[oneshot] Ascensão de Angélica

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[oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Alice em Sab 14 Dez 2013, 01:19


Ascensão de Angélica



O sol brilhava alto no mês mais quente do ano. Diversos aspirantes à cadetes aguardavam, devidamente vestidos, sob o calor sufocante. O oficial responsável ainda não se apresentara, porém diversos uniformes já apresentavam manchas de suor e a respiração já era difícil, fazendo muitos questionarem se suportariam o treinamento. O grupo era muito heterogêneo, porém quem mais se destacava eram as duas únicas garotas dentre os outros treze homens. A organização ainda era vitima de muito preconceito com as mulheres, tendo em vista que a grande maioria se afastava da profissão pela maternidade.

O prédio brilhava em suas cores recém pintadas. Cadetes já aprovados treinavam com seus Pokémons nas diversas áreas específicas. Porém o grupo aguardava pacientemente a porta se abrir e revelar o comandante que iniciaria o treinamento. Para alivio e temor dos aspirantes, esse desejo se realizou. Um grande Persian surgiu em primeiro plano, rosnando feroz e intimidando os novatos a manter o olhar erguido. Sua orelha tinha um pedaço faltando, ganhando um aspecto de lua crescente, fonte de seu apelido: Lua Negra. Lua pela cicatriz, Negra por sua natureza agressiva.

Aquela era uma das raríssimas turmas a ser treinada pelo próprio Comandante. Uma honra e um pesadelo para os aspirantes. Uma mão enluvada ainda descansava na maçaneta da porta, sem muita preocupação. O olhar sério e autoritário do comandante fiscalizava cada um dos aspirantes. De repente todos sentiam vergonha de si mesmos. Alguns por serem muito altos e aparentarem ter pouca agilidade, outros por serem muito baixos e terem pouca imposição. Fosse o pouco peso ou o peso extra, tudo parecia ser motivo para se sentir vergonha perante o olhar de desaprovação que recebiam.

O comandante se afastou da porta, deixando a mão cair mansamente até a lateral de seu corpo. A postura firme não deixava dúvidas de sua força. A calma com a qual passou pelo Pokémon agressivo deixava claro que o dominava por completo. Persian mirava um por um dos aspirantes, sem nunca esconder as presas ou cessar o baixo rosnar. O dono do belo animal caminhava de uma ponta a outra da formação, decepcionando-se ao notar que a maioria dos aspirantes temia mais o felino do que sua presença. Presas não devem temer nenhum cadete. Alguns poucos ousavam ignorar o felino e se focar no homem, inclusive um homem com o peso muito acima do resto do grupo e uma das jovens, a morena de cabelo comprido e rabo de cavalo. Talvez os dois mais promissores a julgar pelo primeiro contato.

- Uma vergonha. É só o que posso dizer desse batalhão.

Palavras duras e cruéis eram proferidas sem mirar ninguém em especial. O homem se afastava do grupo, sem virar o rosto ou aumentar o tom de voz. Quando um dos aspirantes tentou dar um passo à frente, Persian rosnou furioso em postura de ataque, impedindo o mesmo de falar e deixando suas desconhecidas palavras esquecidas no silêncio. Um gesto de mão do comandante que ainda estava de costas foi o suficiente para que o felino se aquietasse e sentasse exatamente no lugar em que estava.

- Não gosto de ser interrompido. Na próxima, não interrompo ele.

Um aviso ou uma ameaça? Era fácil de confundir na situação em que se encontravam. A fala do comandante era pausada, permitindo aos aspirantes total compreensão de suas palavras e inúmeras interpretações das mesmas. Os jovens corações batiam forte, principalmente o do jovem loiro e de olho castanho que tentava pela segunda vez ingressar na organização. O tempo árido desgastava os aspirantes e as palavras corroíam seus sonhos. O homem mais velho, apesar do uniforme completo e mais quente, parecia sofrer menos com o calor exaustivo. Quando a esperança de alguns começava a desaparecer, o comandante virou-se de lado observando o grupo inteiro mais uma vez.

- Entretanto, alguns de vocês talvez possam valer a pena. Portanto todos terão a chance de provar que me enganei.

Uma luz de esperança. Um suspiro de alegria pela oportunidade de tentar. Uma felicidade que nenhum deles se permitiu demonstrar. Um estalo de dedos do comandante e a postura do esquadrão foi retomada, ao mesmo tempo um cadete saía de dentro da academia com uma sacola com pokébolas: os meowths.

- Cada um receberá um Meowth. O objetivo é se familiarizar com seu gato durante o treinamento. Caso reprovem, não manterão o Pokémon obviamente. Entretanto conhecer seu Meowth é parte crucial para ser aprovado.

Durante o discurso, cada um retirava uma pokébola aleatoriamente do pacote. Seria a primeira tentativa de seu Meowth? Teria ele pertencido a outro aspirante que falhou antes? Se fosse esse caso, conseguiriam superar o vinculo anterior? Muitas dúvidas reinavam nos corações jovens e ansiosos. Após a última pokébola entregue, o comandante autorizou a liberação dos felinos. O jovem loiro de olhos castanhos parecia decepcionado ao notar que teria de tentar com outro gato, este menor que o anterior. A morena observava sua felina que possuía uma marca de estrela no ombro direito, fazendo-se as mesmas perguntas que os demais. A outra jovem parecia achar seu gato um pouco acima do peso e nada adequado para uma garota, obviamente tendo preferido um dos mais magros e ágeis.

- A partir de hoje, vocês deixam de ser aspirantes e passam a ser recrutas! Deverão treinar além do que seus corpos aguentarem para provar que estão aptos. Entretanto somente isso não lhes concederá a licença. Conheçam seus gatos e preparem-se, o treinamento começa às 13h.

-o-o-o-

A temperatura aumentou ao longo da manhã, se tornando insuportável no começo da tarde. O comandante ainda estava com seu uniforme impecável, uma façanha que os recrutas tentavam entender. Entretanto essa dúvida estava esquecida em meio à exaustão.

- Desçam.

A ordem era simples e os corpos cansados e suados realizavam. O suor regava o chão, dentes se enfrentavam com força tentando suportar a exigência que era feita sobre os músculos do corpo. Os braços se dobravam e o peito se aproximava da terra molhada. Humanos e Pokémons fazendo flexões controladas juntos. Recrutas e Meowths se desafiando por um objetivo em comum.

- Subam.

O comandante mantinha o intervalo entre as ordens de maneira a exigir ao máximo dos recrutas. Braços tremiam já estressados pelo esforço. Um felino caiu exausto.

- Vamos Meowth. Levanta!

O recruta que estava muito acima do peso estimulava seu Pokémon. O felino se esforçava para se manter em pé, tentando não desapontar o homem. O comandante analisava satisfeito. Um bom começo em sua opinião.

- Muito bem, descansar.

No segundo seguinte, 30 corpos desfaleciam exaustos. A jovem morena respirava com dificuldade enquanto mirava a marca de estrela no peito de sua felina.

- Até que não fomos tão mal, não é? – A outra jovem perguntava para seu gato gordinho enquanto brincava com sua orelha.

