos e gritou com todas as suas forças.
 
Vanille Dullard
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Mensagem por Vanille Dullard em Seg 14 Nov 2016, 20:20

II — Entre a digestão e a fome

Uma fina camada de névoa cobria a floresta, mas o suave calor da manhã lentamente a afugentava. Um vento soprava em direção ao oeste enquanto uma nuvem de butterfrees recém evoluídas migrava para o norte. A pequena criança adormecera ali mesmo na clareira sobre a relva. Um dos raios do Sol tocava diretamente seu rosto o que começava a incomodar os olhos da garota. Os olhos se abriram lentamente e deram de encontro com o céu azul e a copa das árvores. Ela não fazia ideia de que horas seriam, mas as lembranças da noite anterior estavam vivas... principalmente a imagem de sua mãe sendo morta.

Sentando-se sobre a relva, ainda tentava digerir tudo o que acontecera. As lágrimas reapareceram. O desejo era que tudo aquilo não passasse por um pesadelo bem elaborado por um extinto Darkrai que retornava para se vingar da insolência dos humanos. Uma brisa passou pela jovem e agitou seus cabelos. Não, aquilo não fora um sonho. Agora ela estava só em uma floresta e seus pais mortos. Um grande vazio surgia no peito da ruiva e as lágrimas chamavam junto a si um choro com fortes soluços. O som dos disparos se repetiam em um eterno looping em sua mente. Ela não soubera quanto tempo ficara ali perdida em seus pensamentos e sentimentos, mas seu estômago a lembrou da necessidade de alimento. Seu corpo ainda possuía necessidades e não se importava com o momento que a garota estava pensando. A ruiva sabia que precisaria sobreviver, que precisaria ser forte. Seus pais haviam ensinado a jovem o básico em defesa pessoal, mas ela mesma precisaria aprender a sobreviver em um mundo como Shinki.

Vanille se levantou e olhou aos arredores. Seimei era rica em árvores frutíferas o que seria um alívio para a fome da garota num primeiro momento. A pequena Dullard avistou uma orambeira e, com certa dificuldade, subiu em seus galhos onde arrancou algumas bagas. Oran berries não são apenas saborosas, mas possuem um efeito que aviva o corpo cansado de quem as come. Sentada em um dos galhos, a ruiva comia algumas bagas enquanto observava o caminho que levava à cidade. A qualquer momento parecia que um meowth ou um taillow apareceriam.

Ela sabia que os cadetes voltariam, assim como ela sabia que estava encurralada. Só haviam duas saídas da floresta. A primeira ficava ao sul e foi por onde a jovem entrara, o caminho que levava de volta à cidade. A segunda saída ficava ao norte onde havia o jardim Mitsue conhecido por sua beleza e tranquilidade. O jardim não parecia ser um esconderijo muito confiável, mas era a única opção viável. Se se escondesse na própria floresta, cedo ou tarde seria encontrada por algum dos pokémon farejadores dos cadetes. Além disso, poderia contar com a prepotência dos cadetes em achar que ela não conseguiria sobreviver à primeira noite na floresta.

Vanille pulou do galho rumo ao chão e suspirou. Ela nunca andara pela floresta antes e, pelo o que sabia, só estivera em Mitsue quando estava dentro da barriga de sua mãe. Mas nas aulas de geografia, aprendera sobre a grande extensão da floresta o que não era animador. Além disso, sua curiosidade e seu amor à biologia a fizeram estudar os pokémon locais. Por isso, sabia que, quando os metapods de Seimei evoluíam, costumavam migrar para o jardim. Agora só restava encontrar tais metapods.
Vanille Dullard
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