Angélica observava os outros membros do esquadrão confraternizarem com seus Pokémons e voltou a mirar sua Meowth questionando-se se um dia teria um laço semelhante com a Pokémon. Em dúvida entre se apegar a um gato que talvez perdesse e o desejo de se aproximar daquela que poderia ser sua parceira até o final de sua vida, a jovem recruta tocou nas costas do felino e recebeu imediatamente sua atenção.

- Esse foi só o aquecimento. Por que ainda não estão de pé?

O comandante era um mestre exigente, talvez por isso a organização fosse conhecida pela sua excelência. A dor nos músculos latejava, mas todos se forçaram a ficar em pé. Alinhados. Suados. Exaustos. Determinados.

-o-o-o-

O sol brilhava mais um dia e o suor ainda encharcava os uniformes dos recrutas. A pista de corrida estava repleta das pegadas determinadas. Umas sobre as outras, sendo impossível de distinguir sua origem naquele momento. Recrutas mais a frente, outros mais atrás. Alguns carregando seus gatos, outros sentados já fora da pista, totalmente exaustos.

Angélica sentia cada parte de seu corpo clamar por piedade e descanso. Contudo, enquanto tivesse outro recruta em pé, a jovem se recusaria a desistir. Não poderia se entregar e tão pouco poderia exigir mais de seu corpo. Todo seu organismo colapsou, a levando de encontro a terra. O rosto ficou um pouco esfolado e os olhos arderam com a poeira que os atingiu. Meowth rapidamente parou a sua frente e tentou puxar sua camiseta, encorajando a mulher a levantar. Antes, no entanto, que a morena pudesse clarear a visão, sentiu a respiração de Lua Negra a sua frente. Com receio ergueu os olhos e se deparou com o grande gato deitado e a mirando ferozmente. Mais atrás, o que ela mais temia: o olhar de total reprovação de seu pai e comandante.

A jovem Meowth recuava perante o olhar do grande Persian, mas não saia do lado da recruta. Angélica enterrava os dedos na terra tentando controlar a frustração que sentia. Recém estavam no quinto dia de treinamento, entretanto a falta de progresso como o desejado assim como a expectativa sobre a jovem era mais desgastante que o treinamento propriamente dito. O olhar caía envergonhado para o punho fechado com terra. Por que não apresentava os resultados desejados?

Com dificuldade a mulher se colocou sobre seus pés. As pernas fraquejaram, porém, antes que o corpo inteiro encontrasse o solo novamente, sua perna direita dobrou, servindo de suporte para o braço, e a esquerda, sem força, encontrou a terra mais uma vez. Meowth voltou a fitar Angélica, colocando sua pata sobre a perna dobrada.

- Venha.

Antes que Angélica pudesse tentar ser erguer mais uma vez e cogitar voltar a correr, o cadete loiro de olhos castanhos deixava seu ponto de descanso e a ajudava a se erguer, levando-a para os bancos. Mais decepção tomou o coração da mulher que nunca se imaginou precisando de ajuda durante um simples treino. Após sentar-se, isolada em suas expectativas, a morena foi surpreendida por sua Meowth que pulava em seu colo carregando na boca uma garrafa de água.

-o-o-o-

Um houndoom saía da esfera vermelha em pleno ar. Seu pelo negro brilhava sob os raios de sol de mais um dia de treinamento. Suas patas mal tocaram o chão após atingir a liberdade e já o impulsionaram para frente. Cada músculo trabalhando com perfeição e revelando o excelente treinamento. Sem um minuto de receio, o Pokémon de fogo lançou-se contra a água da piscina e mergulho. Poucos segundos depois ressurgia carregando entre os dentes o objeto lançado pelo comandante.

- Vocês devem conhecer e dominar seus Pokémons. Uma ordem não deve ser questionada. Agora, vão.

Uma nova ordem. Pela primeira vez aos Pokémons e não aos humanos. Os jovens recrutas lançavam objetos e ordenavam seus gatos a buscar. Os Meowths mais corajosos se acumulavam ao redor da piscina, receosos de enfrentar a água. Outros recuavam imediatamente. No fundo da água cristalina, os objetos a serem resgatados. O comandante respirou fundo. Mais uma decepção.

A pequena Meowth com marca de estrela observou o Pokémon de fogo sacudir o pelo e se livrar da água que tanto lhe fazia mal, em seguida mirou o olhar decepcionado do comandante e, ciente da pressão sobre Angélica, lançou-se contra a água.

Não demorou mais do que um segundo para que a recruta reagisse e corresse para a piscina. No momento em que as bolhas de ar cessavam, o corpo feminino lançou-se contra a água gelada, mergulhando e resgatando a gata antes que a mesma se afogasse. Fora da água e com o Pokémon em seus braços, a morena viu que apesar das probabilidades e do fato de não saber nadar, a gata carregava em suas patas o objeto que deveria resgatar.

Após cuspir a água e voltar a respirar com calma, a pequena felina mirou a mulher que a segurava com força. Os grandes olhos reluziam sem acreditar que a recruta desobedecera a ordem de aguardar para resgatá-la. Um brilho de convicção surgiu naquele olhar, um brilho de devoção, respeito e lealdade. Naquele momento aquela gata decidiu que nenhum outro recruta serviria para ela.

A mulher não percebia aquele olhar, pois estava ocupada se afastando da piscina e providenciando um cobertor para secar sua Meowth. Angélica também não percebia o olhar do comandante, o primeiro olhar de quase aprovação passava despercebido por quem mais o desejava.

-o-o-o-

Angélica estava sentada ao lado de diversos outros recrutas na sala de espera do hospital. Seu olho inchado lhe prejudicava a visão, o braço imobilizado de maneira precária e diversas outras escoriações pelo corpo tornavam sua visão lastimável. O uniforme encardido e visivelmente esfolado assim como o rabo de cabelo bagunçado e levemente desfeito não contribuía para tentar melhorar a situação. Pelo menos os demais recrutas estavam na mesma, ou pior, condição que a morena.

- Santo Arceus. Sabia que não deveria ter saído da cama hoje.

Gregory entrava no hospital e se deparava com a fila de espera dos recrutas acompanhados por um oficial responsável. No auge de seus 33 anos, o médico havia sido reconhecido pelo hospital por sua excelência, reconhecimento que veio acompanhado do aumento de casos e responsabilidades, coisas que o doutor dispensava em sua vida.

- Doutor Gregory, o comandante solicitou que priorizasse os recrutas a fim de que eles voltassem imediatamente ao treinamento.

- Já imaginei isso. Bem, pode voltar e falar para seu chefe que medicina não se apressa e verei o que posso fazer.

Senhor do tempo e sem demonstrar nenhuma pressa, o médico passou pelo grupo em espera e buscou seu café matinal. Após um gole da quente bebida e se informar sobre alguns pacientes internados, sem nunca demonstrar real interesse, o doutor finalmente se dirigiu ao consultório e chamou o primeiro recruta. A outra jovem tentava arrumar sua aparência antes de ser atendida, sendo questionada por outros dois mais brincalhões do esquadrão.

- É o primeiro homem de verdade que temos contato em dois meses. Esse treinamento ta me matando e vai me fazer bem um pouco de flerte saudável.

Após alguns minutos, a mulher que tanto desejava alguma atenção masculina saiu do consultório. O olhar da garota despertou mais algumas piadinhas dos colegas desordeiros que, sem a necessidade de palavras, percebiam que a mesma havia sido rejeitada. A chamada do próximo não despertou a atenção do grupo e Angélica partiu para o atendimento em paz.

- Duas mulheres no esquadrão ainda? O comandante deve estar pegando leve com vocês.

O médico brincava ao mirar a morena sem obter nenhuma resposta. Sem se importar com a expressão séria, os dedos ágeis começaram a analisar o olho inchado. A pele inteira latejava e, mesmo assim, a jovem podia perceber que o rabugento médico tinha cuidado para não piorar a situação. Um único comando para que a mulher suportasse firme chegou aos ouvidos pouco antes de uma injeção atingir a área inchada, intensificando a dor para logo depois aliviá-la quase que instantaneamente. Gregory explicou brevemente que o remédio aliviaria o inchaço, permitindo a ela ver melhor novamente. O braço recebeu atenção logo depois algumas anotações na prancheta. Um gesso simples e indicações para não usá-lo por duas semanas. Infelizmente não havia remédios que acelerassem o processo mais do que este tempo. As demais escoriações não apresentavam nenhum risco e receberam somente um spray antisséptico. Devidamente tratada, a jovem foi liberada pelo médico que não tentara iniciar outra conversa.

- Obrigada. – Angélica agradecia antes de sair da sala.

- De nada. Mas fica a dica: não vale a pena se ferir lutando contra um Mienshao para agradar a família.

A morena não se virou para o médico após ouvir a frase, mas parou alguns segundos com a mão sobre a maçaneta. Por algum motivo o doutor aparentava conhecê-la melhor do que imaginava. Um rápido vislumbre sobre o ombro lhe revelou o rosto sério e sem divertimento do médico, um olhar de quem falava sério e de quem sabia sobre o que falava. Sem responder, Angélica abandonou a sala de consulta acompanhada da ordem de chamada para o próximo paciente...

-o-o-o-

A lua brilhava alto em Nyender, soberana em seu reinado escuro. A academia possuía uma aparência sombria, tendo em sua companhia somente alguns seguranças. Seus corredores estavam tão silenciosos que o silvo de uma pokébola se abrindo no escuro poderia ecoar e despertar a atenção de qualquer um próximo. Para a sorte do pequeno desordeiro, não havia ninguém perto.

Patas silenciosas corriam pelos corredores, escondendo-se atrás de mesas e desviando dos guardas e câmeras. Sorrateira, a Pokémon conseguiu chegar até um lugar sem vigia, um lugar que não havia motivos para ser invadido: o centro de treinamento. Em um salto de pura agilidade, a porta era destrancada e a recruta Angélica surgia.

A recruta respirou profundamente o ar noturno do ambiente. A pequena Meowth com a marca da estrela saiu de trás da porta, parando ao seu lado. O silêncio entre as duas era reconfortante e ambas sabiam o que a outra sentia. Poderia ainda não ser o laço mais forte aparentemente entre os recrutas, mas possuía sua força e sutileza.

Dois meses passaram-se desde o primeiro encontro, três semanas desde a revisão individual de rendimento na qual 6 recrutas foram dispensados. Três semanas desde que Angélica quase fora dispensada pelo crescimento de baixa proporção, não importando o fato de sempre estar entre os melhores. Para a academia, importava a capacidade de evoluir, não de se preservar. Duas semanas, desde então, que os treinos noturnos e ilegais começaram. Duas semanas que suas visitas ao hospital devido o desgaste aumentaram de frequência, visitas nas quais Gregory, mesmo sem saber o que a mulher fazia, a advertia de que se ela não parasse, seria descoberta.

- Vamos.

Na linha de partida da pista de corrida, mulher e Pokémon partiam lado a lado para o aquecimento. O familiar suor escorria pelo rosto e pescoço, desaparecendo em sua camisa já molhada. Os pés deixavam marcas profundas na areia da pista. Os pulmões trabalhavam com força para levar o ar até os músculos exaustos, mas que não se rendiam. Em duas semanas o rendimento melhorara substancialmente e, por isso, a mulher não pretendia suspender os treinamentos extras.

Com o corpo ainda quente, a mulher partiu para as barras enquanto sua gata rumava para a piscina. A pequena felina respirava profundamente enquanto mirava seu reflexo na água cristalina. Os olhos fecharam-se e a mente se inundou com lembranças. Duas semanas desde que aprendera a nadar graças a recruta com quem treinava, ensinamento pelo qual era muito grata.

O olhar gatuno se abriu repentinamente, livrando-se das lembranças, e o corpo se lançou na água. As patas fortes a impulsionavam por toda a distância. Mergulhos eram feitos com precisão em busca de objetos específicos. A natação fortalecia a resistência da felina visivelmente, porém a água em suas orelhas lhe prejudicava a audição momentaneamente.

Angélica se erguia com força, levando a cabeça acima da barra e descendo com a mesma intensidade. Sua concentração estava nos músculos que treinava com o específico exercício, não no Persian que se aproximava, até que fosse tarde demais. Um rosnado feroz do maior gato e a recruta desceu da barra, aterrissando com um joelho e uma mão no chão. Antes que o rosto pudesse reconhecer Lua Negra ou o rosnado do mesmo sumisse no ar, a Meowth da estrela parou na frente da recruta, rosnando em resposta. O pelo encharcado pingava no chão, seu corpo tremia de medo ao imaginar ter de lutar contra um Pokémon infinitamente mais poderoso, no entanto seu olhar era destemido e desafiava o outro gato a enfrentá-la antes de se aproximar da mulher. Naquele momento Angélica mirou sua Meowth e sentiu que nenhum outro felino serviria para ela, mesmo existindo exemplares mais fortes. Aquela era a sua Meowth, um Pokémon no qual poderia confiar.

- Treinando às escondidas é?

O comandante se aproximava, mirando a recruta e sua meowth. Sua superioridade gritava no olhar destinado à dupla. Angélica se ergueu, batendo continência. Sua Meowth, a contragosto, recuou e sentou-se ao seu lado, oferecendo o devido respeito ao homem. A morena esperava pelo fim de seu treino, visto que estava usando as instalações da academia sem autorização e portava sua Meowth também sem autorização. Entretanto foi surpreendida por um sorriso satisfeito do comandante.

- Volte lá para cima recruta. Ainda não conclui seu tempo nas barras.

O treinamento noturno ganhava um novo nível com o auxílio do comandante e os rendimentos da jovem recruta se intensificavam.

-o-o-o-

- Intrigante. Feliz com a perna fraturada em três lugares diferentes.

Gregory tratava mais uma vez do esquadrão de Angélica. Quatro meses de treinamento e o grupo já se reduzia somente a sete recrutas. Incrivelmente o loiro de olhos castanhos e o recruta que ainda estava muito acima do peso permaneciam firmes. Angélica agora era a única mulher em treinamento. A outra recruta pedira sua retirada por não aguentar os treinamentos de luta.

- Posso saber o motivo? – O médico perguntava curioso enquanto enfaixava a perna da mulher, imobilizando-a por completo.

- Treinamentos são confidenciais.

Angélica não contaria, por mais que estivesse incrivelmente satisfeita por finalmente ter bloqueado alguns golpes de Mienshao e acertá-lo antes de ser novamente derrubada. A primeira recruta do grupo a atingir o Pokémon lutador. O fato orgulhara seu pai e isso a deixara satisfeita. Seus esforços estavam valendo a pena e mostrando resultados.

Gregory encerrou com a perna da mulher e lhe entregou uma receita com antibióticos. O olhar do médico parecia procurar o dela, como quando encontra uma doença rara que desafia seu intelecto, algo que a mulher não fazia intencionalmente. Aquela adolescente era mais determinada que muitas mulheres que já haviam cruzado seu caminho e mais forte do que ele imaginava a julgar pela pressão que suportava, no entanto era só uma adolescente. Mas também Gregory não era conhecido por sua compaixão ou gentileza.

- Ok. Liberada. Pode voltar a tentar se matar com o treino e me dar mais trabalho. Pode pedir um pirulito ou uma bala para a enfermeira no saguão se quiser. Elas sempre entregam essas besteiras para as crianças.

O médico tentava irritar a mulher tratando-a como uma criança. Entretanto recebia somente um revirar de olhos e era deixado sozinho por alguns segundos, tempo necessário para o próximo paciente entrar no consultório.

- Deixe-me adivinhar, braço quebrado?

O médico já ironizava o pobre recruta que tinha o braço pendurado em um ângulo nada convencional e uma expressão de muita dor.

-o-o-o-

Seis meses de treinamento. Seis meses de dor, suor e trabalho duro. Metade do tempo que uma turma de recrutas levaria normalmente. Quinze recrutas sonharam estar alinhados naquela manhã, com o uniforme oficial, mas somente cinco concluíram o processo. Mais do que o esperado pelo comandante no primeiro dia. As pokébolas dos Meowths eram entregues de forma definitiva.

Angélica observava sua Meowth, agora de forma definitiva. Os olhos da morena não se desviavam dos olhos dourados. A marca da estrela no peito lhe parecia chamar menos a atenção do que o olhar satisfeito da felina.

Finalmente a licença era entregue.

Finalmente era uma Soldada.

Sua mãe, cadete aposentada, sorria orgulhosa da filha quando esta chegou em casa após o primeiro dia como oficial da lei. Seu pai, o comandante, estava satisfeito, porém já questionava sobre os planos da mesma para os próximos ranks. O sonho de seu pai sempre foi claro: a filha como sua sucessora no comando.

Os demais cadetes recém aprovados aproveitaram a primeira noite para festejar a licença conquistada. Angélica dormiu cedo, no dia seguinte começaria seu treinamento para o comando. O pai era exigente. As missões eram cumpridas com velocidade.

Novos batalhões iniciavam seu treinamento e poucos se formavam. Angélica seguia seu treinamento.

Soldado... Cabo... Sargento...

Sua posição na hierarquia crescia com velocidade, se igualando a cadetes com muitos mais anos de experiência. Ela e Persian formavam uma bela dupla em combate. Apesar da felina ainda ser jovem, sua sabedoria em campo era superior a de muitos outros Pokémons na organização e sua facilidade em trabalhar com os demais Pokémon de Angélica era invejável.

Apesar das novas experiências, Persian era a mesma Pokémon de sempre: o braço direito de Angélica. A marca da estrela reluzia em seu pelo amarelo. Seus olhos sagazes reluziam perante os desafios e a mesma enfrentava qualquer um sem medo.

Como Tenente, Angélica enfrentou a pior missão até o momento. Pela primeira vez em sua carreira, quase perdera realmente sua melhor amiga. Gregory, acostumado a tratar da garota sempre que a mesma voltava de uma missão e, por consequência das inúmeras missões da mesma, mais familiarizado com a morena do que os demais cadetes, não precisou de muito tempo para retirar o gato da viatura e tratar primeiro o Pokémon, depois a mulher. O médico sabia que não poderia ajudar a oficial sem antes garantir a vida da Persian.

Com a felina na sala de recuperação, o médico passou a cuidar da mulher. Pela primeira vez desde que a conhecera, o olhar de Angélica era preocupado. O sentimento era fracamente mascarado. Percebia-se que ela estava aprendendo rapidamente para uma jovem de somente dezenove anos. Sem querer, o médico acompanhou de perto os últimos dois anos da morena e sabia por tudo que a jovem passara. Em poucas palavras e em muitas cicatrizes ele sabia que aquela criança já tinha sobrevivido há coisas que adultos não suportariam.

- Ela vai ficar bem.

A única frase dita pelo médico a paciente enquanto entregava a receita com os medicamentos a serem tomados. Quatro palavras que acalmaram o coração da mulher, mesmo ela já sabendo do fato.

-o-o-o-

Mais sete meses se foram. Dias passam e noites também. Árvores floresceram e suas folhas caíram. Angélica completa vinte anos. Sua mãe está sozinha em casa. Filha e marido estão em campo, uma cidade distante e uma missão perigosa. Não há festas. A jovem Tenente não se importa. A sua esquerda o cadete loiro de olhos castanhos, aprovado na terceira tentativa de ingresso para a organização, com um belo Meowth. Agora o jovem é um Cabo, segundo rank na hierarquia da organização. A sua direita, o comandante com Lua Negra.

A morena sente o coração acelerar. Longe de seu alcance, sua Persian passa sorrateira por diversos pontos perigosos. A missão da Pokémon era simples, porém letal. A mesma executa com perfeição em poucos minutos e o esquadrão inteiro avança. A missão é um sucesso. De volta a cidade, a última promoção da morena: Capitã.

Os outros cadetes, alguns promovidos também a ranks mais elevados, a chamam mais uma vez para comemorar. Alguns cochichavam que era inútil, pois ela não aceitaria de novo. Ao lado da mais nova Capitã, Persian viu a dúvida no olhar. Que mal teria uma única noite de diversão? Finalmente conquistara o posto mais elevado disponível, era, a partir de então, uma das candidatas a comandante quando seu pai se aposentasse, a primeira mulher em tão alto escalão. Seu pai estava orgulhoso. Sua Persian era conhecida pela força e o time pelas inúmeras missões bem sucedidas em pouco tempo. Que mal faria uma única noite de diversão?

Fora de seu uniforme e dentro de um bar, Angélica se sentia um pouco deslocada. A noite corria tranquilamente do lado de fora, do lado de dentro a música alta impedia até mesmo alguns pensamentos. Sentada a seu lado, Persian era a única denuncia sobre quem a jovem era fora daquela noite atípica. Os outros cadetes optaram por deixar os felinos nas pokébolas, alguns até abandonaram as esferas na delegacia. Angélica não. Aquela gata era o único ser que realmente importava naquela noite insana, então a capitã a manteria ao alcance de seus olhos.

- Se não fosse o gatão ai, eu não te reconheceria cadete.

Gregory era sem dúvida a última pessoa, além de seu próprio pai, que Angélica esperava encontrar aquela noite. O médico se aproximou da jovem, sentando-se ao seu lado e ignorando o rosnar da gata. O médico parecia agir normalmente no bar, quase como se estivesse no hospital, ou seja, ignorava quem lhe chamava e tratava de fazer somente o que era necessário ou lhe despertasse o interesse. Ser sociável não era necessário ou de seu interesse. Entretanto, ver a morena no lugar pela primeira vez era interessante e intrigante. A mulher só fazia o que tinha relação a academia e sob as ordens de seu pai, então era mais do que natural o curioso médico querer descobrir o motivo dela estar em um bar.

- Então, o que faz por aqui?

- Suponho que em um bar eu não possa dizer que é assunto confidencial, não é?

O médico riu do humor da morena, algo que ele até então não tinha presenciado. Entretanto um pequeno lampejo diferente brilhou nos olhos mais velhos, algo com o que a mais nova não estava acostumada. Flertes não faziam parte do cotidiano da morena e, sem querer, ela iniciou uma conversa mais perigosa.

- Não é confidencial, do contrário o gato estaria escondido. Não sei se notou, mas ele não é muito discreto. Agora, estou muito intrigado sobre o motivo de uma Tenente séria estar num lugar como este. – O médico falava cada vez mais próximo da jovem e com o tom de voz baixo, forçando a atenção da mesma somente para si se ela quisesse ouvi-lo.

- Capitã.

- Uma promoção hein. Nesse caso, vamos comemorar.

O médico pediu a primeira bebida de muitas naquela noite. A primeira carícia discreta dentre muitas também encontrou seu lugar com o primeiro drink. O primeiro erro de muitos? Porém que mal poderia haver em permitir um homem mais velho lhe tocar uma única noite? Seria condenável uma única vez agir como a grande maioria das mulheres de sua idade agia? Uma única noite e no dia seguinte tudo deveria voltar ao normal.

-o-o-o-

O sol entrava pela janela aberta, atrapalhando o sono da capitã. A cabeça latejante e a mente enevoada demoravam a reconhecer o quarto que não lhe pertencia. Flashes da noite anterior não lhe permitiam negar o comportamento que seu pai condenaria. Angélica nem ao menos se reconhecia desde que começara a conversar com Gregory no bar, tampouco reconhecia o homem.

- Para de arranhar meu sofá!

Os gritos fora do quarto pareciam marteladas na dor de cabeça da morena e, antes que as palavras fizessem sentido, Persian invadiu o quarto e deitou-se sobre suas pernas, rosnando para o médico na porta.

- Por isso odeio Pokémons. Uma noite na minha casa e já terei de comprar outro sofá.

Na concepção do médico o dia tinha começado de maneira agradável. Entretanto encontrar o felino da mulher em sua cama se espreguiçando sobre o sofá com as garras de fora e fazendo sulcos no tecido fora mais forte que qualquer noite boa. O olhar que a morena dirigiu ao homem não se assemelhava a nenhum da noite anterior. Enxaqueca poderia realmente transformar a morena em um ser desprovido de paciência.

- Que horas são?

A morena perguntava após verificar que não existia um único relógio no quarto. O braço descansava sobre os olhos a fim de aliviar o estresse causado pela iluminação. A voz saia rouca pelas poucas horas de sono. O treinamento lhe prepara para noites em claro em missão, mas não para uma noite de indisciplina como a anterior.

- Possivelmente você está atrasada para a academia.

Angélica mirou Gregory em busca do tom irritante que ele usava para provocar alguém, porém ele estava sério. Primeiro dia como capitã e chegaria atrasada? Uma noite não poderia ser tão letal assim...

- Nesse caso, você não estaria atrasado para o hospital também?

Uma pergunta simples que poderia lhe salvar a paz de espírito, porém conhecendo o médico, Angélica esperava por uma resposta que não gostaria de ouvir. Antes de responder, o médico aproximou-se lentamente da cama e sentou-se ao lado da Pokémon felina.

- A diferença querida, é que eu não me importo de chegar atrasado no hospital. Eles terão de me esperar de qualquer forma.

Com essas palavras, a mais nova capitã da organização lançou-se para fora da cama. Coberto pelos lençóis Gregory percebia como aquela mulher ainda era jovem. Persian tivera mais sorte, pois conhecendo a mulher previu o que aconteceria e pulou para o chão antes. Em poucos segundos o médico escutava a porta de sua casa bater. Estava sozinho em sua casa, com uma cama bagunçada e um sofá rasgado.

Angélica chegou a tempo de não perder o aquecimento matinal do esquadrão que assumiria. Os pequenos risinhos que ouviu devido sua aparência ao chegar logo se tornaram maldições quando estabeleceu o ritmo do treino.  O olhar de seu pai era reprovador, mas a julgar pela ordem no esquadrão e o respeito conquistados em minutos, ele estava disposto a relevar a pequena indiscrição. A capitã jurara silenciosamente perante o pai que nunca mais cometeria o mesmo erro. Não valia a pena, na sua concepção, arriscar tantos sonhos e tantos sacrifícios por pequenos momentos de prazer.

Muito tempo depois de Angélica iniciar o treinamento na academia, Gregory chegava no hospital. O médico mal atravessara a porta de entrada e já foi abordado por um civil desesperado por notícias.

- Doutor, por favor, como está meu filho?

- Já pensou em perguntar para alguém que esteja no hospital há mais tempo? – O médico respondia com uma pergunta irônica.

- Mas ontem no fim da tarde o senhor me pediu para esperar no saguão que iria procurá-lo...

- Pedi é? Nesse caso continue esperando por que eu ainda não achei. – O médico falava impaciente se afastando do jovem preocupado para logo depois chamar uma enfermeira. – Enfermeira, finja que sou eu e que estou procurando uma criança. Depois me conte o que achou.

- Mas... Que criança doutor? – A mulher pergunta sem entender nada da ordem recebida.

- Qualquer um que pareça ser filho de um homem jovem. Eu tenho que tomar café e comprar um sofá novo. Então, me dê um relatório no começo da tarde. – Dizia já se afastando da mulher e rumando para o refeitório em busca do tão almejado café.

-o-o-o-


Duas semanas após uma noite diferente, a capitã saia em missão com seu esquadrão rumo as quentes ruas de Kalled. Deveria ser uma missão simples, de curta duração, entretanto o grupo se deparou com uma situação inesperada.

Durante dois meses a jovem capitã lutou contra o calor e manteve seu esquadrão vivo enquanto a gangue que assombrava a região enfrentava uma tentativa de invasão da outra organização. O motivo da briga entre as irmãs Yushiram era desconhecido, mas a luta de ambas, cada uma seguida por mais gangsters do que cadetes existentes na cidade, criava o pânico e o caos.

Quando um pedido de reforços chegou a base dos cadetes, já era tarde demais. Fugitivas e divididas, as irmãs escaparam da organização. Angélica se reprimia pela falha, porém perante os outros ela era parabenizada por ter mantido a ordem entre seus soldados e conseguido preservar o máximo da cidade sem perdas. Uma condecoração à capitã. Uma medalha por coragem e estratégia. Porém, antes, uma revisão no hospital para todo o esquadrão que lutou bravamente.

Mais uma vez no hospital, Angélica era tratada por Gregory. Qualquer um poderia se sentir constrangido com as lembranças do outro, mas ambos agiam com naturalidade e profissionalismo no primeiro encontro após a única noite. O médico interrogava sobre sintomas, intrigado com detalhes sobre o relatório dado por outro cadete sobre a capitã. Angélica respondia naturalmente, sem receio ou mudança no tom de voz.

- Deite-se. -O médico ordenava, querendo examinar o abdômen da paciente, apesar da aparência saudável da mesma.

- Isso não é necessário. – Angélica desviava se erguendo e preparando-se para abandonar o consultório.

- Eu defino se é necessário ou não. Aqui, capitã, eu dito as ordens.

Pela primeira vez Angélica via real interesse do médico em um paciente. Não precisava de mais para que a capitã soubesse que algum de seus subordinados dera informações demais ao doutor, informações que diziam respeito a ela, não ao paciente em questão. Sem querer ceder e sem aceitar ser a submissa no momento, a morena ergueu a cabeça em desafio e o dispensou mais uma vez.

- Seus serviços não são mais necessários doutor.

O olhar agressivo e a postura defensiva diziam tanto a Gregory quanto qualquer exame que poderia realizar sobre o corpo feminino. Uma risada curta e sem divertimento escapou de sua boca.

- Acha que fugir de um exame vai esconder a gravidez? – Para decepção do homem, a mulher não demonstrou nenhuma reação perante a pergunta. – Só preciso olhar para seu corpo para perceber os sinais. Ainda são sutis, mas já são visíveis. Deve estar o quê? No primeiro trimestre ainda? Logo pessoas com menos percepção que eu irão notar.

- Isso não lhe diz respeito.

- Diz se esse filho é meu.

As respostas eram rápidas e repletas de desafio com um leve toque de veneno. Gregory era cruel em sua insinuação sobre a vida privada da capitã e conseguira uma reação: desprezo total. Uma gravidez acidental e, a princípio, não desejada por nenhum dos dois era suficiente para destruir qualquer boa lembrança do outro.

- Não confunda um erro com minha integridade.

A mulher respondia sem elevar o tom da voz, confirmando a paternidade do bebê e tentando destruir qualquer desejo ou ideia de participação do homem. Sem esperar por uma resposta do médico e ciente de que não poderia confiar em seus hormônios, Angélica se retirou do consultório antes de ouvir uma resposta, deixando Gregory com seus pensamentos. Os demais pacientes não foram atendidos pelo competente médico que optara em reservar o tempo para clarear a mente e familiarizar-se com a ideia.

De volta a academia, Angélica era condecorada pelo desempenho na perigosa missão. Com agradecimentos mecânicos, a mulher dizia não ter feito nada além de sua obrigação, mas revelando estar satisfeita em ter conseguido preservar boa parte da cidade durante o trágico momento. O pai observava a filha depor com orgulho, satisfeito por ter tido sucesso na criação e no treinamento da mesma.

-o-o-o-

Angélica sentia sua face arder, porém seu coração sofria mais que seu rosto naquele momento. A jovem não sabe distinguir quando tudo aconteceu. Em meio aos rosnados e ao som da batalha entre sua Persian e Lua Negra, a mulher só se lembrava do pai lhe batendo. Logo em seguida, Persian o atacou em defesa da mestra, sendo impedida por Lua Negra.

- Como você pode fazer isso conosco Angélica? Pensei que quisesse realizar nosso sonho de te transformar em minha sucessora. Como pode me trair desse jeito?

O pai gritava com a mulher em sua sala, sem deixar dúvida aos outros cadetes sobre o assunto do debate. O tom de voz elevado e descontrolado era somente uma pequena mostra da fúria do mesmo que chamou a filha para desmentir os boatos sobre a gravidez da mesma que corriam pela organização.

Persian tentava se soltar das presas de Lua Negra que mantinha sua presa submissa pelo pescoço. A felina lutava com desespero, tentando ao máximo se colocar entre pai e filha. Em sua briga irracional, a mesma consegue se virar um pouco de lado, atingindo o ombro de seu adversário com o Night Slash e obrigando o mesmo a soltá-la. Um Swift logo em seguida lhe garante um pequeno espaço para se afastar e sondar melhor a situação.

Angélica não ditava ordens para a gata. Lua Negra também lutava por conta. Cada gato protegendo o seu cadete. A capitã mantinha os olhos baixos, ciente da decepção que causara no pai. Sem oportunidade de falar, era ofendida e acusada como uma mulher fácil que se entrega para qualquer homem, comparada a todas outras cadetes que abandonaram a profissão e o dever com todo o povo para virar uma mera dona de casa. Dor atingia a garota que não tinha espaço para se defender, ou ao menos defender a própria mãe.

A jovem Angélica, com somente vinte anos, aprendeu o potencial destrutivo da frase: só uma noite.

O comandante se aproximava mais uma vez da filha e a jovem não recuava, pois sábia que a punição seria pior. O olhar raivoso ainda não reduzira de intensidade e a morena só pode suspirar sabendo que seu castigo seria longo. Entretanto a pergunta seguinte surpreendeu mais a jovem do que qualquer punição física. Nunca em sua mente cogitara a possibilidade de retirar o bebê, portanto jamais pensara que ouviria a horrenda sugestão de alguém que amasse. Nem mesmo Gregory perguntara se ela tinha a intenção de manter a gestação. Porém naquele momento o médico parecia conhecê-la mais do que o próprio pai.

- Como pode sugerir que eu mate seu neto?

- Filho daquele médico desgraçado, não meu neto. Meu neto nascerá da forma correta. Em um casamento honrado. Não feito em uma festa imunda desses bares decadentes que poluem nossa linda cidade.

Angélica não acreditava no que ouvia. Seu pai, que sempre jurou lhe amar mais do que a tudo, queria que ela se livrasse do bebê... Seu bebê! A jovem piscava confusa, sem reconhecer mais o homem que estava na sua frente.

As ofensas proferidas pelo pai e a briga entre os felinos cessou repentinamente devido um alarme que ecoava por toda a delegacia. Angélica agradecia o momento de descanso, porém o pai a mirava com desprezo.

- Acho que nessa você fica por aqui. Afinal, está grávida.

A palavra proferida com nojo se assemelhava a uma doença contagiosa para o comandante naquele momento. Angélica e Persian ficaram sozinhas por um segundo. A mulher fechava as mãos em punho, tentando controlar as emoções e recobrar o controle sobre seu corpo.  A felina roçou a cabeça em sua perna em alento, tentando atrair a mente da morena para longe dos últimos acontecimentos.

- Vamos. – Angélica chamou após um suspiro resignado de que sua vida jamais seria a mesma.

A delegacia, fonte de atenção dos cadetes no momento, encontrava-se em alvo de bombardeio e ataque gangster. Era difícil distinguir qual das duas facções já que para os oficiais todos eram igualmente criminosos. O comandante atacava ferozmente, descontando sua ira nos invasores. Angélica e Persian lutavam juntas, como uma verdadeira unidade. Contudo a mente da morena não estava apta ainda a batalha, um pequeno reflexo dos hormônios desregulados que a jovem não poderia controlar durante alguns meses. Devido a este fato, a capitã foi pega na perna pelas poderosas presas de um Trapinch, sendo levada ao chão com a perna quase dilacerada. O treinamento intenso e o reflexo rápido lhe permitiram balear o Pokémon inimigo, matando-o antes que perdesse a perna. Persian estava mordendo um Scolipede com agressividade e não pode socorrer a mestra a tempo. Ironicamente, a luta da felina salvara Lua Negra, o gato que antes tentou lhe matar.

As mandíbulas de um Trapinch são conhecidas por sua força e a morena não pode mais caminhar depois do ataque. Presa ao chão durante a batalha, Angélica contava com Persian para lhe proteger enquanto baleava gangsters com uma mira exemplar. O chão se manchava de vermelho com o sangue da mulher e os pés da Pokémon não podiam evitar manchar-se com o liquido e marcar áreas mais distantes com pegadas rubras. A falta de sangue enfraquecia o corpo rapidamente e a jovem capitã Thompson desmaiava pela fraqueza.

Não foi o pai de Angélica que a levou para o hospital as pressas, mas sim um membro de seu esquadrão, primeiro a encontrar sua capitã entre a vida e a morte pela perda de sangue. Este mesmo cadete, um jovem ainda em começo de profissão, escreveu o bilhete direcionado a Sra. Thompson e mandou através de seu Taillow para a mãe da capitã. O jovem Kibato não sabia, mas naquele momento fizera toda a diferença na vida da morena, uma dívida que ela jamais esqueceria.

Diversos médicos iniciaram rapidamente o tratamento na perna da mulher, esperando conseguir resgatar os movimentos e impedir a perda do membro. Gregory, naquele momento, foi acordado em sua casa de uma noite regada a bebidas. As batidas na porta não cessaram até que o doutor se levantasse. Usando nada mais que uma cueca, o rabugento médico abriu a porta mandando o intruso embora e alegando que qualquer emergência poderia esperar, fechando a porta logo em seguida. As batidas não retornaram para gratidão da enxaqueca do Haltz, porém, logo o intruso informara a emergência, o doutor mudou de ideia e partiu para o hospital.

Gregory não era conhecido por sua preocupação com seus pacientes, porém naquele momento se falava de seu filho, portanto ninguém estranhava as brigas pela incompetência do resto da equipe. A preocupação e seu destino eram claros. Todavia, antes que o médico pudesse entrar na sala cirúrgica e tentar garantir a vida de Angélica e do bebê, o comandante o pegou pela roupa o prensando contra uma parede.

- Isso é culpa sua seu desgraçado! – Gritava o pai de Angélica novamente sem controle do tom de voz e possuído pela raiva.

- Com toda certeza eu sou um gangster disfarçado que mandou um Pokémon destruir a perna da sua filha e não o médico sendo atacado por um descontrolado e impedido de fazer seu trabalho. Alguém dê um calmante para ele?!

A resposta ousada só resultou em um puxão e outro empurrão contra a parede. Gregory reclamou um pouco do segundo impacto e mirou o comandante ciente de que ele não soltaria facilmente.

- Você a engravidou, seu bastardo! – Acusava o comandante enfurecido.

- E você prefere que ela corra risco de vida a me deixar tratá-la. Acho que gravidez é menos dramático.

Após tamanha ousadia o mais velho não controlou sua insanidade e atingiu um soco na face do doutor, derrubando-o no chão. Após o golpe inesperado, o médico tocou o interior de sua boa e notou uma pequena mancha de sangue. Os cadetes do esquadrão de Angélica resolveram intervir, segurando o comandante e impedindo-o de voltar a agredir Gregory.

- Já estava na hora de fazerem algo, hein? Providenciem logo um calmante para ele! – Gritava o médico antes de sumir entre as portas da sala de cirurgia. Gregory ignorava por completo as ameaças gritadas pelo pai da mãe de seu filho, bem como as ordens para que ele não a tocasse mais, uma ordem que a partir de agora ele quebraria sempre que possível e que agora rezava para que ela concordasse, só para irritar o velho a princípio.

-o-o-o-

Angélica abria os olhos com dificuldade. Mais uma vez acordava em uma cama que não era sua com a luz do sol lhe ferindo os olhos. Para completar o cenário, mais uma vez a primeira voz que ouvia era de Gregory.

- Já estava na hora dorminhoca. Mas acho que dessa vez consigo te manter mais tempo na cama.

Antes que a mulher pudesse questionar as palavras do doutor, sua mãe intervinha mandando-o parar de provocá-la quando ela precisava de repouso. O quarto branco do hospital começava a entrar em foco e a paciente finalmente compreendia onde estava. O desejo de tornar seu filho órfão de pai lhe invadiu com força pela brincadeira de mau gosto.

- Lembre-se Gregory, ela tem que ficar forte para que o bebê nasça forte. - Por alguma razão o médico escutava a mulher mais velha, muito diferente de seu comportamento com o comandante. Após verificar os sinais vitais da mais nova, Haltz se afasta um pouco para dar alguma privacidade às duas. A mãe, que o analisava até então, não perdeu a chance de fazer seus comentários. – Devo confessar minha filha, quando soube da gravidez fiquei muito preocupada, ainda mais sabendo o patife que seria o pai. – Angélica já esperava por algo do gênero e fechou os olhos, porém a próxima fala de sua mãe poderia tê-la infartado mais do que qualquer bronca. – Mas pelo menos ele é atraente e interessante. Deve ter válido a pena, hein? Pena que não vai terminar em casamento. Seria um genro bom de se ficar olhando.

Enquanto Angélica ficava perdida sobre o que responder visto que não esperava algo assim de sua mãe, Gregory gritava agradecimentos pelo elogio e alegando que a parte do patife poderia ter ficado de fora. A mãe da capitã ria alegre, feliz pela filha estar bem e feliz pelo neto que viria.

- Só não entendo minha filha, por que recusou o casamento quando ele ofereceu?

- Por que seria o racional a se fazer e eu lhe prometi que não casaria movida pela razão. – A resposta da acamada era calma e sem emoções na voz, como se estivesse debatendo o tempo e não uma proposta de casamento recusada.

- Minha filha. – A mais velha suspirava acariciando o longo cabelo preto da mais nova. – Minha pequena criança. Acho que você está cometendo um grande engano. Não há nada de racional em criar um filho junto com o homem que deveria ter existido por somente uma noite.

A mais nova observava sua mãe falar com tranquilidade e refletia sobre as palavras que acabou de ouvir, por mais que estivesse determinada a não mudar de ideia. Porém sua resposta para o comentário não tinha relação nenhuma com o caso já público que tivera com o médico, mas sim com o tempo para ter sua desejada alta e voltar à ativa. Para a tristeza de Angélica, Gregory respondeu que dessa vez demoraria, pois a cirurgia havia sido arriscada e ele não a deixaria colocar o filho dele em perigo tão cedo novamente.

-o-o-o-

Gregory simplesmente não podia acreditar que no trabalho de parto do filho dele, ele, o melhor médico do hospital, foi obrigado a ficar na sala de espera. Olhando para o lado o médico observava Persian deitada no chão com a cabeça entre as patas e o olhar assustado.

- Pare com isso, sou eu que estou virando pai e não posso nem ver. Não acredito que ela preferiu a mãe dela lá dentro e não eu.

A felina olhou o homem reclamar e seguir resmungando que, como médico, ele tinha a obrigação de presenciar esse parto. Os demais membros na sala de espera eram cadetes, mais precisamente o esquadrão de Angélica.

Algumas horas mais tarde, nada fora do normal, mas que na sala de espera pareciam uma eternidade, a mais nova vovó surgiu rindo e chorando ao mesmo tempo dizendo que a menininha era a coisa mais linda que ela já vira. Pokémon e cadetes comemoraram enquanto Gregory soltava a respiração, mais tranquilo. A briga sobre quem visitaria primeiro a nova mamãe cessou na hora em que a vovó disse que, a pedido de Angélica, não teriam visitas imediatamente. No quarto a capitã admirava a recém nascida em seus braços. Suor ainda estava presente em seu rosto cansado, mas somente com a criança ela sorria abertamente apesar do cansaço. Sozinhas no leito, a pequena Yasmin dormia nos braços da mãe recém adormecida, uma cena que se repetiria inúmeras vezes.

Quando Angélica despertou novamente, algumas horas mais tarde, Gregory estava no quarto com a filha nos braços, admirando fascinado a criança, um olhar que jamais foi visto na expressão do homem. Persian, pela primeira vez, não estava ao redor da capitã. A Pokémon se encontrava se equilibrando em um dos lados do médico e fazendo de tudo para ver a pequena Yasmin. Persian foi a primeira a perceber a mulher desperta e imediatamente pulou em sua cama, lambendo-lhe o rosto feliz e parabenizando-a pela filha.

A mãe da morena entrava no quarto carregando uma cesta com presentes para a neta e imediatamente a pegava no colo. O homem desviou o olhar para a mulher na cama e, quando ela lhe devolveu o olhar, agradeceu. Sua voz era sincera e até aquele momento o mesmo parecia satisfeito em ser pai.

A vovó logo se despedia, dizendo que ia levar a pequena Yasmin para que os outros pudessem ver. Uma boa desculpa para permitir que os pais pudessem conversar um pouco após o parto. A senhora se afastava falando com a neta e usando uma voz mais infantil.

Após a saída da dupla, o silêncio passou a ser quebrado somente pelo ronronar de Persian, tamanha sua alegria com o bebê. Angélica somente se recostou na cama, retirando os olhos da porta e mirando o teto.

- Não acredite em seu pai. Você será uma boa comandante um dia. – Haltz a surpreendia falando próximo à porta. – Mas acho que será melhor mãe. – Ele encerrava antes de sair e voltar a fingir que iria trabalhar naquele dia. A mulher voltava a olhar o teto, dessa vez pensando nas palavras do médico.

O pai de Angélica não visitou a filha ou a neta no hospital, preferindo colocar o serviço burocrático da academia em dia.

-o-o-o-

Dois anos se passaram rapidamente. Dois anos em que a capitã Angélica surpreendeu a todos ao não se afastar da carreira, se manter em destaque, sendo conhecida por sua seriedade, força e competência, e ainda conseguir o apelido de mãe coruja (dito somente na ausência da mesma).

Gregory foi desperto na madrugada de uma quinta-feira pela morena que em uma única noite virara sua vida de pernas para o alto. Nos braços da mulher, a pequena Yasmin. A expressão séria e o uniforme impecável. Sem questionar, o médico abriu a porta para que o gato azul entrasse e pegou a criança, levando-a para dentro. A mochila da menina, com somente os poucos recursos que ele mantinha em seu apartamento, estava sendo depositada no novo (e já arranhado) sofá por Luxray, o Pokémon de Angélica encarregado por proteger sua filha. Após uma despedida rápida, Angélica e Persian se retiraram para uma importante missão: resgatar o comandante.

Por quatro dias Gregory cuidou da filha sozinho, algo que já estava acostumado a fazer. Por quatro dias teve de aguentar o Pokémon gato babando no terceiro sofá desde a primeira noite, algo que não estava disposto a se acostumar.

Angélica corria ao lado de Houndoom e Persian, rumo ao resgate do comandante, sequestrado e torturado pelos Apocalipses. O Pokémon de fogo, pertencente há pouco tempo na equipe, aproveitava-se do pelo escuro para se infiltrar e emboscar gangsters. Nível a nível as três garotas avançavam, movendo-se como uma unidade, sincronizadas e letais. O resto do esquadrão aguardava mais afastado, esperando pelo sinal.

Mais uma missão executada com sucesso. A filha irresponsável salvara o pai e comandante, porém a equipe toda fora enviada tarde demais. O comandante, vítima das mais variadas torturas, não mais poderia andar. A aposentadoria chegou mais cedo que o esperado. Após a missão falha, o antigo comandante se fechou em seu mundo, evitando contato com a filha ou a neta, inundado pela vergonha pelo tratamento desferido à filha no passado.

Quando Angélica buscou sua filha na casa do médico, buscou como a mais nova Comandante da organização.

-o-o-o-

- Por que você fechou os bares?!

Por algum motivo nenhum cadete impediu o médico de invadir a sala da comandante aos gritos. Gregory parecia completamente perturbado e fora de controle, possivelmente pelo último decreto emitido pela morena a sua frente.

- Por que a surpresa?

- Você não pode fazer isso comigo, Angie! Pelos bons momentos, pelas lembranças... Até nosso bar você fechou!

A falta de bebida realmente perturbara o homem. A mulher mantinha a postura e a voz firme, afirmando simplesmente que não existia “eles” e muito menos “o bar deles”. Sem muitas explicações, informou que os bares fechados não respeitavas as normas de saúde, que sua decisão estava tomada e não era plausível de recursos. Com frieza, a comandante mandou o outro se retirar. O médico saiu da sala brigando com todos em seu caminho, amaldiçoando a mulher e fazendo juras de vingança que variavam de servir pizza toda noite para Yasmin até dar um irmãozinho para a pequena, qualquer coisa que a fizesse entender quem mandava e que ele deseja os bares abertos novamente.

Após dois anos, Haltz se convenceu de que os bares não reabririam...

-o-o-o-

O brilho do sol reluzia nas paredes da Academia. Quinze jovens recrutas aguardavam o inicio de seu treinamento. Os uniformes possuíam manchas de suor e a respiração era falha devido à exposição ao calor infernal. O desejo ou temor do grupo não durou muito tempo e logo a porta se abriu. Uma mão enluvada se mantinha na maçaneta enquanto um grande Persian, com uma marca de estrela no peito, rosnava feroz, enquanto sua mestra era seguida pelo oficial que treinaria aquela turma.

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por The Cookie em Sab 14 Dez 2013, 08:24

LOOOOL, QUE DAORA!

Curti muito *-* Escreves bem!

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Alice em Sab 14 Dez 2013, 12:38

Que bom que gostou cookie ^^

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Bianca.red em Sab 14 Dez 2013, 17:17

Incrível *O*
Essa oneshot ficou simplesmente incrível *w*

Pretende fazer mais fics como essa? talvez uma menor sobre um dia de travessuras da Yasmin *w*

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Alice em Sab 14 Dez 2013, 17:42

a intenção é encher de fic ;D
e uma da Yasmin é uma ótima pedida \o/

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Naruub em Dom 16 Nov 2014, 20:27

Achava Angelica muito do mau, mas depois disso entendi. Achei muito engaçado a penultima parte do texto, só depois de dois anos, kkk

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

Mensagem por Henri Sollari em Seg 16 Mar 2015, 20:16

Muito show a história, parabéns Alice!!! Espero que um dia Henri a conheça, uma mulher com uma história muito linda apesar dela estar em sua fase durona XD

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Re: [oneshot] Ascensão de Angélica

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